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Crise industrial de Fábrica italiana leva a produção automobilística ao menor nível desde os anos 1950

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 08/01/2026 às 17:32
A produção automobilística italiana cai ao menor nível desde os anos 1950, enquanto a Fábrica enfrenta crise industrial e avanço chinês.
Foto: IA
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A produção automobilística italiana cai ao menor nível desde os anos 1950, enquanto a Fábrica enfrenta crise industrial e avanço chinês.

Stellantis enfrenta em 2025 uma crise industrial sem precedentes recentes, que empurrou a produção automobilística italiana para patamares semelhantes aos da década de 1950.

A queda de 20% na fabricação de veículos ocorreu ao longo do ano, afetou todas as plantas do grupo no país e reacendeu o debate sobre desindustrialização, empregos e soberania produtiva na Itália. 

O recuo atinge diretamente fábricas históricas do grupo, envolve decisões estratégicas tomadas nos últimos anos e se intensifica diante da crescente concorrência chinesa no mercado europeu.

O cenário preocupa sindicatos, governo e autoridades regionais, especialmente porque a indústria automotiva sempre foi um dos pilares da economia italiana. 

Números revelam o tamanho da crise industrial 

Dados do sindicato FIM-CISL mostram que a Stellantis produziu 379.706 veículos na Itália em 2025, sendo 213.706 automóveis de passeio.

Para efeito de comparação, em 1955 — auge da antiga Fiat — foram fabricados 230.988 carros, número superior ao atual desempenho dos modelos de passeio. 

Até setembro, a situação era ainda mais crítica. A produção de automóveis acumulava queda de 36%, e apenas uma recuperação pontual no último trimestre impediu um colapso mais profundo.

Ainda assim, o resultado consolidado reforça o diagnóstico de crise industrial estrutural

Mirafiori reage, mas retração domina a produção automobilística italiana 

A fábrica de Mirafiori, em Turim, foi a única exceção parcial dentro da operação italiana.

A unidade conseguiu elevar sua produção nos meses finais do ano com o início da fabricação do Fiat 500 híbrido, modelo visto como tentativa de reverter a perda de competitividade. 

Essa mudança gerou um crescimento de 17% na produção local, mas o alívio foi isolado.

A versão 100% elétrica do Fiat 500, lançada anteriormente, não conquistou o público europeu, o que levou a Stellantis a reposicionar sua estratégia industrial. 

Melfi e Cassino simbolizam o avanço da desindustrialização 

Enquanto Mirafiori respirava, outras fábricas aprofundavam o declínio.

Em Melfi, a produção despencou quase 50% em relação ao ano anterior, tornando-se um dos casos mais emblemáticos da desindustrialização em curso. 

Já a planta de Cassino permaneceu 105 dias completamente parada em 2025, o que acendeu o alerta sobre seu futuro.

O sindicato FIM-CISL afirma que a falta de decisões estratégicas imediatas pode comprometer de forma irreversível a presença industrial da Stellantis nessas regiões. 

Concorrência chinesa pressiona modelos tradicionais da Fiat 

Além da retração interna, a concorrência chinesa se tornou um fator decisivo na crise.

Fiat Pandina, produzido em Melfi, passou a disputar espaço diretamente com o compacto chinês Leapmotor T03, que chega ao mercado europeu com preços agressivos. 

Outro elemento de pressão é a chegada de um novo Panda, maior e mais caro, que pode canibalizar o modelo atual.

Paralelamente, a ofensiva de marcas chinesas como a BYD acelera a perda de participação das montadoras tradicionais no continente. 

Mudança de comando e promessas de investimento 

O novo CEO da Stellantis, Antonio Filosa, assumiu o comando em junho e passou a dialogar diretamente com o governo em Roma.

O executivo prometeu manter os compromissos com a Itália, mesmo com o foco crescente do grupo em investimentos nos Estados Unidos. 

Segundo Filosa, em 2025 a Stellantis realizou mais de R$ 44 bilhões em encomendas com fornecedores italianos e investiu cerca de R$ 12 bilhões nas fábricas locais.

Ainda assim, os números não convenceram o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni, que cobra ações mais concretas. 

Estratégia global amplia críticas e tensão política 

A Stellantis reúne 14 marcas, incluindo FiatPeugeot e Opel, mas parte relevante da produção foi transferida para países de menor custo, como Marrocos. 

A estratégia adotada durante a gestão do ex-CEO Carlos Tavares alimentou o descontentamento de trabalhadores e autoridades, ao mesmo tempo em que abriu espaço para a entrada de veículos chineses no portfólio europeu do grupo. 

Produção automobilística italiana sob risco estrutural 

No auge recente, a Itália chegou a produzir mais de 750 mil veículos por ano. Em períodos anteriores, esse número superava 1 milhão de unidades anuais.

Hoje, a produção foi praticamente reduzida à metade, consolidando o temor de uma perda estrutural da base industrial. 

Sob pressão crescente, a Stellantis deve apresentar um novo plano estratégico no primeiro semestre de 2026.

O desafio será conter a crise industrial, frear a desindustrialização e redefinir o papel da produção automobilística italiana em um mercado cada vez mais dominado pela concorrência chinesa

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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