Nova regra de compra e venda de carro promete acabar com a ida ao cartório e levar todo o processo para o aplicativo da Carteira Digital de Trânsito, com pagamento travado até a transferência do documento, autovistoria pelo próprio dono e sistema unificado nos Detrans de todo o país já.
As regras de compra e venda de carro no Brasil devem passar por uma virada digital a partir de 2026, quando o Ministério dos Transportes pretende lançar um modelo nacional de transação entre particulares feito diretamente pelo celular, sem a necessidade de cartório e com mais segurança para quem compra e quem vende.
A previsão foi detalhada pelo secretário executivo George Santoro, em entrevista à EXAME Infra, ao explicar que o novo sistema deve ser lançado entre janeiro e fevereiro de 2026, com pagamento travado até a transferência do documento do veículo e possibilidade de autovistoria realizada pelo próprio dono, usando tecnologia para reduzir burocracia.
Como funciona hoje a compra e venda de veículos
Hoje, a compra e venda de carro entre particulares ainda depende de um caminho considerado longo e inseguro por quem está no mercado.
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Na prática, comprador e vendedor costumam se encontrar, preencher o documento de transferência e depois ir a um cartório para reconhecer firma e formalizar a venda.
Nesse modelo tradicional, o pagamento muitas vezes é feito por cheque, transferência ou pix antes de toda a documentação estar regularizada.
Vendedor e comprador ficam em uma espécie de “zona cinzenta”, em que o dinheiro pode ter saído, mas a transferência do veículo ainda não foi concluída no Detran, abrindo espaço para conflitos e desconfiança.
Segundo o secretário George Santoro, essa realidade é vista como “inacreditavelmente burocrática”, além de pouco eficiente em termos de segurança e custo para o cidadão.
O que muda com o modelo digital nacional
A proposta do Ministério dos Transportes é que a compra e venda de carro passe a acontecer quase toda dentro do aplicativo da Carteira Digital de Trânsito, integrado à Senatran e aos Detrans estaduais.
A ideia é que o cidadão consiga, pelo celular, iniciar a negociação, confirmar dados do veículo, registrar a intenção de venda e concluir a transferência de forma padronizada em qualquer estado.
Em vez de carimbo em papel e firma reconhecida, o processo passa a depender de validações digitais, com autenticação do usuário e conferência automática das informações.
Hoje, alguns Detrans já permitem etapas digitais na compra e venda de veículos, mas de forma fragmentada.
O objetivo do governo federal é uniformizar o procedimento para todo o país, evitando que cada estado mantenha regras e plataformas próprias que confundam o motorista.
Pagamento travado até a transferência do documento
Um dos pontos centrais do novo modelo é a forma de pagamento. Pelo desenho apresentado por Santoro, o comprador faz o pagamento dentro do sistema, mas o valor não vai imediatamente para a conta do vendedor.
O dinheiro fica “travado” até que a transferência do documento seja concluída.
Isso significa que, enquanto o veículo não estiver oficialmente em nome do comprador nos registros, o recurso permanece retido em ambiente seguro, vinculado à operação.
A partir do momento em que o sistema confirmar a transferência de propriedade no Detran, o valor é liberado para o vendedor.
Essa espécie de “escrow digital” reduz o medo de golpe dos dois lados, porque o comprador sabe que só pagará por um carro que será transferido para seu nome, e o vendedor tem a garantia de que o dinheiro está reservado na transação.
Fim da obrigação de cartório e menos burocracia
Com a digitalização da compra e venda de carro, a ida física ao cartório deixa de ser peça central do processo.
Em vez disso, o reconhecimento de vontade e a confirmação de identidade passam a ser feitos por meios digitais oficiais, integrados ao sistema de trânsito.
Santoro destaca que “o Brasil precisa usar a tecnologia para reduzir custos e promover inclusão social”.
Ao cortar etapas presenciais e papelada, o governo busca simplificar a vida de quem mora longe de centros urbanos, tem dificuldade de se deslocar ou precisa resolver tudo em horários fora do expediente tradicional.
Além disso, a unificação das regras deve reduzir dúvidas sobre quais documentos são necessários, qual prazo para comunicar a venda e como concluir a transferência sem depender de múltiplas idas a órgãos públicos diferentes.
Autovistoria do veículo feita pelo próprio dono
Outro ponto que o Ministério dos Transportes quer mexer é na vistoria veicular, etapa que hoje normalmente exige agendamento em empresas credenciadas ou unidades dos Detrans.
Santoro defende que, em muitos casos, a vistoria possa ser feita pelo próprio cidadão, em um modelo de autovistoria semelhante ao já usado por seguradoras na contratação de seguros de automóveis.
A lógica é simples.
O motorista registra imagens e informações do veículo pelo aplicativo, envia tudo para o sistema e o Detran apenas confere os dados recebidos. Se algo estiver errado, a autovistoria é rejeitada e o órgão pede novos registros.
Segundo o secretário, se o setor de seguros, considerado conservador, já aceita esse tipo de comprovação, não há motivo para que os Detrans não possam adotar solução parecida, desde que existam mecanismos de conferência e punição em casos de fraude.
Quando as mudanças começam a valer
As mudanças ainda não entraram em vigor. O cronograma citado pelo governo aponta para o lançamento do sistema entre janeiro e fevereiro de 2026, em um primeiro momento voltado à transação entre particulares, com foco em reduzir burocracia e ampliar a segurança.
A implementação deve ocorrer de forma gradual, à medida que os Detrans estaduais forem se integrando ao sistema nacional.
A compra e venda de carro ainda continuará funcionando pelo modelo atual até que cada estado esteja adaptado, mas a meta é que, no futuro, toda a jornada ocorra de forma digital, com o mínimo possível de papel e deslocamento físico.
Enquanto os detalhes finais não são anunciados em norma oficial, o recado do Ministério dos Transportes é claro: a era de cartórios e filas para vender veículo está com os dias contados, substituída por um processo mais simples, tecnológico e rastreável.
E você, gostou da ideia de fazer toda a compra e venda de carro pelo celular, com pagamento travado até a transferência, ou ainda prefere o modelo tradicional com cartório e papel na mão?

É muita burocracia mesmo, você adquire um veiculo leva em um vistoriador, paga um absurdo depois vai em um despachante paga taxas absurdas pra o governo pra so depois o veicul it pra o seu nome.
Hoje você vai fazer um seguro do veiculo tudo muito simples a vistoria.
E se
O pagamento for em espécie?
Creio que a intenção é acabar com lavagem de dinheiro também, vai ter que depositar pra fazer o pagamento digital
Gostaria de saber quanto a veículos arrematados de leilão, estou neste segmento há muitos anos e cada ano que passa a burocracia aumenta. Então havera alguma mudança que realmente traga facilidade para transferência…