Alta da gasolina e do diesel eleva consumo de combustíveis em Minas, enquanto etanol perde espaço na economia mineira em 2025.
O consumo de combustíveis em Minas Gerais atingiu, em 2025, o maior patamar dos últimos 25 anos, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis.
O avanço ocorreu ao longo do último ano, em todo o território mineiro, impulsionado principalmente pela alta nas vendas de gasolina, pelo protagonismo do diesel e pelo crescimento do querosene de aviação.
Ao mesmo tempo, o etanol perdeu espaço, sinalizando mudanças importantes no comportamento do consumidor e na economia mineira.
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De janeiro a dezembro, foram comercializados 17,9 milhões de metros cúbicos de combustíveis no Estado.
O volume representa crescimento de 3% em relação a 2024 e consolida Minas como um dos principais polos de consumo energético do país.
O resultado reflete tanto a retomada de atividades produtivas quanto a ampliação da mobilidade urbana, rodoviária e aérea.
Gasolina avança e ultrapassa marca inédita em duas décadas
Entre os destaques do levantamento, a gasolina alcançou um marco histórico.
Pela primeira vez em mais de 20 anos, o combustível superou a marca de 5 milhões de metros cúbicos vendidos em um único ano em Minas Gerais.
O crescimento foi de 10% na comparação anual, sinalizando preferência clara do consumidor em 2025.
Esse movimento ocorreu, sobretudo, em função da relação de preços com o etanol, que perdeu competitividade ao longo do período. Assim, mesmo com a presença crescente de debates ambientais, o fator econômico pesou mais na decisão de abastecimento.
Etanol perde espaço e registra queda expressiva
Na contramão da gasolina, o etanol apresentou retração significativa.
As vendas somaram 2,2 milhões de metros cúbicos em 2025, queda de 11,2% em relação ao ano anterior.
O recuo interrompe uma trajetória de estabilidade observada em anos anteriores e acende alerta para a cadeia de biocombustíveis.
De acordo com o economista e professor do Uni-BH, Fernando Sette Júnior, o cenário revela um processo clássico de substituição entre bens próximos.
“Uma queda de dois dígitos no etanol simultânea a um recorde de gasolina sugere que, ao longo de 2025, a relação de preços se deslocou de forma consistente contra o biocombustível.
Isso indica não apenas um ajuste pontual, mas um realinhamento de incentivos econômicos que alterou o padrão agregado de consumo”, explica o especialista.
Preço supera pauta ambiental no consumo de combustíveis
Segundo Sette Júnior, no mercado brasileiro, o etanol costuma ser competitivo quando custa até 70% do valor da gasolina, considerando o rendimento dos motores flex.
Em 2025, essa condição não se manteve de forma consistente em Minas, o que ajudou a explicar a migração do consumo.
“A partir dos dados levantados pela ANP, a avaliação é que a política de preços e/ou a dinâmica de custos agrícolas tiveram peso maior que preferências ambientais do consumidor.
É um caso claro em que o preço domina a intenção verde, revelando a importância de desenho regulatório se o objetivo for manter participação renovável”, ressalta.
Diesel mantém liderança e sustenta a economia mineira
Apesar do crescimento da gasolina, o diesel segue como o combustível mais consumido em Minas Gerais.
Em 2025, foram vendidos 8,7 milhões de metros cúbicos, volume que representa quase metade de todo o consumo estadual e uma alta de 3,3% frente ao ano anterior.
Esse desempenho reflete a força da economia mineira, fortemente baseada em logística, agroindústria, mineração e transporte de cargas.
“Sua dominância mostra que o crescimento econômico observado não é apenas consumo das famílias, mas também circulação de mercadorias e atividade produtiva”, observa Sette Júnior.
Aviação cresce em ritmo acelerado e fortalece setor de serviços
Outro destaque relevante foi o querosene de aviação, que registrou crescimento de 10,6% em 2025.
Ao todo, foram vendidos 332.916 metros cúbicos do combustível, impulsionando aeroportos e hubs regionais em Minas Gerais.
O avanço é interpretado como um sinal claro de dinamismo no setor de serviços.
Além de estimular o transporte aéreo, o aumento impacta positivamente cadeias associadas, como hotelaria, turismo e atividades empresariais.
Para o economista, esse crescimento está ligado ao aumento da mobilidade das classes média e alta, à expansão de rotas e à maior circulação de capital humano.
“Economicamente, isso costuma acompanhar fases de confiança, investimento e circulação de capital humano, fatores associados à produtividade”, pontua.
Cenário aponta desafios e oportunidades para 2026
O recorde no consumo de combustíveis em Minas confirma um momento de aquecimento econômico, mas também expõe desafios.
Enquanto a gasolina e o diesel reforçam arrecadação e previsibilidade de oferta, a retração do etanol pode afetar investimentos, cadeias agroindustriais e metas de descarbonização.
Dessa forma, o desempenho de 2025 não apenas consolida o melhor resultado em 25 anos, como também abre espaço para debates sobre política energética, equilíbrio ambiental e sustentabilidade do crescimento nos próximos ciclos da economia mineira.
Veja mais em: Consumo de combustível em Minas é o maior em 25 anos

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