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Dona da Fiat desmonta 370 carros em apenas 100 dias no 1º centro de reciclagem veicular do Brasil, com 246 toneladas de aço e alumínio reaproveitadas, 6 mil peças recuperadas, 66% das vendas feitas online e potencial para movimentar até R$ 14 bilhões por ano

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 13/12/2025 às 13:23
Atualizado em 13/12/2025 às 13:51
Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.
Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.
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Centro de desmontagem da Stellantis reúne reaproveitamento de materiais, venda digital de peças e economia circular em escala industrial, com números iniciais que revelam tanto o potencial financeiro quanto os desafios operacionais do mercado de reciclagem automotiva no Brasil.

A Stellantis, grupo que reúne marcas como Fiat, Peugeot, Citroën e Jeep, informou nesta sexta-feira (12) o balanço dos primeiros 100 dias de operação do seu Centro de Desmontagem Veicular (CDV) em Osasco, na Grande São Paulo.

Desde a abertura, em agosto, a unidade desmontou 370 veículos e direcionou parte relevante dos materiais para reaproveitamento e reciclagem, segundo dados obtidos com exclusividade pelo Jornal do Carro.

O levantamento mostra que, na prática, o volume atual de desmontes ainda roda abaixo da capacidade projetada para o centro.

Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.
Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.

A média registrada no período foi de 125 veículos desmontados por mês, o equivalente a 3,7 por dia.

Mantido esse ritmo, a operação chegaria a cerca de 1.500 veículos ao ano, número distante da meta divulgada quando o projeto foi lançado, de até 8 mil desmontes anuais com três turnos.

Até aqui, o CDV opera em apenas um turno.

Ainda assim, a Stellantis sustenta que o indicador mais relevante não é apenas a quantidade de carros processados, mas o que se consegue recuperar deles com rastreabilidade e destinação ambiental correta, em um mercado historicamente marcado por informalidade e descarte irregular.

Resultados dos primeiros 100 dias do CDV da Stellantis

Nos 100 dias contabilizados pela montadora, o CDV recuperou 6 mil peças automotivas.

Desse total, 1,6 mil componentes foram vendidos, enquanto outros 4 mil permaneceram em estoque, de acordo com o balanço divulgado.

Quando o recorte é o de materiais, a empresa afirma ter reciclado 246 toneladas de aço e alumínio.

Além disso, o centro destinou 16 toneladas de plástico para reciclagem e encaminhou 1 tonelada de cobre para reaproveitamento.

A proposta declarada é retirar de circulação veículos sinistrados, fora de uso ou em fim de vida útil, separar itens com possibilidade de reutilização e colocar esses componentes no mercado por menos da metade do preço praticado em peças novas, sem abrir mão de identificação e controle de origem.

Venda online concentra a maior parte das peças recuperadas

Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.
Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.

A operação, que tem uma loja física na própria unidade de Osasco, registrou um peso elevado do comércio online no início do projeto.

Segundo a Stellantis, 66% das vendas ocorreram por canais digitais, enquanto o restante foi comercializado presencialmente.

A empresa não detalhou quais itens lideraram a procura nem divulgou o faturamento do CDV no período.

Apesar disso, o grupo aponta a venda de componentes recuperados como parte de uma estratégia mais ampla de economia circular, com impacto direto na oferta de peças com procedência e no custo de manutenção para o consumidor.

Investimento de R$ 13 milhões e operação ainda abaixo da capacidade

O CDV começou a operar em 14 de agosto, com investimento de R$ 13 milhões, e foi apresentado pela Stellantis como uma planta voltada ao desmonte de veículos e à reciclagem de materiais e insumos.

No anúncio do projeto, a companhia informou uma capacidade anual de até 8 mil carros desmontados, baseada em uma operação com três turnos.

O desempenho do primeiro trimestre de funcionamento indica, no entanto, que a unidade ainda está em fase de rampagem e abaixo do potencial divulgado.

Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.
Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.

A diferença, segundo os números, está ligada ao fato de o centro trabalhar atualmente com apenas um turno, o que limita o total de veículos processados ao longo do dia.

Mercado de reciclagem automotiva pode movimentar bilhões

O contexto do setor ajuda a explicar por que a Stellantis e entidades da reciclagem automotiva tratam o tema como um mercado bilionário.

A estimativa citada é que cerca de 2 milhões de veículos cheguem ao fim da vida útil por ano no país, o que equivaleria a 4,17% de uma frota nacional de 48 milhões.

Apesar desse volume, apenas 1,5% teria destinação adequada, segundo dados atribuídos à Associação Brasileira de Reciclagem Automotiva (Abcar) e ao Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa (Sindinesfa).

Na leitura apresentada, isso significa que a maior parte dos veículos fora de circulação acaba abandonada, encalhada em pátios de Detrans, em leilões ou até em vias públicas.

No potencial econômico, a Stellantis afirma que o mercado de reciclagem automotiva pode movimentar até R$ 2 bilhões por ano.

Já as entidades Abcar e Sindinesfa estimam que, considerando peças com possibilidade de recuperação e revenda, o volume poderia chegar a R$ 14 bilhões.

Para efeito de comparação, o setor de peças novas teria movimentado R$ 260 bilhões, conforme dados atribuídos à Fenabrave e à Dana Brasil.

Como funciona o desmonte e a rastreabilidade das peças

Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.
Stellantis desmonta 370 carros em 100 dias no 1º CDV do Brasil, reaproveita materiais, vende peças online e mira um mercado de até R$ 14 bilhões.

Segundo a Stellantis, os veículos que chegam ao CDV passam por processos regulamentados de desmontagem e destinação ambiental.

Na sequência, os componentes são avaliados e direcionados conforme o estado e a possibilidade de reaproveitamento.

Uma parte segue para reuso, após lavagem e liberação para venda.

Outra parcela é encaminhada à remanufatura, mas só pode ser comercializada depois de passar pelo processo de recuperação.

Por fim, itens sem condição de retorno ao mercado entram como material para reciclagem e são enviados a empresas especializadas, segundo a empresa.

As peças destinadas ao reuso recebem identificação individual, com etiqueta de rastreamento emitida pelo Detran e informações como classificação e valor de mercado.

A Stellantis afirma que a comercialização segue critérios de rastreabilidade definidos pelo órgão, o que também é apresentado como um mecanismo para reduzir espaço para irregularidades.

Cada veículo ainda gera uma “carteira de desmonte”, emitida por fornecedor homologado, com até 49 grupos de peças rastreáveis desde o veículo de origem até quem executou o desmonte.

Além disso, o grupo diz manter um sistema próprio de codificação e controle para as etapas internas.

Vídeo do YouTube

Economia circular como estratégia industrial da Stellantis

No comunicado sobre os primeiros 100 dias, a empresa associou o desempenho a metas ambientais e de eficiência operacional.

“Em apenas 100 dias, mostramos que é possível unir eficiência operacional, oferta de peças certificadas e impacto ambiental positivo. Esse avanço confirma que a economia circular é uma alavanca real de valor para o cliente, para a rede e para o futuro do nosso negócio.”

Em outra declaração, a montadora também afirmou que “100% dos materiais dos veículos desmontados são reaproveitados, incluindo fluidos, óleos, combustíveis e matérias-primas como aço, ferro, alumínio, cobre e outros metais nobres”, e disse que a procura pelos componentes recuperados tem avançado mês a mês.

Com o CDV ainda longe do volume anual que a companhia projetou, a trajetória de expansão deve depender tanto de escala operacional quanto de oferta regular de veículos e de demanda consistente por peças rastreadas, em um mercado que convive com preços elevados de componentes novos e com a competição de alternativas informais.

Se a maior parte dos carros fora de uso no país ainda não tem destinação adequada, o que falta para transformar desmontagem legal e rastreabilidade em padrão de mercado, e não em exceção?

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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