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Corpo das pessoas muda de cheiro durante a velhice, mas existe uma explicação científica para isso e o motivo nada tem a ver com hábitos de higiene no dia a dia

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 03/02/2026 às 19:29
Atualizado em 03/02/2026 às 19:31
Imagem gerada por IA/Gemini
Corpo das pessoas muda de cheiro durante a velhice, mas existe uma explicação científica para isso e o motivo nada tem a ver com hábitos de higiene no dia a dia
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São diversos elementos que proporcionam essa curiosa mudança no odor das pessoas com o passar da idade

Conviver com pessoas mais velhas costuma fazer notar um detalhe curioso que vai além das rugas, dos cabelos grisalhos ou do ritmo mais tranquilo do dia a dia: com o passar dos anos, surge um cheiro corporal característico. Ele não é necessariamente desagradável, mas diferente. E, ao contrário do que muitos imaginam, esse odor não está ligado à falta de higiene, roupas mal lavadas ou descuido pessoal.

Isso porque o cheiro do corpo humano é resultado de uma combinação complexa de fatores. No caso, envolve secreções naturais da pele, o funcionamento das glândulas sudoríparas, a ação das bactérias que vivem naturalmente no corpo e o ritmo do metabolismo. Todos esses elementos se transformam ao longo da vida. Assim como a pele perde elasticidade e o cabelo muda de cor, o odor corporal também passa por alterações naturais com o envelhecimento.

Nos idosos, entram em cena fatores adicionais. Então, o metabolismo tende a se tornar mais lento, o organismo passa a funcionar de maneira diferente e o uso contínuo de medicamentos se torna mais comum.

Alterações hormonais e mudanças químicas na pele também fazem parte desse processo. Por isso, especialistas reforçam que se trata de um fenômeno biológico, resultado direto do envelhecimento do corpo, e não de um comportamento inadequado.

Qual a molécula por trás do cheiro

No início dos anos 2000, pesquisadores japoneses deram um passo importante para compreender cientificamente esse fenômeno. Logo, eles identificaram uma substância chamada 2-nonenal, presente no suor e na superfície da pele, cuja concentração aumenta significativamente com a idade.

Para chegar a essa conclusão, os cientistas analisaram camisetas usadas por pessoas com idades entre 26 e 75 anos. O estudo revelou que, em indivíduos com mais de 40 anos, a quantidade de 2-nonenal era cerca de duas vezes maior do que nos mais jovens. Entre os idosos, essa concentração chegava a ser três vezes maior.

De acordo com uma reportagem publicada no portal de notícias Uol, essa substância é formada a partir da decomposição de determinados ácidos graxos, como os ômega-7, que passam a se acumular com mais facilidade na pele conforme o organismo envelhece. Mas, um detalhe curioso é que o 2-nonenal também está presente na cerveja, o que ajuda a explicar por que algumas pessoas descrevem o cheiro associado à idade como “envelhecido” ou levemente metálico.

Entretanto, o motivo exato para o aumento desses ácidos graxos ainda não é totalmente compreendido. Desta maneira, a principal hipótese dos pesquisadores é que as mudanças no metabolismo e na composição química das secreções da pele, típicas do envelhecimento, favorecem esse acúmulo. Trata-se de um processo natural, que ocorre mesmo em pessoas saudáveis e com bons hábitos de higiene.

Além das transformações químicas da pele, outros fatores podem influenciar o odor corporal na terceira idade. O uso contínuo de medicamentos pode alterar o funcionamento do organismo e a forma como determinadas substâncias são eliminadas.

Algumas doenças crônicas também interferem nesse processo. Em casos de insuficiência renal, por exemplo, o acúmulo de amônia no corpo pode gerar um cheiro específico.

No entanto, não é necessário haver uma doença para que o odor se modifique. Com o avanço da idade, os órgãos passam a trabalhar com uma “reserva funcional” menor, o que provoca ajustes no metabolismo e, como consequência, mudanças sutis no cheiro corporal.

Facilidade para identificar

Curiosamente, estudos indicam que esse odor é facilmente identificável, mas não costuma ser o mais incômodo. Em uma pesquisa, voluntários dormiram durante cinco noites seguidas usando a mesma camiseta. Em seguida, outras pessoas tentaram identificar a idade dos participantes apenas pelo cheiro das roupas. O resultado surpreendeu os pesquisadores: o odor dos idosos foi considerado menos intenso e menos desagradável do que o de jovens e adultos de meia-idade.

Pesquisas com animais reforçam essa percepção: espécies como macacos, veados e ratos conseguem diferenciar indivíduos jovens e velhos apenas pelo cheiro. Inclusive, há uma hipótese ainda em estudo de que o odor característico dos mais velhos funcione como um sinal biológico ligado à sobrevivência e à experiência genética. Por enquanto, essa ideia permanece no campo das teorias, mas amplia a compreensão de que o cheiro da idade é parte natural da vida.

No fim das contas, o chamado “cheiro de idoso” é apenas mais uma das muitas transformações que acompanham o envelhecimento. Longe de ser um sinal de descuido, ele revela a complexidade do corpo humano e lembra que envelhecer é um processo biológico inevitável, e perfeitamente normal.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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