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Como Israel, um país minúsculo no deserto, transformou o mar em água potável, reciclou esgoto, encheu o Mar da Galileia de novo e hoje exporta tecnologia hídrica enquanto vizinhos secam sob calor, seca e medo

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 19/12/2025 às 21:58
Atualizado em 19/12/2025 às 21:59
Israel enfrenta a crise hídrica com dessalinização, reciclagem de esgoto e envio de água ao Mar da Galileia, exportando soluções para regiões secas.
Israel enfrenta a crise hídrica com dessalinização, reciclagem de esgoto e envio de água ao Mar da Galileia, exportando soluções para regiões secas.
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Minúsculo e semiárido, Israel virou laboratório mundial de água ao dessalinizar o Mediterrâneo, reciclar 94 por cento do esgoto, irrigar o deserto com 87 por cento de água reutilizada e bombear excedente de usinas para o Mar da Galileia em plena crise hídrica que atinge vizinhos como Irã e Iraque.

Em 2001 e 2002, Israel ainda dependia pesadamente do Mar da Galileia e de aquíferos limitados, consumindo cerca de 513 milhões de metros cúbicos por ano de suas fontes naturais. A partir de 2005, com a expansão de usinas de dessalinização e, em 2013, com a entrada em operação da planta de Sorek, o país acelerou uma virada histórica e reduziu esse consumo a apenas 25 milhões de metros cúbicos em 2018 e 2019.

Enquanto isso, a partir de 2010, a região ao redor se aprofundava em uma crise: Irã, Iraque, Síria, Turquia, Jordânia e Iêmen acumulavam reservatórios quase vazios, rios em retração e cidades à beira do racionamento. Nesse mesmo contexto, Israel passou a dessalinizar cerca de 2 milhões de metros cúbicos de água do mar por dia, estabilizou o nível do Mar da Galileia com um sistema reverso de bombeamento inaugurado em 2023 e consolidou a água como prioridade de segurança nacional.

Um deserto cercado por vizinhos à beira da seca

Israel enfrenta a crise hídrica com dessalinização, reciclagem de esgoto e envio de água ao Mar da Galileia, exportando soluções para regiões secas.

O Oriente Médio soma recordes de calor, rios que encolhem e lagos que desaparecem. No Irã, o próprio presidente alertou que, sem chuva, Teerã poderia ter de ser evacuada.

No Iraque, as águas do Tigre e do Eufrates não chegam nem à metade do volume histórico, e moradores de Basra são obrigados a beber água salgada.

Na Síria, depois de mais de uma década de guerra, a seca transformou antigas áreas agrícolas em campos de poeira.

Na Turquia, o recuo das águas subterrâneas na planície de Konya abriu crateras no solo, enquanto Istambul e Izmir se aproximam da escassez de água.

A Jordânia figura entre os países com menor disponibilidade hídrica per capita, e no Iêmen a água se tornou mais valiosa que o petróleo, sintetizando a gravidade da crise.

Nesse cenário regional de colapso, Israel aparece como anomalia hídrica.

Em vez de recuar, o país aumentou sua oferta de água potável, estabilizou reservatórios e ainda passou a exportar tecnologia de dessalinização e reúso.

A diferença não está na geografia, mas em décadas de investimento em ciência, infraestrutura e regulação voltadas a extrair o máximo possível de cada gota disponível.

De um país dependente do Mar da Galileia ao limite da escassez

Israel enfrenta a crise hídrica com dessalinização, reciclagem de esgoto e envio de água ao Mar da Galileia, exportando soluções para regiões secas.

Metade do território de Israel está sob clima semiárido, e o sul é dominado por um deserto com média anual de apenas 20 milímetros de chuva.

No norte, a precipitação gira em torno de 800 milímetros, caindo para cerca de 400 milímetros no interior leste.

Historicamente, Israel se apoiava sobretudo no Mar da Galileia e em aquíferos subterrâneos limitados para atender população, agricultura e indústria.

O crescimento populacional, a intensificação da agricultura e ciclos de seca cada vez mais severos levaram essas fontes ao limite no fim do século 20.

Os níveis do Mar da Galileia se aproximavam de marcas consideradas perigosas, e a retirada contínua de água ameaçava tanto o abastecimento quanto o ecossistema do lago.

Foi esse contexto que empurrou Israel a tratar a dessalinização não como opção ambiental, mas como necessidade estratégica de sobrevivência e segurança nacional.

Como Israel transformou o Mediterrâneo em água potável

Vídeo do YouTube

A virada começou ainda nos anos 1960, quando o químico Alexander Zarchin desenvolveu um processo de dessalinização baseado em congelamento a vácuo e fundou a IDE Technologies em 1965.

A tecnologia inicial não era eficiente, mas abriu caminho para a adoção posterior da osmose reversa, que hoje domina o parque de usinas israelenses.

Em 1997, Israel inaugurou sua primeira usina de dessalinização de água do mar em Eilat.

Em 2002, em plena seca, o governo aprovou a construção de grandes plantas ao longo da costa mediterrânea, com metas de dessalinizar 305 milhões de metros cúbicos por ano até 2010 e 500 milhões de metros cúbicos até 2015.

Em 2005, entrou em operação Ashkelon; em 2009, foi a vez de Hadera. No fim de 2008, a capacidade já alcançava 130 milhões de metros cúbicos anuais.

Em 2012, só Ashkelon produzia de 15 mil a 16 mil metros cúbicos por hora, respondendo por cerca de 15 por cento da demanda total do país.

Em 2013, a usina de Sorek, uma das maiores de osmose reversa do mundo, passou a injetar 234 milhões de metros cúbicos por ano na rede.

Hoje, Israel converte aproximadamente 2 milhões de metros cúbicos de água do mar em água doce diariamente, com a maior parte destinada a residências e cidades.

Reciclagem de esgoto que irriga o deserto

A dessalinização é apenas metade da equação.

A outra metade é o reaproveitamento maciço de esgoto tratado.

Segundo dados compilados pelas autoridades, cerca de 94 por cento das águas residuais de Israel são coletadas e tratadas, e mais de 87 por cento desse volume é reutilizado, principalmente na agricultura.

É, de longe, a maior taxa do mundo.

A estação de Shafdan, perto de Tel Aviv, processa em torno de 370 milhões de litros de esgoto por dia, enviando essa água, após tratamento e polimento, por tubulações subterrâneas para irrigar fazendas no deserto do Negev.

Desde 2010, regras mais rígidas limitaram salinidade e metais pesados na água reciclada, reforçando o controle de qualidade para uso agrícola.

Com isso, Israel consegue abastecer grande parte das suas necessidades alimentares com produção local, mesmo em clima desértico, reservando a maior parte da água doce natural para consumo humano.

Esse modelo cria um ciclo em que água dessalinizada atende cidades e parte da indústria, enquanto o esgoto dessas mesmas cidades, tratado em alto padrão, retorna ao campo.

A combinação reduz a pressão sobre lagos e aquíferos e transforma o que seria um passivo ambiental em ativo produtivo capaz de sustentar altas produtividades agrícolas.

Bombear água dessalinizada de volta ao Mar da Galileia

Um dos movimentos mais simbólicos da política hídrica de Israel é o Sistema Nacional de Transporte Reverso de Água, que entrou em operação em 2023.

Em vez de retirar água do Mar da Galileia para o resto do país, o sistema permite bombear o excedente das usinas de dessalinização de volta para o lago, transformando-o em reservatório de segurança.

Na prática, quando a produção das usinas costeiras supera a demanda imediata, parte da água é enviada para o norte, ajudando a estabilizar o nível do Mar da Galileia e garantindo um estoque estratégico para períodos de seca extrema.

Com isso, Israel reduziu dramaticamente a dependência antiga desse lago e passou a tratá-lo como reserva de longo prazo, e não mais como principal fonte de abastecimento diário.

Quanto custa garantir água em um país árido

A liberdade hídrica de Israel tem um preço.

A usina de Ashkelon custou cerca de 250 milhões de dólares; Hadera, 425 milhões; Sorek, 450 milhões; e novas instalações, como Sorek 2, ultrapassam 500 milhões de dólares.

Além das plantas, o país investiu aproximadamente 500 milhões de dólares em novos dutos principais leste-oeste, conectando a costa mediterrânea às áreas mais afastadas.

O custo de produção também pesa no orçamento.

Usinas de osmose reversa de grande escala produzem água por cerca de 0,54 dólar por metro cúbico, mais do que a água doce natural, estimada em 0,10 dólar por metro cúbico, mas ainda competitivo diante de outros países, onde a dessalinização varia entre 0,50 e 1,00 dólar por metro cúbico e, em alguns casos, supera 3,00 dólares.

Israel paga mais caro por metro cúbico do que pagaria explorando apenas suas fontes naturais, mas compra, em troca, segurança de abastecimento mesmo sob seca severa.

O que a revolução da água em Israel ensina a outras regiões áridas

A experiência de Israel mostra que o caminho para sobreviver em regiões áridas passa por inovação tecnológica, investimentos de longo prazo e regulação rígida sobre cada etapa do ciclo da água.

Dessalinização em larga escala, reciclagem quase total de esgoto e transporte reverso para lagos estratégicos são soluções que não eliminam o custo da água, mas reduzem drasticamente o risco de colapso.

Ao mesmo tempo, o modelo evidencia limites: dessalinizar é caro, exige energia e infraestrutura robusta e não substitui políticas de economia, conservação de mananciais e planejamento urbano.

Ainda assim, em um Oriente Médio onde rios desaparecem do mapa e cidades cogitam evacuações por falta de água, Israel tornou a água uma frente explícita de segurança nacional e uma plataforma de exportação tecnológica para outros países em crise hídrica.

Diante desse contraste entre vizinhos à beira do racionamento e um país desértico que transformou o mar em fonte estratégica, você acha que outras nações áridas deveriam seguir o caminho de Israel na dessalinização em massa ou priorizar primeiro medidas de conservação e redução de consumo interno?

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Jair Souza da Silva
Jair Souza da Silva
26/12/2025 14:45

Brasil, um país abençoado tanto na geografia quando na topografia… Porém com fé superficial.( Da boca pra fora) Por isso vemos poucos milagres aqui, Deus age através da fé!!! Nosso país tropical tem tudo mais tem pouca fé, por isso reina a corrupção, violência, maldades inacreditáveis, precisamos buscar a fé… A fé é muito mais verdadeira na nossa fraqueza!!! Pois somos todos fracos!!! É Deus q nos sustenta!!! Obrigado o meu Deus por continuar olhando por nós apesar de todas as atrocidades q fazemos… Glória a Deus e a nosso salvador JESUS CRISTO!!!

Jair Souza da Silva
Jair Souza da Silva
26/12/2025 14:16

Sem dúvidas Deus é com Israel… Eles melhores q as outras nações em tudo!!! A sabedoria de Salomão… Apesar de todas as provações e desafios Israel consegue vencer, se isso não é Deus o q é??? Precisamos ter a fé deles … É isso que Deus nos pede!!! Glória a Deus o nosso paí todo poderoso e misericordioso!!!

Matheus
Matheus
24/12/2025 20:40

Incrível como Deus cuida de Israel. Um país minúsculo, mas com tecnologia militar e hídrica como poucos ou quase nenhum.

Marco Muller
Marco Muller
Em resposta a  Matheus
25/12/2025 08:09

Me perdoe o choque de realidade mas esse pensamento infantil é o que faz Israel ser odiado por tanta gente, não tem nada de proteção divina, é trabalho duro, vontade ilimitada, investimento em ciencia e tecnologia, esforço puro e simples, eles não recebem nada de graça, que protecionismo é esse? Uma das regioes mais secas e improdutivas do planeta, clima extremo quase absurdo, que bênçãos são essas. Devemos parar de ser infantis, se Deus protege alguem, não são eles, as unicas bênçãos de Deus são nossos corpos, nossa inteligencia e nossa capacidade, o resto é resultado de esforço e trabalho duro.

Jair Souza da Silva
Jair Souza da Silva
Em resposta a  Marco Muller
26/12/2025 14:54

Sem dúvidas Deus é com Israel… Eles melhores q as outras nações em tudo!!! A sabedoria de Salomão… Apesar de todas as provações e desafios Israel consegue vencer, se isso não é Deus o q é??? Precisamos ter a fé deles … É isso que Deus nos pede!!! Glória a Deus o nosso paí todo poderoso e misericordioso!!!

Paulo
Paulo
Em resposta a  Matheus
25/12/2025 12:53

Isso não é Deus, isso é ciência. Eles bao ficam o dia inteiro rezando para que caia água do céu. Eles estudam e criam mecanismo para dessanilizar água.

Jair Souza da Silva
Jair Souza da Silva
Em resposta a  Matheus
26/12/2025 14:49

Brasil, um país abençoado tanto na geografia quando na topografia… Porém com fé superficial.( Da boca pra fora) Por isso vemos poucos milagres aqui, Deus age através da fé!!! Nosso país tropical tem tudo mais tem pouca fé, por isso reina a corrupção, violência, maldades inacreditáveis, precisamos buscar a fé… A fé é muito mais verdadeira na nossa fraqueza!!! Pois somos todos fracos!!! É Deus q nos sustenta!!! Obrigado o meu Deus por continuar olhando por nós apesar de todas as atrocidades q fazemos… Glória a Deus e a nosso salvador JESUS CRISTO!!!

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