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COP-30 apresenta rascunho brando sobre fim do petróleo e frustra expectativas de ambientalistas

Escrito por Rannyson Moura
Publicado el 19/11/2025 a las 10:49
Actualizado el 19/11/2025 a las 10:50
Primeiro rascunho da COP-30 traz proposta considerada fraca para o abandono do petróleo e de outros combustíveis fósseis. Ambientalistas criticam, especialistas avaliam potencial de avanço e países reforçam cobrança por metas mais ambiciosas.
Primeiro rascunho da COP-30 traz proposta considerada fraca para o abandono do petróleo e de outros combustíveis fósseis. Ambientalistas criticam, especialistas avaliam potencial de avanço e países reforçam cobrança por metas mais ambiciosas.
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Primeiro rascunho da COP-30 traz proposta considerada fraca para o abandono do petróleo e de outros combustíveis fósseis. Ambientalistas criticam, especialistas avaliam potencial de avanço e países reforçam cobrança por metas mais ambiciosas.

O debate internacional sobre o futuro do petróleo ganhou força em Belém após a divulgação do primeiro rascunho das decisões da COP-30. Chamado de “Decisão Mutirão”, o documento reúne os pontos mais sensíveis das negociações climáticas e inclui, ainda que de forma branda, uma referência ao mapa do caminho para a eliminação progressiva dos combustíveis fósseis. A suavidade do texto decepcionou governos e organizações da sociedade civil, mas especialistas avaliam que, apesar das falhas, o material abre espaço para avanços na reta final da conferência.

Texto inicial divide opiniões ao tratar do abandono do petróleo

A presidência da Cúpula do Clima optou por simplificar os documentos, o que resultou em opções consideradas fracas para um dos debates centrais da COP-30: o fim do uso de combustíveis fósseis como o petróleo.

Ainda assim, cerca de 80 países manifestaram apoio à construção de um roteiro global para abandonar esses poluentes — iniciativa defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reforçada durante a Cúpula de Líderes.

Na tarde desta terça-feira, nações como Alemanha, Reino Unido, Colômbia e Serra Leoa reforçaram publicamente seu alinhamento ao “mapa do caminho”, numa tentativa de elevar a pressão sobre os países resistentes ao tema. Entretanto, a CEO da COP, Ana Toni, afirmou não ter ouvido dos negociadores qualquer pedido formal por mais ambição, ao ser questionada sobre cobranças feitas por países insulares.

As opções apresentadas para o texto sobre combustíveis fósseis

A “Decisão Mutirão” oferece três alternativas para o trecho que trata da transição energética. A primeira encoraja a cooperação entre países para superar a dependência do petróleo e avançar rumo a matrizes energéticas de baixo carbono. O texto também convoca um grupo ministerial para apoiar essas transições de forma justa.

A segunda opção é bem mais limitada e sugere apenas a realização de um workshop ou o compartilhamento de iniciativas nacionais bem-sucedidas. Já a terceira elimina totalmente qualquer menção ao tema — movimento visto como retrocesso por ambientalistas.

Marcio Astrini, secretário executivo do Observatório do Clima, lamentou a ausência de ambição:

“O mapa do caminho encomendado pelo presidente Lula não está lá, em nenhum dos papéis. A pergunta que fica é: a encomenda do presidente vai entrar quando nesses textos?”

Apesar da crítica, Astrini considera positivo que as propostas tenham sido apresentadas com antecedência, pois isso amplia as chances de melhoria durante as tratativas.

Marina Silva reforça necessidade de planejamento e apoio financeiro

Durante discurso na plenária de alto nível, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, voltou a defender a construção de um roteiro global para a eliminação dos combustíveis fósseis. Ela citou as declarações de Lula e destacou que a transição exige cooperação e responsabilidade dividida entre países produtores e consumidores.

Segundo Marina,

“É necessário diálogo estruturado, troca de experiências e estratégias de longo prazo, contemplando países produtores e países consumidores de combustíveis fósseis. Precisamos planejar os caminhos e garantir os recursos financeiros e suporte técnico para reduzir a alta dependência desses combustíveis para a geração de empregos e a segurança energética em várias partes do mundo, sobretudo nos países em desenvolvimento.”

Adaptação climática concentra impasses e pressiona negociações

Outro ponto que avança lentamente nas conversas da COP-30 é a adaptação climática, tema que enfrenta forte resistência, sobretudo de países africanos. Entre as divergências, destacam-se:

  • uso dos indicadores da Meta Global de Adaptação;
  • menção a uma nova meta de financiamento;
  • papel do Roteiro de Adaptação de Baku;
  • criação de um programa de trabalho de dois anos após a conferência.

A especialista em Mudanças Climáticas da WWF-Brasil, Flavia Martinelli, alertou para a intensidade das próximas rodadas de discussão, destacando que as negociações devem subir ao nível ministerial.

“Tem muita coisa em aberto ainda. Essa semana vai ser bem intensa e é provável que essa discussão passe para o nível ministerial para poder avançar a tempo.”

Financiamento climático: o maior impasse da conferência

Embora a discussão sobre o uso do petróleo ganhe espaço político, o financiamento climático permanece como o obstáculo mais difícil. No rascunho apresentado, vários trechos sobre o tema trazem propostas divergentes e até contraditórias, o que demonstra o impasse entre os países.

O ponto mais delicado está na meta dos US$ 100 bilhões anuais que as nações desenvolvidas deveriam destinar aos países em desenvolvimento.

O texto sugere três caminhos:

  1. Registrar que a meta foi alcançada em 2022, posição defendida pelas nações ricas, e aguardar atualização sobre 2023.
  2. Sinalizar que a meta não foi atingida, afirmando que isso causa “grande preocupação”.
  3. Excluir completamente o tema do documento, empurrando o debate para futuras COPs.

Para Tatiana Oliveira, líder de estratégia internacional da WWF-Brasil, o material é insuficiente: “O item de financiamento climático do ‘Pacote Mutirão’ é fraco e insuficiente. É um documento com opções de textos conflituosos.”

Ela alerta que separar o tema para debates futuros não é permitido nesta cúpula, o que tornaria o processo ainda mais arriscado. “Estão jogando isso para o futuro e contratando um problema para as próximas COPs.”

Além do petróleo, o pacote de decisões também inclui temas como o desmatamento, considerado fundamental para avançar no combate global ao aquecimento. Essas propostas foram destacadas por Lula em diferentes discursos, reforçando a expectativa de que o Brasil desempenhe papel central no fechamento das negociações.

Ainda assim, a convergência entre desmatamento, transição energética e financiamento complica as conversas. Como cada grupo de países prioriza um tema distinto, o desafio é criar um acordo que mantenha coesão sem diluir ambições.

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Rannyson Moura

Graduado em Publicidade e Propaganda pela UERN; mestre em Comunicação Social pela UFMG e doutorando em Estudos de Linguagens pelo CEFET-MG. Atua como redator freelancer desde 2019, com textos publicados em sites como Baixaki, MinhaSérie e Letras.mus.br. Academicamente, tem trabalhos publicados em livros e apresentados em eventos da área. Entre os temas de pesquisa, destaca-se o interesse pelo mercado editorial a partir de um olhar que considera diferentes marcadores sociais.

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