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Depois de 18 clubes, ex-goleiro Luiz Müller larga o futebol, volta para Farroupilha, abraça a agricultura familiar e hoje colhe 120 mil quilos de batata-doce por ano na Serra Gaúcha

Escrito por Carla Teles
Publicado el 18/02/2026 a las 16:14
Actualizado el 18/02/2026 a las 16:16
Depois de 18 clubes, ex-goleiro Luiz Müller larga o futebol, volta para Farroupilha, abraça a agricultura familiar e hoje colhe 120 mil quilos de batata-doce por ano na Serra Gaúcha (2)
Ex-goleiro Luiz Müller volta a Farroupilha, abraça a agricultura familiar na Serra Gaúcha, faz da batata-doce o carro-chefe e transforma a rotina da família. Imagem: Rio Grande Rural
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Na Serra Gaúcha, em Farroupilha, o ex-goleiro Luiz Müller trocou os estádios pela agricultura familiar, fez da batata-doce o carro-chefe e transformou a rotina da família no campo

Na Serra Gaúcha, o ex-goleiro profissional Luiz Müller trocou a rotina de viagens, vestiário e estádios cheios por uma vida em contato direto com a terra. Depois de passar por 18 clubes ao longo de 18 anos de carreira, ele decidiu encerrar o ciclo no futebol, voltar ao interior de Farroupilha e mergulhar de vez na agricultura familiar, atividade que hoje garante renda, qualidade de vida e presença diária junto da família.

Há 8 anos com dedicação integral à agricultura familiar, Miller construiu uma produção sólida e planejada. Seu carro-chefe é a batata-doce, cultura na qual investiu antes mesmo de pendurar as luvas e que hoje rende cerca de 120 mil quilos por ano, além de uma lavoura diversificada com repolho, brócolis, couve-flor, cebola, milho, gado de corte e caprinos. Para ele, o retorno às origens dos pais agricultores significou mais do que uma mudança de profissão: foi a chance de alinhar trabalho, família e identidade com o campo.

Do gol para a roça: o retorno às origens na agricultura familiar

Muito antes do último apito, Luiz Müller já vinha amadurecendo a ideia de voltar para casa e viver da agricultura familiar.

Enquanto ainda defendia o Brasil de Pelotas, por volta de 2015 e 2016, ele começou a olhar para a propriedade da família em Farroupilha como destino certo para a aposentadoria dos gramados.

Filho de agricultores, Miller sempre carregou o vínculo com o campo. Como ele próprio resume, “a raiz, o sangue, vêm da agricultura”.

O plano era claro: deixar a instabilidade do futebol profissional, ficar perto da esposa, das filhas, do pai e da mãe e dar sequência ao trabalho que os pais tocaram por toda a vida.

A diferença é que, desta vez, ele queria entrar na lavoura com estratégia, estudo e foco em culturas com mais espaço de mercado.

Planejamento, Embrapa e a escolha da batata-doce como carro-chefe

Ex-goleiro Luiz Müller volta a Farroupilha, abraça a agricultura familiar na Serra Gaúcha, faz da batata-doce o carro-chefe e transforma a rotina da família.

A virada para a agricultura familiar não foi por impulso. Ainda atleta, Miller começou a pesquisar quais culturas estavam em alta em Farroupilha e quais poderiam seguir “na contramão” do que já vinha sendo produzido, para não disputar o mesmo espaço com todo mundo.

Foi nessa fase que uma reportagem da Embrapa de Pelotas chamou sua atenção. Pesquisadores apresentavam novas variedades de batata-doce, desenvolvidas com foco em produtividade e qualidade.

Intrigado, ele foi até a unidade, conversou com a equipe e recebeu a indicação para buscar mudas na Fubra de Santa Cruz.

No primeiro ano, ainda jogando profissionalmente, implantou a batata-doce na própria propriedade, com auxílio do pai. Deu certo.

O resultado positivo consolidou a decisão: a batata-doce se tornou o carro-chefe da produção na agricultura familiar da família Miller, base sobre a qual ele organizou todo o restante da atividade rural.

Como funciona a rotina da batata-doce na agricultura familiar de Miller

Na lavoura, a batata-doce segue um calendário rígido. O plantio começa em setembro e o ciclo varia entre 115 e 130 dias, conforme o clima na Serra Gaúcha.

As mudas plantadas no início da primavera costumam enfrentar noites mais frias, o que torna o ciclo um pouco mais longo. Já as últimas áreas plantadas, por volta do fim da temporada, encurtam o ciclo, aproximando-se dos 115 dias.

A colheita começa, em geral, no final de janeiro e pode se estender até agosto, acompanhando o escalonamento de plantio.

Nesse período, o ex-goleiro reorganiza o uso da área, avalia qualidade das raízes e ajusta o ritmo de entrega para não saturar o mercado. Ver a batata-doce encher caixas e sair da propriedade com boa aceitação é, nas palavras dele, uma das grandes alegrias do produtor.

Diversificação: repolho, brócolis, couve-flor, cebola, milho, gado e caprinos

Ex-goleiro Luiz Müller volta a Farroupilha, abraça a agricultura familiar na Serra Gaúcha, faz da batata-doce o carro-chefe e transforma a rotina da família.

Embora a batata-doce seja o destaque, a agricultura familiar na propriedade de Miller vai muito além de uma única cultura. Ele construiu uma estrutura diversificada, que ajuda a diluir riscos de clima, preço e mercado.

O repolho, por exemplo, é produzido ao longo do ano inteiro, com plantios a cada 15 a 20 dias, dependendo das condições climáticas.

Um canteiro pode estar na formação de cabeça, a poucos dias da colheita, enquanto outro, recém-implantado, ainda está no início do ciclo de cerca de 40 dias até a comercialização.

Na mesma lógica, entram brócolis e couve-flor, que seguem calendário contínuo, garantindo oferta constante para os parceiros comerciais.

A cebola, por sua vez, está em fase de colheita em determinados momentos do ano: é recolhida, levada ao galpão, passa pelo corte de talos e raízes, é ensacada e depois comercializada aos poucos.

Além das hortaliças, a propriedade também abriga caprinos, gado de corte, milho e outras culturas complementares, compondo um mosaico típico da agricultura familiar bem estruturada.

Essa diversidade mantém a propriedade em movimento o ano inteiro e ajuda a equilibrar o caixa em momentos em que uma cultura não corresponde ao esperado.

Parceiros, extensão rural e redes que fortalecem a agricultura familiar

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Nessa construção, Luiz Müller não caminhou sozinho. Ele mantém parceiros que recebem as mercadorias, como fruteiras e programas de cestas, além de contar com apoio técnico de outros produtores mais experientes e de influenciadores do agronegócio que compartilharam conhecimento prático.

O trabalho de extensão rural, feito por profissionais como o extensionista da Emater/Ascar, entra como suporte importante: primeiro observando, avaliando a realidade da família e, depois, ajudando a ajustar a agricultura familiar às necessidades reais da propriedade, seja em manejo, escolha de cultivares, escalonamento de plantio ou estratégias de comercialização.

Essa rede de apoio, somada à experiência de campo e ao estudo pessoal, permitiu que o ex-goleiro saísse da teoria e colocasse a mão na terra com mais segurança, reduzindo erros típicos de quem está começando.

Da instabilidade do futebol aos desafios da agricultura familiar

Para Miller, futebol profissional e agricultura familiar têm mais semelhanças do que muita gente imagina. Ele compara as duas profissões pela instabilidade: no campo, o jogador conhece o esforço, mas não tem controle sobre resultado, lesões, contratos ou decisões externas.

Na lavoura, a lógica é parecida. O produtor sabe quanto investe em insumos, sementes e manejo, mas não tem garantia sobre o preço que vai encontrar no mercado quando a colheita chega.

Tudo depende do clima, da oferta, da demanda e de fatores externos que fogem totalmente do controle da família rural.

Mesmo assim, ele afirma com convicção que hoje está mais feliz. Estar perto da esposa, das filhas, do pai e da mãe não tem preço, e ver as culturas se desenvolverem na propriedade traz um tipo de satisfação diferente daquela dos estádios.

O futebol segue nos fins de semana, “no futebolzinho de brincadeira”, mas o centro da vida agora é a roça.

Entre plantios, colheitas, entregas e planejamentos, ele reconhece que a “única coisa ruim da agricultura é que o serviço nunca termina”.

Ainda assim, diz que gosta justamente disso: da variedade de tarefas, das muitas culturas, da cabeça sempre em movimento, pensando no próximo passo da agricultura familiar.

Depois de conhecer a história do ex-goleiro Luiz Müller, que trocou 18 clubes pela agricultura familiar e hoje tira 120 mil quilos de batata-doce por ano da terra, você se imagina largando uma carreira estável para começar do zero no campo ou acha que não teria coragem de fazer essa virada?

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Carla Teles

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