Guerra no Irã entra no terceiro dia com mais de 1.200 projéteis disparados, interceptações acima de 90% e risco de esgotamento rápido de mísseis Patriot de US$ 4 milhões diante de drones Shahed de US$ 20 mil
A guerra no Irã já mostra um confronto de desgaste no Oriente Médio, com ondas de drones Shahed-136 pressionando defesas dos EUA e aliados, enquanto mísseis Patriot de US$ 4 milhões interceptam ataques de drones de US$ 20 mil e estoques militares começam a preocupar estrategistas. Os dados deste artigo são desta matéria do Infomoney.
Segundo informou o artigo, a escalada militar entre Irã, Estados Unidos e aliados entrou rapidamente em uma fase de desgaste operacional.
Três dias após o início do conflito, ataques com drones iranianos passaram a pressionar sistemas de defesa aérea na região e a consumir rapidamente estoques de interceptadores utilizados para neutralizar os projéteis.
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Os drones suicidas Shahed-136, descritos como pequenos mísseis de cruzeiro de tecnologia simples, continuaram atingindo alvos no Oriente Médio nesta segunda-feira.
Nos últimos dias, eles foram direcionados contra bases militares americanas, instalações de petróleo e prédios civis.
Esses ataques começaram depois que Estados Unidos e Israel iniciaram bombardeios contra o Irã no sábado. A ofensiva incluiu uma combinação de mísseis de cruzeiro, drones e bombas guiadas.
Guerra no Irã pressiona defesas aéreas com drones baratos
O principal sistema de defesa utilizado pelos aliados dos EUA na região é o Patriot, fabricado pela Lockheed Martin.
Segundo os Emirados Árabes Unidos, os interceptadores têm conseguido derrubar mais de 90% dos drones Shahed e de outros mísseis balísticos lançados.
Apesar da alta taxa de interceptação, o custo da defesa tem chamado atenção. Cada míssil Patriot utilizado para derrubar um drone pode custar cerca de US$ 4 milhões, enquanto um drone Shahed custa aproximadamente US$ 20 mil.
Essa diferença de custo tem sido apontada por analistas militares como um problema estratégico. Armas relativamente baratas podem esgotar estoques projetados para enfrentar ameaças muito mais sofisticadas.
Esse cenário já havia sido observado durante a guerra na Ucrânia e voltou a aparecer com intensidade na guerra no Irã.
Estoques de mísseis podem acabar em dias
Na prática, tanto o Irã quanto os Estados Unidos enfrentam o risco de esgotar rapidamente seus estoques de armamentos.
O resultado do confronto pode depender de qual lado conseguir sustentar operações por mais tempo.
Uma análise interna consultada pela Bloomberg News indica que os estoques de mísseis Patriot no Catar poderiam durar apenas quatro dias caso o ritmo atual de interceptações seja mantido.
Nos bastidores, autoridades de Doha passaram a defender um encerramento rápido do conflito.
A preocupação com munições também aparece do lado ofensivo. Desde o início da guerra no Irã neste ano, Teerã já disparou mais de 1.200 projéteis contra alvos na região.
Grande parte desses projéteis seriam drones Shahed.
Segundo Becca Wasser, responsável pela área de defesa na Bloomberg Economics, isso pode indicar que o país esteja preservando seus mísseis balísticos mais destrutivos para fases posteriores do conflito.
Capacidade militar do Irã e impacto de ataques anteriores
Antes do atual confronto, estimativas indicavam que o Irã possuía cerca de 2.000 mísseis balísticos. O número de drones disponíveis seria significativamente maior.
Grupos aliados ao Irã na região já haviam sido enfraquecidos após a guerra em Gaza. Além disso, ataques anteriores de Israel e dos Estados Unidos durante uma guerra de 12 dias em junho também atingiram parte da capacidade militar iraniana.
Desde então, o governo iraniano passou a elevar o tom das advertências sobre o custo de uma ofensiva americana.
O líder supremo Ali Khamenei, morto em ataques aéreos no sábado, havia alertado anteriormente que um ataque dos Estados Unidos poderia provocar um incêndio em toda a região.
Kelly Grieco, pesquisadora sênior do think tank Stimson Center, afirmou que uma estratégia de desgaste faz sentido para o Irã.
Segundo ela, a aposta seria que os sistemas defensivos dos adversários acabem esgotando seus mísseis interceptores, ao mesmo tempo em que a pressão política cresce entre aliados do Golfo.
Sistemas de defesa aérea e limitações tecnológicas
O Irã enfrenta dificuldades para reagir no campo da defesa aérea. Bombardeios realizados nas primeiras horas da guerra atingiram baterias antiaéreas iranianas, incluindo sistemas russos S-300.
Desde então, caças americanos e israelenses têm operado no espaço aéreo iraniano sem relatos de grandes dificuldades.
Do lado dos aliados dos EUA, a defesa aérea depende principalmente dos sistemas Patriot que utilizam mísseis PAC-3.
Mesmo com esforços do Pentágono para ampliar a produção, cerca de 600 unidades PAC-3 foram fabricadas em 2025 pela Lockheed Martin.
Considerando o volume de drones e mísseis abatidos, estimativas indicam que milhares de interceptores podem já ter sido disparados no Oriente Médio desde sábado.
Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos também utilizam o sistema THAAD, desenvolvido pela Lockheed Martin para interceptar mísseis em altitudes elevadas na borda da atmosfera.
Esses interceptadores são ainda mais caros. Cada unidade pode custar cerca de US$ 12 milhões, o que torna improvável seu uso contra drones simples.
Alternativas mais baratas contra drones
Além dos sistemas Patriot e THAAD, os Estados Unidos também têm utilizado caças em patrulha equipados com mísseis do sistema Advanced Precision Kill Weapon System.
Esses projéteis custam entre US$ 20 mil e US$ 30 mil por unidade, além do custo operacional das aeronaves.
Soluções específicas para combater drones ainda são pouco comuns na região. Entre as alternativas consideradas estão lasers, canhões automáticos e até drones projetados para interceptar outros drones.
Essas tecnologias poderiam reduzir o uso de sistemas caros contra alvos simples.
Um exemplo citado é o laser Iron Beam, desenvolvido pela empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems.
As Forças de Defesa de Israel afirmaram nesta segunda-feira que o sistema ainda não foi utilizado neste conflito.
Se o ritmo atual de ataques continuar, fontes com conhecimento da situação afirmam que os estoques de interceptores PAC-3 podem ficar perigosamente baixos em poucos dias.
Caso também falte munição ofensiva, o confronto pode entrar em um impasse prolongado.
O pesquisador Ankit Panda, do Carnegie Endowment for International Peace, afirmou que nas primeiras 60 horas da guerra no Irã o cenário de desgaste prolongado já parece plausível.
Segundo ele, o Irã pode continuar consumindo seu estoque de mísseis e drones enquanto tenta manter o regime no poder, mesmo em meio ao caos gerado pelo confilto.
Com informações de Infomoney.

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