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Conheça o rio mais antigo do mundo: com 400 milhões de anos, ele nasceu antes dos dinossauros, corta montanhas e guarda segredos geológicos da Terra primitiva

Escrito por Ana Alice
Publicado el 16/01/2026 a las 00:26
O rio Finke, na Austrália, é apontado como o mais antigo do mundo, com até 400 milhões de anos e um curso preservado no deserto. (Imagem: Reprodução)
O rio Finke, na Austrália, é apontado como o mais antigo do mundo, com até 400 milhões de anos e um curso preservado no deserto. (Imagem: Reprodução)
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No coração do deserto australiano, um rio com centenas de milhões de anos desafia definições tradicionais de curso d’água, preserva marcas geológicas raras e ajuda cientistas a reconstruir capítulos antigos da história do planeta.

No centro árido da Austrália, um sistema de rios e canais conhecido como Finke River — chamado de Larapinta na língua do povo Arrernte — é apontado por pesquisadores como o rio mais antigo ainda existente, com idade estimada entre 300 e 400 milhões de anos.

Atualmente, ele não apresenta fluxo contínuo durante todo o ano.

Em longos períodos, surge como uma sequência de poços isolados e trechos secos, embora mantenha o mesmo traçado geral no relevo.

A estimativa de idade se baseia em evidências geológicas preservadas no entorno e em características do próprio curso, que atravessa formações rochosas resistentes ao longo do caminho.

De acordo com especialistas, esse conjunto de fatores ajuda a reconstruir uma história muito anterior à ocupação humana da região e até ao surgimento dos dinossauros.

Onde fica o rio mais antigo do mundo e como ele se apresenta hoje

Segundo informações da Gazeta de S.Paulo, o Finke integra uma rede de drenagem com mais de 640 quilômetros, cruzando o Território do Norte e alcançando áreas da Austrália Meridional.

Na prática, trata-se de um sistema amplo, cujo comportamento depende fortemente das chuvas no interior do continente.

Essas precipitações são responsáveis por conectar temporariamente os diferentes trechos do curso.

Em grande parte do ano, o rio se apresenta como pontos d’água desconectados, formados por poços e pequenas lâminas superficiais.

Ainda assim, geólogos o classificam como um rio porque o leito, os depósitos sedimentares e a organização do vale indicam a continuidade de um mesmo sistema ao longo do tempo.

Segundo pesquisadores da área de geomorfologia, ambientes áridos podem preservar marcas antigas do relevo por períodos prolongados, sobretudo quando não há atividade tectônica frequente.

Mesmo assim, os cientistas destacam que rios não são estruturas fixas.

Ao longo de sua história, podem mudar de curso, fragmentar-se ou desaparecer.

Como os cientistas estimam uma idade de até 400 milhões de anos

A faixa de 300 a 400 milhões de anos foi definida a partir da combinação de diferentes métodos de análise geológica.

Entre eles estão o estudo do terreno, perfis de intemperismo e medições de assinaturas radioativas em rochas e sedimentos da região.

Esses dados situam a origem do sistema entre os períodos Devoniano e Carbonífero, ambos do Paleozoico.

Trata-se de um intervalo em que as condições climáticas e ambientais da Terra eram muito diferentes das atuais.

Isso reforça a complexidade de reconstruir a história do rio com precisão.

Especialistas explicam que esse tipo de datação não se refere a um marco único de nascimento, mas à antiguidade do sistema como um todo.

A convergência entre o traçado do curso, os depósitos preservados e o contexto tectônico sustenta a avaliação de que o Finke está entre os sistemas fluviais mais antigos ainda reconhecíveis.

O trajeto incomum que chamou a atenção dos geólogos

Uma das evidências mais citadas por pesquisadores é o padrão conhecido como drenagem transversal.

Em vez de contornar áreas de rocha resistente, o Finke atravessa diretamente formações duras ao cruzar a cordilheira MacDonnell, chamada de Tjoritja pelo povo Arrernte.

Esse comportamento chama a atenção porque, em condições normais, a água tende a seguir trajetos de menor resistência.

Por isso, a principal interpretação apresentada em estudos e entrevistas é a de que o rio já existia antes da formação de parte do relevo atual.

Em material divulgado por veículos de ciência, o geomorfólogo Victor Baker, da Universidade do Arizona, afirma que há indícios de uma drenagem pré-existente que continuou ativa enquanto a cordilheira se formava.

Segundo ele, esse tipo de sistema é classificado como “antecedente”, quando o rio mantém seu curso à medida que a crosta terrestre é elevada.

(Imagem: Reprodução)
Imagem: Reprodução)

A relação entre o rio Finke e a Orogenia de Alice Springs

A cordilheira MacDonnell está associada à Orogenia de Alice Springs, um evento tectônico que afetou o centro da Austrália durante o Paleozoico.

Estudos geológicos situam esse processo em um intervalo amplo, com fases principais ocorrendo entre cerca de 400 e 300 milhões de anos atrás.

A relação entre o rio e esse episódio é central para a estimativa de idade.

Se o Finke já atravessava a região antes ou durante a elevação do relevo, ele precisa ser, no mínimo, tão antigo quanto essas transformações tectônicas.

Além disso, processos de erosão e intemperismo deixaram registros químicos nas rochas, que permitem aos cientistas estimar há quanto tempo a superfície interage com a água e a atmosfera.

A análise dessas assinaturas complementa as evidências geomorfológicas usadas na reconstrução da história do sistema.

Por que um rio pode sobreviver por tanto tempo

Rios podem desaparecer quando são soterrados por grandes volumes de sedimentos.

Mudanças significativas na topografia, que redirecionam o fluxo da água, também influenciam esse processo.

Alterações climáticas prolongadas e a redução da disponibilidade hídrica entram no mesmo conjunto de fatores.

A geóloga Ellen Wohl, da Universidade Estadual do Colorado, observa que mudanças no clima e o uso intensivo de água pelo ser humano podem interromper o fluxo de rios.

Segundo ela, esse impacto é especialmente relevante em regiões secas.

No caso do Finke, pesquisadores destacam que o interior da Austrália apresenta relativa estabilidade tectônica quando comparado às bordas das placas.

Essa condição, de acordo com estudos de geomorfologia, contribuiu para a preservação de paisagens antigas, embora o continente não seja completamente isento de deformações ao longo de milhões de anos.

O futuro do rio Finke em um cenário de pressão hídrica

A longa história do Finke não significa que sua permanência esteja garantida.

Especialistas apontam que, em ambientes áridos, o equilíbrio entre chuvas, evaporação, recarga subterrânea e uso humano da água pode ser alterado em escalas de tempo muito menores do que aquelas registradas no passado geológico.

Discussões sobre rios antigos costumam incluir comparações com outros sistemas, como o New River, nos Estados Unidos.

Ele é frequentemente citado como um dos mais antigos da América do Norte.

Pesquisadores ressaltam, no entanto, que rankings desse tipo são controversos e dependem de critérios distintos de definição e datação.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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