Em Nha Mat e Vinh Chau, comunidades do delta do Mekong instalaram cercas permeáveis de bambu com cerca de 1,6 m para reduzir ondas em torno de 40% e acumular 30 a 60 cm de sedimentos em 10 meses, criando base para o retorno dos manguezais e mais proteção costeira
Ao longo do delta do Mekong, no sul do Vietnã, comunidades costeiras convivem há décadas com um cenário difícil de segurar.
A combinação de elevação do nível do mar, ondas mais fortes e destruição de manguezais acelerou a erosão e a perda de florestas que protegiam diques e povoados.
Em vários pontos, o mar avançou sobre antigos campos e áreas de mangue, deixou o solo instável e tornou muito mais difícil o crescimento de novas árvores, mesmo com programas de plantio.
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A apuração foi publicada por Frontiers in Marine Science, revista científica, que descreve a adoção de cercas e barreiras permeáveis de bambu em águas rasas para reduzir a energia das ondas e criar condições para o retorno dos manguezais.
Delta do Mekong perde costa há décadas com mar subindo, sedimento mudando e manguezal sumindo
O delta do Mekong é considerado uma das regiões mais vulneráveis do mundo à combinação de subida do nível do mar, subsidência do solo, tempestades e alteração do fluxo de sedimentos.
Com o tempo, isso reduziu a faixa de proteção natural e deixou o litoral mais exposto à ação das ondas e das marés.
Estudos apontam que cerca de metade dos manguezais da região foi perdida em poucas décadas, e em alguns trechos os diques ficaram diretamente expostos ao mar, aumentando o risco de rompimentos durante tempestades.
Esses dados aparecem em ScienceDirect, plataforma de publicações científicas, que reúne pesquisas sobre erosão costeira e perda de manguezais no Vietnã.
Plantio direto na água falha porque ondas arrancam mudas e o solo fica tempo demais inundado

O que parecia simples, plantar mangue e esperar crescer, na prática não funciona em áreas já muito erodidas.
O solo está rebaixado, o tempo de inundação é grande e as ondas derrubam as pequenas plantas antes que elas consigam criar raízes fortes.
Por isso, a estratégia precisou começar com outra etapa: reconstruir a planície costeira, elevando o terreno com sedimentos e reduzindo a energia das ondas.
As informações foram divulgadas por TU Delft, universidade e centro de pesquisa, ao explicar que a restauração depende de criar condições físicas adequadas antes do replantio.
Cercas de bambu em Nha Mat e Vinh Chau foram montadas no mar raso para quebrar a força das ondas
A solução testada em locais como Nha Mat, na cidade de Bac Lieu, e Vinh Chau, na província de Soc Trang, foi a instalação de cercas permeáveis feitas com estacas de bambu e feixes de galhos.
Essas cercas foram posicionadas em águas rasas, paralelas à costa ou em formatos em T.
O segredo é que elas não são paredes fechadas.
Elas deixam a água passar, mas quebram a força das ondas e reduzem a velocidade da corrente, criando um “ponto de calmaria” atrás da estrutura.
Com isso, o sedimento começa a se acumular onde antes era só erosão.
Medições em Nha Mat mostram redução de 40% nas ondas e ganho de 30 a 60 cm de sedimento em 10 meses
Um estudo de campo em Nha Mat mediu ondas na frente e atrás de cercas de bambu com cerca de 1,6 m de altura e múltiplas fileiras de estacas preenchidas com feixes de bambu.
Os números chamam atenção.
A altura significativa das ondas pode ser reduzida em torno de 40% em condições de mar raso, dependendo da profundidade da água e da geometria da cerca.
Em apenas 10 meses, o nível de sedimentos atrás das cercas aumentou aproximadamente 30 a 60 centímetros, elevando a planície costeira e criando um ambiente muito mais favorável para o retorno dos manguezais.
Os dados foram detalhados por Frontiers in Marine Science, revista científica, que publicou o estudo de campo com as medições.
Em Soc Trang, cercas em formato de T ajudaram a fechar lacunas erodidas entre áreas de mangue ainda vivas

Além de Nha Mat, a técnica também foi aplicada em Soc Trang com cercas permeáveis em formato de T.
O objetivo era fechar lacunas erodidas entre cabeços de manguezal ainda intactos, algo que vinha deixando trechos vulneráveis ao avanço do mar.
Segundo ScienceDirect, plataforma de publicações científicas, essas barreiras diminuíram a energia das ondas, aumentaram a sedimentação e ajudaram a recuperar áreas que haviam sido completamente erodidas.
O resultado foi a reconstrução gradual de partes da planície costeira.
Manguezais voltam a funcionar como “escudo natural” e reduzem risco nos diques e na vida da comunidade
Com mais sedimento acumulado e ondas menos agressivas, o replantio de manguezais na faixa costeira passa a ter muito mais chance de dar certo.
E quando o mangue volta, ele não só ocupa espaço, ele protege.
As raízes complexas dissipam energia das ondas, estabilizam o solo e oferecem habitat para espécies importantes para a pesca local, como descreve cris.brighton.ac, repositório acadêmico universitário.
Relatos técnicos indicam que, quando as cercas foram bem dimensionadas e posicionadas, houve redução da erosão na base dos diques e das margens, com menor risco de colapsos em eventos extremos.
Além disso, o retorno gradual da fauna associada ao mangue pode favorecer a pesca artesanal.
Cerca de 7,1 km de barreiras foram instalados e a estratégia funciona melhor com ondas abaixo de 0,9 m
O custo baixo é um dos pontos que mais pesam a favor dessa solução.
Bambu e madeira local tendem a ser mais baratos do que estruturas rígidas, especialmente em costas de lama, onde obras pesadas podem ser difíceis e caras.
Estudos citam que aproximadamente 7,1 km de cercas permeáveis de bambu foram instalados em partes da costa leste do delta como solução temporária para reduzir ondas e favorecer sedimentação.
Essa informação aparece em cris.brighton.ac, repositório acadêmico universitário, que compila análises e dados sobre a região.
Outra observação importante é que a estratégia é especialmente eficaz em áreas com ondas moderadas, tipicamente abaixo de cerca de 0,9 m de altura, segundo ScienceDirect, plataforma de publicações científicas.
Ou seja, não é uma solução “mágica” para qualquer mar, mas pode ser decisiva no cenário certo.
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