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Depósito de sal mais antigo que os dinossauros pode virar “superbateria” gigante e armazenar energia suficiente para abastecer até 20 milhões de casas por um dia

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado el 22/02/2026 a las 14:01
Depósito de sal mais antigo que os dinossauros pode armazenar 6.000 toneladas de hidrogênio e gerar 100 GWh de energia.
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Depósito de sal mais antigo que os dinossauros, localizado na Bacia de Adavale a cerca de três quilômetros de profundidade, pode armazenar até 6.000 toneladas de hidrogênio por caverna, alcançando 100 gigawatt-horas e oferecendo alternativa em larga escala para estabilizar a energia renovável na Austrália

Sob as planícies poeirentas do interior de Queensland, o Depósito de sal mais antigo que os dinossauros, na Bacia de Adavale, pode armazenar até 6.000 toneladas de hidrogênio por caverna, equivalente a 100 gigawatt-horas, oferecendo alternativa de reserva energética em escala massiva para a Austrália.

Enterrada sob outras bacias e invisível na superfície, a formação rochosa antecede os dinossauros. Durante décadas, permaneceu praticamente ignorada. Agora, cientistas apontam que essa geologia pode ajudar a enfrentar o desafio de armazenar energia renovável em grande escala no país.

Segundo relatório do governo australiano, a Bacia de Adavale é pouco explorada, mas contém recursos que podem contribuir para a redução das emissões e atender às necessidades energéticas modernas da Austrália.

A Austrália produz mais eletricidade a partir de energia solar e eólica do que nunca. No entanto, a luz solar e o vento são imprevisíveis. Quando a oferta é alta, o excesso pode ser desperdiçado. Quando cai, a rede precisa de energia de reserva.

As baterias de íon-lítio auxiliam, mas são caras e têm capacidade limitada. Armazenar energia por horas é possível. Armazená-la por dias, ou na escala de milhões de residências, é mais complexo. A alternativa pode estar a dois ou três quilômetros de profundidade.

Depósito de sal mais antigo que os dinossauros na Bacia de Adavale

A Bacia de Adavale foi identificada pela primeira vez em 1958. Geólogos ainda a descrevem como pouco explorada. Ela está enterrada sob a Bacia de Eromanga e a Bacia da Galileia, integrantes da Grande Bacia Artesiana, um dos maiores sistemas subterrâneos de água doce da Terra.

Ao contrário de muitas formações geológicas, não há marcas evidentes na superfície que indiquem sua presença. Não existem penhascos dramáticos ou camadas expostas. Para compreender o que está abaixo, os cientistas precisam perfurar.

Recentemente, a Geoscience Australia concluiu uma campanha de perfuração de 31 milhões de dólares para investigar o potencial da bacia. Em novembro, a equipe perfurou um poço de cerca de três quilômetros de profundidade, estabelecendo um recorde de profundidade para a agência.

Do furo, foi extraído um núcleo contínuo de rocha com 976 metros, além de mais de 500 amostras de fragmentos rochosos e várias amostras de água subterrânea. No centro do interesse está uma espessa camada de sal rochoso conhecida como Depósito de sal Boree.

Como o depósito de sal pode armazenar hidrogênio

O Depósito de sal Boree é atualmente a única camada de sal conhecida no leste da Austrália que aparenta ter espessura suficiente para armazenar hidrogênio em profundidade. A técnica envolve dissolver o sal com água para criar cavernas subterrâneas.

Engenheiros injetam água para dissolver parte do sal e bombeiam a salmoura resultante. O processo deixa uma câmara vazia no subsolo. Essa cavidade pode então ser utilizada para armazenar gases, como hidrogênio ou ar comprimido.

Mitchell Bouma, diretor da Geoscience Australia, afirmou à ABC News que o sal pode ser dissolvido e a caverna resultante usada para armazenar hidrogênio. Embora o conceito pareça incomum, trata-se de uma prática já estabelecida no exterior.

Escala energética e comparação com baterias

O hidrogênio produzido com eletricidade renovável pode ser injetado nas cavernas quando a oferta é abundante. Posteriormente, quando a demanda aumentar, o gás pode retornar à superfície para gerar energia.

Cada caverna na Bacia de Adavale poderia armazenar cerca de 6.000 toneladas de hidrogênio. Isso equivale a aproximadamente 100 gigawatt-horas de energia, valor semelhante à soma de 50 das maiores baterias em escala de rede da Austrália.

Especialistas estimam que apenas algumas dessas cavernas poderiam fornecer eletricidade suficiente para abastecer cerca de 20 milhões de residências por um dia, com base na demanda média doméstica em Brisbane.

Experiências internacionais e registros recentes

Instalações de armazenamento de hidrogênio em cavernas de sal operam no exterior há décadas. Nos Estados Unidos, um projeto em Utah está construindo duas cavernas de sal projetadas para armazenar 5.500 toneladas métricas de hidrogênio cada.

O Depósito de sal na Bacia de Adavale, mais antigo que os dinossauros, permanece sob investigação. A recente campanha de perfuração e a extração de amostras aprofundaram o conhecimnto sobre sua estrutura.

Para a Austrália, a possibilidade de utilizar cavernas subterrâneas como reserva de energia representa uma alternativa em escala geológica às baterias convencionais, diante do desfaio de equilibrar produção renovável e demanda elétrica.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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