O maior iceberg ativo do mundo, o A-23a, voltou a se mover após décadas preso. Entenda o fenômeno que o manteve girando no oceano
O iceberg A-23a se desprendeu da plataforma de gelo Filchner-Ronne, na Antártida, em 1986. Desde então, permaneceu preso no fundo do mar, imóvel por anos. Com cerca de 3.360 quilômetros quadrados de superfície — equivalente à ilha espanhola de Maiorca —, ele é o maior iceberg do mundo ainda em atividade. Seu peso impressiona: quase um trilhão de toneladas.
A identificação segue critérios do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos Estados Unidos (USNIC). A letra «A» indica o quadrante de origem.
O número «23» representa sua posição entre os registros daquele quadrante desde 1978. Já a letra “a” mostra que o bloco original se fragmentou, e esse é o maior pedaço restante.
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Por mais de 400 anos, marinheiros relataram cruzar um oceano que brilhava no escuro como neve, sem ondas e sem reflexos, apenas um brilho uniforme se estendendo até o horizonte, e em 2019 um satélite registrou o fenômeno cobrindo mais de 100.000 km² por mais de 40 noites seguidas ao sul de Java, mas os cientistas ainda não sabem exatamente o que desencadeia o processo
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Movimento lento e impressionante
Desde 2020, o A-23a começou a se deslocar lentamente em direção ao norte. Apesar da aparência estática, o iceberg esconde parte significativa de sua estrutura sob a água — cerca de 300 metros.
Já a porção visível chega a 100 metros acima do mar. O tamanho e o peso tornam seu movimento um verdadeiro espetáculo da natureza.
No ano passado, o iceberg chamou a atenção por girar como um redemoinho próximo às Ilhas Órcades do Sul. A causa foi identificada como a Coluna de Taylor — um fenômeno físico descrito em 1920 por Sir Geoffrey Ingram Taylor.
Ele acontece quando uma corrente marinha encontra um obstáculo no fundo do oceano, como o Banco Pirie, de 100 quilômetros de largura. Isso forma uma massa de água giratória que pode aprisionar grandes objetos.
No fim de 2023, o iceberg escapou do vórtice e passou a rumar em direção à Ilha Geórgia do Sul. Cientistas temeram que o impacto afetasse a vida selvagem local. A área do iceberg é maior do que a da ilha, o que aumentava os riscos.
Nova parada, novas dúvidas
Em 1º de março, o A-23a parou novamente. Desta vez, a 73 quilômetros da ilha. A causa exata da liberação do redemoinho ainda não foi totalmente explicada, mas acredita-se que as correntes tenham mudado, desestabilizando a Coluna de Taylor.
O futuro do iceberg ainda é incerto. Após décadas parado, depois preso em um vórtice e quase colidindo com uma ilha, ele permanece como uma presença silenciosa, à deriva. O mundo segue acompanhando seus próximos passos.
Com informações de Tempo.com.
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