A Mars, multinacional responsável pelo M&M’s, anunciou em agosto de 2025 um acordo com a Pairwise, empresa de biotecnologia agrícola, para aplicar edição genética CRISPR em árvores de cacau, com o objetivo de garantir o fornecimento da matéria-prima e evitar a escassez de chocolate causada pela queda na produção em países da África Ocidental.
Nos últimos dois anos, o fornecimento de cacau foi severamente afetado por eventos climáticos extremos e doenças como o «broto inchado», principalmente na Costa do Marfim e em Gana, principais exportadores mundiais. O cenário provocou um aumento histórico no preço do chocolate e forçou fabricantes a buscar alternativas para preservar suas cadeias de produção.
Com o novo acordo, a Mars terá acesso às ferramentas de edição genética desenvolvidas pela Pairwise, incluindo enzimas CRISPR e bibliotecas de características específicas. A tecnologia permite modificar trechos precisos do DNA das plantas, criando árvores mais resistentes e produtivas, sem a necessidade de cruzamentos convencionais.
Tecnologia CRISPR acelera processo tradicional
De acordo com o CEO da Pairwise, Tom Adams, a edição genética reduz drasticamente o tempo necessário para obter plantas com as características desejadas. Enquanto o método tradicional exige décadas de cruzamentos e seleção, a técnica CRISPR permite atingir os mesmos objetivos em menos tempo e com maior precisão.
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Ela substitui décadas de cruzamentos tradicionais por ajustes diretos no DNA. Imagem: IA
Além de melhorar a resiliência climática e a resistência a pragas, a tecnologia também encurta o ciclo de maturação das árvores. Atualmente, o cacaueiro pode levar de três a cinco anos para produzir, mas a expectativa é que esse período seja significativamente reduzido com o uso da engenharia genética.
Esse avanço pode ser decisivo para atender à demanda crescente por chocolate e manter a sustentabilidade da cadeia produtiva em regiões vulneráveis às mudanças climáticas. A Pairwise já obteve resultados positivos com outras culturas agrícolas, e espera replicar esse sucesso no setor cacaueiro.
Investimento bilionário e desafios regulatórios
Desde 2018, a Mars já investiu mais de US$ 1 bilhão em iniciativas para fortalecer sua cadeia de suprimentos de cacau. Parte desses recursos foi destinada a pesquisas com a Universidade da Califórnia, em Berkeley, para o desenvolvimento de árvores geneticamente editadas.
Agora, com o novo acordo, a empresa avança mais um passo rumo ao uso comercial dessa tecnologia. Contudo, barreiras regulatórias ainda persistem, especialmente na Europa. A União Europeia e a Suíça, importantes centros de produção e consumo de chocolate, discutem mudanças na legislação para permitir a comercialização de alimentos geneticamente editados.
A informação foi divulgada pela “folha.uol” em 6 de agosto de 2025, com base em comunicados institucionais e declarações de representantes das empresas envolvidas no acordo de licenciamento.
Mercado acompanha avanços com atenção
Enquanto consumidores, ambientalistas e autoridades sanitárias acompanham os desdobramentos, o setor de confeitaria vê na edição genética uma solução estratégica para driblar a crise do cacau e manter a rentabilidade diante de um mercado instável.
Além da Mars, outras empresas também estudam tecnologias semelhantes para garantir segurança alimentar e reduzir os impactos do clima na agricultura global. O uso de CRISPR em plantas comerciais pode se tornar um marco no setor alimentício, ampliando o debate sobre biotecnologia e sustentabilidade.
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