Problemas climáticos, falhas técnicas e mudança na liderança desestabilizam projeto de US$ 200 milhões em Mara Rosa (GO)
O que deveria ser um dos maiores marcos da mineração de ouro no país se transformou numa sucessão de problemas para a britânica Hochschild Mining. Localizada em Mara Rosa, no interior de Goiás, a mina entrou em operação este ano, mas já enfrenta um cenário crítico: chuvas intensas, falhas na planta e saída de executivos-chave colocaram o projeto contra a parede.
O impacto é tão sério que as ações da empresa britânica recuaram mais de 20% na Bolsa de Londres — e a meta de produção original, antes estimada em 104 mil onças, foi oficialmente deixada de lado.
Mineração parada, custos nas alturas
A situação se agravou para a britânica com a necessidade de interromper a planta de processamento por seis semanas, por conta de problemas técnicos em filtros mecânicos. A produção, até o fim de maio, somou apenas 25 mil onças de ouro — número muito abaixo do esperado para esse estágio do projeto.
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Com a parada emergencial, os custos operacionais subiram, reduzindo margens e gerando incerteza sobre a rentabilidade do ativo no curto prazo.
Baixa na liderança intensifica pressão
Como se não bastasse, a saída do diretor de operações Rodrigo Nunes, um dos nomes centrais da empreitada, adicionou mais instabilidade. O CEO da companhia, Eduardo Landin, precisou assumir interinamente as operações no Brasil enquanto a mineradora busca um substituto e reavalia a estrutura do projeto.
O projeto de mineração da britânica em Mara Rosa exigiu mais de US$ 200 milhões em investimentos e foi viabilizado com a compra da Amarillo Gold, em 2022. Agora, a empresa tenta conter os danos. Analistas já falam em um novo teto de produção entre 60 mil e 71 mil onças — bem distante do planejado.
Embora a companhia insista no potencial geológico da região, o mercado segue desconfiado, e o clima entre os investidores é de cautela.
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