1. Início
  2. / Automotivo
  3. / Depois do flex gasolina, Brasil testa motor diesel que também queima etanol — e isso pode mudar tudo!
Tempo de leitura 4 min de leitura Comentários 0 comentários

Depois do flex gasolina, Brasil testa motor diesel que também queima etanol — e isso pode mudar tudo!

Escrito por Roberta Souza
Publicado em 12/01/2026 às 18:19
motor flex - diesel - etanol - agro
Foto: Ia
  • Reação
  • Reação
  • Reação
5 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Tecnologia desenvolvida no país promete reduzir consumo de diesel, manter a força do motor e cortar emissões em caminhões, ônibus e máquinas agrícolas

O brasileiro já se acostumou com o motor flex, que permite escolher entre gasolina e etanol no posto. Agora, essa lógica começa a chegar a um território até então intocável: o motor a diesel. Uma nova tecnologia em desenvolvimento no Brasil permite que motores diesel operem com uma mistura de diesel e etanol, mantendo torque elevado e reduzindo o uso de combustível fóssil.

A inovação vem sendo testada por empresas e centros de pesquisa nacionais, com foco em veículos pesados, como caminhões, ônibus e máquinas agrícolas — justamente onde o diesel é dominante.

O que muda na vida real de quem usa motor a diesel

Na prática, a proposta é simples e poderosa: substituir parte do diesel por etanol, combustível renovável e produzido em larga escala no Brasil. Em alguns testes, a substituição pode chegar a até 70% do diesel em determinadas condições de operação.

Para quem vive do transporte ou do campo, isso significa:

  • menor dependência do diesel fóssil,
  • potencial redução de emissões,
  • manutenção da força e do torque típicos do motor diesel.

Ou seja, o motor continua “diesel” no comportamento, mas passa a usar uma parcela significativa de etanol.

Vai gastar menos combustível?

Pode gastar menos diesel, pois parte dele é substituída por etanol, especialmente em uso constante.

Vai poluir menos?

Sim. O uso de etanol pode reduzir as emissões de CO₂ e de poluentes do diesel.

Vai perder força?

Não. O torque do motor diesel é mantido, pois o diesel continua iniciando a combustão.

Vai dar mais manutenção?

Pode exigir mais atenção técnica, mas não significa manutenção mais frequente no dia a dia.

Serve para caminhão? Trator? Ônibus?

Sim. A tecnologia é pensada justamente para caminhões, ônibus e máquinas agrícolas.

O diesel sai de cena? Não — ele continua sendo o coração do motor

Esse é um ponto-chave para quem gosta de motor diesel: o diesel não desaparece. Ele continua sendo usado como o combustível responsável por iniciar a combustão.

Segundo especialistas envolvidos no desenvolvimento da tecnologia, o sistema funciona no modelo chamado dual-fuel. Nele, uma pequena quantidade de diesel é injetada diretamente na câmara para iniciar a queima. O etanol entra em seguida e é inflamado pelo calor gerado.

Em termos simples, o diesel funciona como uma “vela líquida”, garantindo ignição estável, força em baixa rotação e confiabilidade.

Por que isso interessa tanto ao transporte e ao agronegócio

O foco inicial da tecnologia são veículos pesados, onde o diesel ainda é praticamente insubstituível. Caminhões, tratores e colheitadeiras exigem alto torque e operação contínua — algo que motores elétricos ou ciclo Otto ainda não conseguem entregar plenamente.

Ao permitir que esses motores usem etanol:

  • o custo do combustível pode se tornar mais previsível,
  • o país reduz emissões de CO₂,
  • o etanol nacional ganha novo mercado,
  • o transporte e o agro ficam menos expostos à volatilidade do diesel.

Não por acaso, o desenvolvimento envolve empresas como a Bosch, em parceria com universidades e institutos brasileiros.

Foto: divulgação

O desafio por trás da tecnologia: misturar dois combustíveis muito diferentes

Diesel e etanol são combustíveis com propriedades completamente distintas. O etanol tem baixa inflamabilidade em motores por compressão, além de ser mais corrosivo e menos lubrificante.

Por isso, a adaptação exige:

  • dois sistemas de injeção independentes,
  • central eletrônica reprogramada,
  • componentes compatíveis com etanol,
  • sensores para controlar carga, temperatura e proporção da mistura.

Pesquisadores da Universidade Presbiteriana Mackenzie e do Instituto Mauá de Tecnologia explicam que a engenharia é complexa, mas tecnicamente viável, desde que o controle eletrônico seja preciso.

Menos poluição, mas sem promessas milagrosas

Do ponto de vista ambiental, o ganho é relevante. Considerando todo o ciclo do combustível, o uso de etanol pode reduzir as emissões de CO₂ em até 70% em comparação ao diesel puro. Além disso, o etanol não contém enxofre e ajuda a diminuir a emissão de material particulado.

Ainda assim, os próprios desenvolvedores deixam claro: não é uma solução mágica. O sistema precisa ser durável, confiável e economicamente viável para avançar além da fase de testes.

É futuro próximo ou ainda experimento?

Por enquanto, a tecnologia está em fase de testes e validação, voltada a aplicações específicas.

O fato de o Brasil liderar esse desenvolvimento não é coincidência: o país combina grande frota a diesel com produção massiva de etanol, criando um cenário único para esse tipo de inovação.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Roberta Souza

Autora no portal Click Petróleo e Gás desde 2019, responsável pela publicação de mais de 8.000 matérias que somam milhões de acessos, unindo técnica, clareza e engajamento para informar e conectar leitores. Engenheira de Petróleo e pós-graduada em Comissionamento de Unidades Industriais, também trago experiência prática e vivência no setor do agronegócio, o que amplia minha visão e versatilidade na produção de conteúdo especializado. Desenvolvo pautas, divulgo oportunidades de emprego e crio materiais publicitários direcionados para o público do setor. Para sugestões de pauta, divulgação de vagas ou propostas de publicidade, entre em contato pelo e-mail: santizatagpc@gmail.com. Não recebemos currículos

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x