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Do mar à prateleira: como a sardinha vira lata segura por anos, com pesca noturna, salmoura, autoclaves a 130°C e 2 milhões de latas/dia em Itajaí, na Gomes da Costa

Escrito por Carla Teles
Publicado el 23/01/2026 a las 20:38
Do mar à prateleira como a sardinha vira lata segura por anos, com pesca noturna, salmoura, autoclaves a 130°C e 2 milhões de latasdia em Itajaí, na Gomes da Costa (2)
Entenda como a sardinha vira lata na produção de sardinha na fábrica da Gomes da Costa, com sardinha em lata esterilizada em autoclave industrial.
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A cada safra, milhões de peixes minúsculos saem do oceano no fim da tarde e, em poucas horas, entram em um processo industrial milimetrado onde a sardinha vira lata capaz de ficar anos na prateleira sem estragar, sem refrigerador e sem conservantes químicos.

Do alto-mar ao porto, da salmoura às autoclaves a 130 °C e às linhas que produzem mais de 2 milhões de latas por dia em Itajaí, a fábrica da Gomes da Costa mostra como tecnologia, logística e controle de qualidade transformam um peixe extremamente delicado em um alimento seguro, barato, nutritivo e pronto para viajar o mundo.

A sardinha vira lata em um mercado gigante de conservas

Você já encontrou uma lata de sardinha esquecida na despensa, abriu sem medo e percebeu que o produto continuava íntegro, saboroso e com cheiro de fresco. Por trás disso existe uma engenharia impressionante.

Todos os anos, mais de 3 milhões de toneladas de sardinha são pescadas nos oceanos, e uma parte enorme segue para indústrias de conserva, que produzem bilhões de latas em óleo, azeite, molho de tomate, água ou salmoura.

A sardinha conquistou o mundo porque combina três fatores raros em um único alimento: é barata, muito nutritiva e fácil de armazenar.

Uma lata pode atravessar continentes e ficar meses ou anos estocada, chegando ao consumidor final ainda segura para consumo. No Brasil, o epicentro dessa cadeia está no litoral de Santa Catarina.

Em Itajaí, a fábrica da Gomes da Costa é uma das maiores operações de sardinha enlatada do planeta e tem capacidade para produzir mais de 2 milhões de latas por dia, um volume que só é possível porque todo o processo em que a sardinha vira lata funciona como uma engrenagem extremamente precisa.

Do cardume à rede: pesca noturna e captura em cerco

Entenda como a sardinha vira lata na produção de sardinha na fábrica da Gomes da Costa, com sardinha em lata esterilizada em autoclave industrial.

A jornada em que a sardinha vira lata começa bem longe das prateleiras, ainda em alto-mar. A pesca costuma acontecer no final da tarde e ao longo da noite, período em que os cardumes sobem para a superfície para se alimentar de plâncton.

Nesse momento, milhões de sardinhas se movem como se fossem um único organismo, formando verdadeiras nuvens vivas sob a lâmina d’água.

Para capturar esses cardumes sem perder tempo, a frota industrial usa principalmente a rede de cerco. O barco identifica a mancha de peixe, navega ao redor e lança uma enorme rede circular, que fecha o perímetro e mantém todo o cardume cercado.

À medida que a rede é puxada, as sardinhas ficam cada vez mais concentradas até o ponto em que podem ser retiradas com segurança.

No passado, essa etapa dependia quase só da experiência visual dos pescadores, que seguiam gaivotas e pequenas alterações na superfície.

Hoje, sonares e radares emitem pulsos sonoros que retornam ao encontrar os cardumes, permitindo enxergar literalmente debaixo d’água, estimar tamanho, profundidade e densidade do grupo de peixes.

É essa combinação de conhecimento tradicional com tecnologia que garante o primeiro passo para que, algumas horas depois, a sardinha vire lata em ambiente industrial.

Do porto à fábrica: uma corrida contra o relógio pelo frescor

Depois da captura, o tempo passa a contar diretamente contra a qualidade do peixe. Por isso, as sardinhas são retiradas da rede o mais rápido possível, com redes menores ou até bombas de sucção que levam os peixes diretamente para tanques a bordo.

Esses tanques são carregados com gelo ou água resfriada, porque a conservação começa ali, ainda no barco.

Em operações industriais, o retorno ao porto costuma acontecer em até 24 horas após a captura. Quando a embarcação atraca, o desembarque é quase coreografado.

As sardinhas são descarregadas em grandes volumes, imediatamente cobertas com gelo e encaminhadas para caminhões refrigerados, que fazem o transporte até as fábricas de conserva.

Em muitos casos, o peixe chega à linha de produção poucas horas depois de ter saído do mar, mantendo um nível de frescor que fará toda a diferença lá na frente.

Fábricas de enlatados processam, em média, cerca de 1 milhão de sardinhas por dia, e essa escala só se sustenta porque o fluxo de chegada é constante e altamente organizado. Em algumas plantas, o intervalo entre a captura e o início do processamento não passa de 5 horas.

É essa logística precisa que prepara o terreno para a etapa em que a sardinha vira lata, já em ambiente completamente controlado.

Dentro da fábrica: resfriamento, limpeza e evisceração em massa

Entenda como a sardinha vira lata na produção de sardinha na fábrica da Gomes da Costa, com sardinha em lata esterilizada em autoclave industrial.

Quando o caminhão refrigerado chega à unidade industrial, o foco total é preservação. As sardinhas são descarregadas e colocadas em grandes recipientes com água gelada, mantendo a temperatura do pescado em torno de 5 °C.

Isso ajuda a preservar a carne, retardar o crescimento de bactérias e garantir que o produto siga com qualidade máxima para as fases seguintes.

Depois dessa limpeza inicial, vem uma das etapas mais importantes de toda a linha: a evisceração, que remove cabeça e vísceras. Além de melhorar textura e sabor, essa remoção é fundamental para a segurança do alimento, porque vísceras se deterioram muito mais rápido.

Em muitas indústrias, esse processo é automatizado. As sardinhas seguem por esteiras em fileiras organizadas até máquinas que, com lâminas, pinças e sensores, cortam e limpam milhares de peixes por hora com precisão de milímetros.

Ainda assim, o olho humano continua indispensável. Em algumas linhas, sobretudo em produtos mais “premium”, a evisceração é manual.

Em mesas de aço inox, trabalhadores treinados fazem cortes finos com facas ou tesouras específicas, evitando desperdício e garantindo um padrão visual mais uniforme. Muitas fábricas combinam os dois sistemas, usando a automação para volume e o trabalho manual como ajuste fino.

O objetivo, em todos os casos, é entregar uma sardinha limpa, íntegra e pronta para o próximo passo decisivo da jornada em que a sardinha vira lata: o banho de salmoura.

Salmoura, textura e preparo para o calor

Terminada a evisceração, as sardinhas mergulham em tanques de salmoura, uma solução de água e sal com concentração cuidadosamente controlada. Elas permanecem ali por cerca de 30 minutos, tempo suficiente para que o sal penetre de forma uniforme.

Essa etapa faz muito mais do que salgar o peixe. A salmoura firma a carne, melhora a textura e ajuda na conservação inicial, antes mesmo do cozimento, tudo isso sem mascarar o sabor natural da sardinha.

Ao sair da solução, os peixes são organizados em grelhas metálicas projetadas para mantê-los levemente inclinados, e passam por uma lavagem rápida para retirar o excesso de sal da superfície.

Esse ajuste fino é fundamental. Sal demais destrói o sabor e sal de menos compromete a conservação. Só depois desse equilíbrio é que a sardinha segue para o calor que define se ela chegará à prateleira em forma perfeita.

Cozimento e autoclaves a 130 °C: o ponto em que a sardinha vira lata segura por anos

O próximo passo é o cozimento, que pode acontecer de dois jeitos principais, dependendo da linha de produto. Em muitos casos, as sardinhas já limpas e salmouradas são colocadas em grelhas e passam por fornos industriais a vapor, em câmaras fechadas onde o vapor circula de forma controlada.

A temperatura gira entre 100 °C e 120 °C e o processo dura, em média, de 10 a 20 minutos, deixando o peixe pré-cozido e pronto para entrar na lata.

Em outros modelos de produção, ainda mais eficientes para grandes volumes, a sardinha entra crua diretamente dentro da lata, junto com o líquido conservante, que pode ser óleo vegetal, azeite de oliva, água com sal ou molho de tomate.

As latas são fechadas hermeticamente e seguem para gigantescos equipamentos chamados autoclaves industriais.

Dentro das autoclaves, ocorre uma esterilização térmica com vapor sob alta pressão, em temperaturas que podem chegar a 130 °C, por períodos que variam de 30 a 90 minutos conforme o tamanho da embalagem e o tipo de molho.

É nesse momento que, de forma definitiva, a sardinha vira lata segura: o peixe cozinha por completo dentro do próprio líquido e todos os microrganismos capazes de causar contaminação são eliminados.

Existe ainda um terceiro método, em que as latas são colocadas viradas de cabeça para baixo durante o tratamento térmico.

Enquanto o vapor faz o cozimento, o líquido e a gordura natural do peixe escorrem, ajudando a ajustar textura e aparência antes da etapa final. Em qualquer dos métodos, o objetivo é idêntico: entregar uma sardinha cozida no ponto, estável e pronta para durar muito tempo na despensa do consumidor.

Enlatamento, líquidos conservantes e fechamento hermético

Com as sardinhas cozidas ou pré-cozidas, começa a etapa de enlatamento propriamente dita, que define aparência e sabor final do produto.

Os peixes são posicionados cuidadosamente dentro das latas, seja por máquinas que organizam tudo de forma padronizada, seja por equipes que fazem o arranjo manual quando é necessário um visual mais uniforme.

Na sequência entram os líquidos conservantes, que variam conforme o produto. Óleo e azeite ajudam a preservar a umidade e deixam a carne mais macia, enquanto a salmoura mantém um perfil de sabor mais neutro, que valoriza o gosto natural da sardinha.

Molhos como o de tomate adicionam acidez, complexidade de sabor e também contribuem para a conservação.

A quantidade de líquido é rigorosamente medida. Não pode faltar e nem sobrar, porque isso afeta desde o sabor até a segurança e o peso declarado no rótulo.

Só depois desse ajuste, as latas seguem para as seladoras automáticas, onde a tampa é pressionada contra o corpo da lata, formando um fechamento hermético que cria um ambiente sem oxigênio lá dentro. Sem oxigênio, não há oxidação e o crescimento de microrganismos é impedido.

É esse conjunto de fatores que transforma a embalagem em uma verdadeira cápsula de proteção. Uma vez fechada corretamente, nada entra e nada sai, o que permite que a sardinha seja armazenada por longos períodos sem necessidade de geladeira e sem aditivos artificiais.

Segunda passagem pela autoclave, inspeção e prateleira

Video de YouTube

Mesmo depois de fechadas, as latas voltam para as autoclaves industriais para uma última etapa de esterilização em alta temperatura e pressão. Esse “reforço térmico” garante que qualquer microrganismo resistente seja completamente eliminado.

Em seguida, as latas passam por um resfriamento gradual, também controlado, para evitar choque térmico, estufamento e deformações na vedação.

Só então as latas seguem para a área de inspeção e controle de qualidade. Amostras de cada lote são abertas em laboratório, onde técnicos avaliam o vácuo interno, a integridade da vedação, o aspecto visual, o odor, a textura e o peso do conteúdo. Qualquer sinal de falha leva à revisão do lote inteiro.

Aprovadas, as latas vão para a rotulagem, onde recebem informações de tipo de molho, ingredientes, data de validade, origem e dados nutricionais.

Depois são embaladas em caixas, organizadas em paletes e seguem em caminhões para mercados, mercearias e cozinhas em diferentes regiões e países.

O que começou como um cardume no fim da tarde no oceano agora é uma sardinha em lata pronta para atravessar longas distâncias sem perder segurança ou qualidade.

Por que tanta engenharia para um peixe tão simples

Toda essa sequência em que a sardinha vira lata não existe por acaso. Além de ser um produto barato e acessível, a sardinha em conserva é nutricionalmente muito rica.

O peixe concentra boas quantidades de ômega 3, que ajuda a proteger o coração, melhorar circulação e apoiar o funcionamento do cérebro.

Por ser consumida com as espinhas amolecidas pelo processo térmico, a sardinha em lata é uma excelente fonte de cálcio e fósforo, contribuindo para ossos e dentes mais fortes.

A combinação com proteínas de alta qualidade, vitamina D, ferro e outros minerais transforma essa lata aparentemente simples em um pacote de nutrição de baixo custo.

Quando você junta tudo isso com a capacidade de durar anos na prateleira sem refrigerador, fica fácil entender por que esse produto se tornou tão importante na alimentação diária de milhões de pessoas.

Um peixe pequeno, um processo enorme e uma cadeia que vai do pescador em alto-mar à fábrica de Itajaí, em Santa Catarina, onde a sardinha vira lata em mais de 2 milhões de unidades por dia.

E agora que você conhece esse caminho todo, me conta: depois de saber como a sardinha vira lata, você passou a olhar esse produto de forma diferente na prateleira do mercado?

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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