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Deputados dos EUA encaram Trump, denunciam tarifaço que ainda atinge 22% das exportações do Brasil, falam em prêmio político para a JBS e alertam que o republicano empurra o país para os braços da China

Publicado em 19/12/2025 às 07:59
Deputados dos EUA cobram Trump pelo tarifaço que ainda atinge exportações do Brasil e alertam que a política abre espaço para a China.
Deputados dos EUA cobram Trump pelo tarifaço que ainda atinge exportações do Brasil e alertam que a política abre espaço para a China.
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Pressionados por 50 deputados dos EUA, Trump é cobrado a revogar tarifas extras que ainda atingem 22% das exportações brasileiras, acusado de favorecer a JBS e de empurrar o Brasil para acordos com a China enquanto ignora impactos sobre indústria, empregos e confiança nos EUA na economia e na diplomacia.

Os deputados dos EUA aumentaram a pressão sobre Donald Trump nesta quinta-feira (18), em carta em que pedem a revogação das tarifas remanescentes sobre produtos brasileiros e acusam o republicano de usar a exclusão da sobretaxa sobre a carne como “retribuição política” à JBS. Desde o fim de julho, quando o governo americano impôs uma sobretaxa de 40% que se somou às tarifas recíprocas de 10%, parte das medidas foi revista em 14 de novembro e em 20 de novembro, mas ainda deixa 22% das exportações do Brasil sujeitas ao tarifaço.

Ao longo do documento, os parlamentares detalham que a política comercial de Trump com o Brasil passou a ser combinada, em julho, a uma investigação da Seção 301, capaz de resultar em novas sanções contra produtos e serviços brasileiros. Para os signatários, essa escalada tarifária e regulatória empurra o Brasil para os braços da China, ao estimular acordos com México, Vietnã e outros parceiros e abrir espaço para Pequim se apresentar como defensora do Sul Global.

Carta de 50 deputados dos EUA mira tarifaço de Trump

O movimento é liderado pelos deputados democratas Linda Sánchez e Adriano Espaillat, que organizaram a carta enviada a Trump em nome de 50 deputados dos EUA.

No texto, eles pedem explicitamente que o presidente revogue as tarifas remanescentes sobre produtos brasileiros.

Segundo os parlamentares, o governo Trump não conseguiu apresentar até agora nenhuma evidência concreta de que as tarifas impostas ao Brasil possam criar empregos para americanos ou reviver indústrias dos EUA.

Em vez disso, argumentam que a política está isolando o país e abrindo espaço para concorrentes globais.

22% das exportações brasileiras aos EUA seguem com sobretaxa

De acordo com o vice-presidente Geraldo Alckmin, 22% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ainda estão sujeitas a sobretaxas, mesmo após as revisões mais recentes das medidas anunciadas por Trump.

O setor industrial é apontado como o mais afetado pelas tarifas que restaram.

No fim de julho, o governo americano aplicou uma sobretaxa de 40% sobre produtos do Brasil, somando esse percentual às tarifas recíprocas de 10% válidas globalmente.

Em 14 de novembro, Washington derrubou a tarifa de 10% para algumas commodities, entre elas carne e café, principais exportações brasileiras. Em 20 de novembro, a sobretaxa de 40% foi retirada para 238 produtos do Brasil, como café, carne bovina, banana, tomate e açaí.

Mesmo assim, a carta lembra que uma parcela relevante das vendas brasileiras continua penalizada, o que, na visão dos democratas, não se sustenta nem do ponto de vista econômico nem estratégico para os EUA.

Acusação de prêmio político para a JBS

Um dos pontos mais duros do texto é a acusação de que Trump estaria usando o poder econômico americano para proteger aliados.

Segundo os deputados, a exclusão da carne da sobretaxa funcionou como um prêmio político para a JBS, gigante brasileira dos frigoríficos.

A carta recorda que a empresa fez a maior doação individual ao comitê de posse de Trump, de US$ 5 milhões.

Para os signatários, isso levanta “sérias suspeitas” de que as exclusões tarifárias tenham sido concedidas como “retribuição política”.

Na avaliação dos democratas, essa leitura reforça a percepção de que o governo usa a política comercial dos Estados Unidos de forma punitiva, equivocada e autodestrutiva.

Brasil se afasta dos EUA e se aproxima da China

Os deputados dos EUA afirmam que, em resposta às tarifas, o Brasil acelerou os esforços para reduzir a dependência de Washington, avançando em acordos comerciais com México, Vietnã e outros países.

Nesse vácuo, segundo a carta, a China aproveitou a oportunidade para fortalecer seus laços com o Brasil, apresentando-se como defensora do Sul Global diante das sanções e ampliando a cooperação no âmbito dos BRICS.

O texto afirma que Pequim vem recorrendo ao Brasil para o fornecimento de commodities essenciais, em um movimento que desloca parte da influência americana na região.

Para os parlamentares, a política de Trump com o Brasil acaba sendo um tiro no pé. Em vez de proteger a indústria dos EUA, abre espaço para que a China ganhe protagonismo em mercados estratégicos, inclusive no agronegócio e em segmentos industriais de maior valor agregado.

Pressão contra regulação de big techs entra na mira

A carta também dedica um trecho à pressão exercida pela Casa Branca contra as tentativas do Brasil de regular big techs.

Os democratas criticam a investigação da Seção 301 aberta em julho pelo Escritório de Comércio da Casa Branca, que pode resultar em novas sanções contra produtos e serviços brasileiros.

O documento lembra que essa investigação cita diretamente temas como regulamentação de plataformas digitais, funcionamento do Pix, acesso ao mercado de etanol, proteção de propriedade intelectual e acordos de preferências tarifárias com outros países.

Para os deputados, a forma como a Seção 301 vem sendo utilizada no caso brasileiro indica um desvio de finalidade.

Eles afirmam que, embora as investigações da Seção 301 sejam uma ferramenta legítima para enfrentar práticas comerciais desleais, a ameaça tarifária contra o Brasil teria sido usada para alcançar objetivos políticos, e não para corrigir desequilíbrios comerciais reais.

Liberdade de expressão e desinformação no centro da disputa

Outro ponto de atrito é a tentativa brasileira de regular plataformas digitais que propagam discurso de ódio e desinformação antidemocrática.

A carta lembra que Trump justificou parte das tarifas como suposta defesa da “liberdade de expressão” no Brasil diante dessas iniciativas.

Os democratas contestam essa narrativa. Para eles, o argumento de liberdade de expressão foi usado de forma distorcida, enquanto plataformas digitais continuam sendo acusadas de favorecer conteúdos de ódio e de desinformação.

O grupo defende que o governo americano deveria apoiar esforços de regulação responsáveis, em vez de punir o Brasil com tarifas comerciais.

Quem está por trás da ofensiva no Congresso americano

Além de Linda Sánchez e Adriano Espaillat, nomes de peso do Partido Democrata assinam a carta, como Alexandria Ocasio Cortez, Debbie Wasserman Schultz, Rashida Tlaib e Joaquin Castro.

A lista sinaliza que o desconforto com a política de Trump em relação ao Brasil se estende a diferentes alas democratas, da ala mais progressista a perfis mais tradicionais.

Ao reunir 50 assinaturas, o grupo tenta mostrar que não se trata de um gesto isolado, mas de uma pressão coordenada dentro da Câmara dos Representantes dos EUA.

Mesmo sem força para mudar sozinho a política comercial da Casa Branca, o movimento aumenta o custo político das tarifas e abre espaço para que o tema volte ao debate público nos Estados Unidos e no Brasil.

Diante desse cenário, fica a pergunta para você: as críticas dos deputados dos EUA a Trump podem realmente mudar o rumo das tarifas contra o Brasil ou o país já está firme demais no caminho de maior aproximação com a China?

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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