Com 56.000 habitantes e 2 milhões de quilômetros quadrados, a ilha tem 80% do território coberto por gelo, economia ligada à pesca e corrida por minerais críticos. EUA miram a Groenlândia desde a Segunda Guerra, e o degelo no Ártico expõe terras raras, licenças e disputas geopolíticas inéditas para o poder global.
EUA miram a Groenlândia em um momento em que o degelo do Ártico muda a leitura sobre território, defesa e minerais críticos. Com cerca de 56.000 habitantes em 2 milhões de quilômetros quadrados e 80% cobertos por gelo, a maior parte da população se concentra na costa sudoeste, enquanto o interior segue dominado pela camada de gelo.
Ao mesmo tempo, a economia depende muito da pesca, que representa mais de 90% das exportações, mas o degelo abre acesso a terras raras e outros minerais críticos. Entre promessas de receita, obstáculos logísticos e risco ambiental, a ilha vira peça estratégica numa disputa que envolve Dinamarca, Estados Unidos, China e empresas de mineração.
Uma ilha enorme, pouca gente e gelo por toda parte

A Groenlândia aparece nos dados como a maior ilha do mundo e também como um dos lugares menos populosos do planeta, com cerca de 56.000 pessoas.
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O território tem 2 milhões de quilômetros quadrados quadradas e aproximadamente 80% da superfície está coberta de gelo, o que empurra cidades e vilas para a faixa costeira, sobretudo no sudoeste.
Esse quadro físico importa porque o degelo não é só um tema climático.
No Ártico, a retirada do gelo afeta acesso, custo e viabilidade de projetos, inclusive de minerais críticos e terras raras.
O degelo também muda a própria paisagem, com relatos de áreas mais verdes e de zonas úmidas crescendo, especialmente fora do núcleo da camada de gelo.
O vínculo com a Dinamarca e a virada do autogoverno

Mesmo fazendo parte geográfica da América do Norte, a ilha ficou sob controle dinamarquês por cerca de 300 anos e foi colônia até meados do século XX.
No relato, a distância até a Dinamarca é apontada como quase 30.352 quilômetros, um detalhe usado para mostrar como a administração sempre envolveu um território remoto.
A virada política citada é 2009, quando a Groenlândia conquistou autogoverno.
A partir daí, a narrativa enfatiza que os recursos minerais ficam sob controle do governo local, e não da Dinamarca, um ponto relevante quando se discute por que EUA miram a Groenlândia e como essa mira se traduz em investimento, licenças e influência.
Por que EUA miram a Groenlândia desde a Segunda Guerra
O interesse militar aparece como um fio histórico: durante a Segunda Guerra Mundial, após a Alemanha anexar a Dinamarca continental, os Estados Unidos instalaram bases militares e estações de rádio na Groenlândia.
Depois da guerra, as tropas americanas permaneceram, e uma base espacial citada como Pituffik começou a ser construída em 1943 e é usada desde 1951.
O relato também menciona um acordo de defesa com a Dinamarca em 1951, que deu aos EUA um papel importante na defesa do território, incluindo o direito de construir e manter bases.
A justificativa estratégica é direta: em um cenário de guerra nuclear, mísseis poderiam cruzar o Ártico rumo aos EUA, e a posição da ilha no Ártico é tratada como crítica para alerta e monitoramento.
Tentativas de compra e a mudança do foco para minerais críticos
Antes mesmo do debate atual sobre degelo e terras raras, o relato aponta tentativas de compra.
Em 1867, após a compra do Alasca da Rússia, os EUA teriam tentado comprar a Groenlândia da Dinamarca sem acordo. Em 1946, a proposta mencionada foi de 100 milhões de dólares, novamente recusada.
Já no primeiro mandato de Donald Trump, surge o registro de uma tentativa de compra e, em 2019, um acordo com a Groenlândia para impulsionar a indústria de mineração.
É nesse ponto que a pauta muda de mapa para subsolo: EUA miram a Groenlândia por minerais críticos, em especial por terras raras ligadas a turbinas eólicas, carros elétricos e uso militar.
Terras raras, Cavan Feld e a conta bilionária de uma mina
Especialistas em recursos naturais são citados como fonte da avaliação de que os EUA provavelmente estão de olho no potencial de mineração, sobretudo de terras raras no sudoeste.
O depósito mencionado é o de Cavan Feld, descrito como um dos maiores depósitos inexplorados de terras raras e urânio do planeta, com concentrações de metais como túrio e neodímio.
O cenário de implantação é caro. Se a mina a céu aberto recebesse sinal verde, o custo estimado aparece como cerca de 7,5 bilhões de dólares.
A operadora indicada é a australiana Transition Energy Minerals, mas o relato também destaca que, até agora, não há extração ativa no local, mesmo com mapeamentos e pesquisas feitos ao longo de cerca de cem anos.
A lista de recursos e o gargalo de transformar subsolo em produção
Além do foco em terras raras, a ilha é descrita como rica em metais preciosos, como ouro e platina, e em uma gama de metais não ferrosos, como zinco, ferro, cobre, níquel, cobalto e urânio.
Também aparecem grafite e depósitos associados, com áreas pouco exploradas no nordeste e no centro, além de menções à província de Gardar do Sul e a zonas promissoras no sul.
Dois números reforçam a narrativa de abundância.
Um estudo dinamarquês é citado como identificando 31 dos 34 minerais classificados como críticos pela União Europeia encontrados na Groenlândia, incluindo lítio e titânio.
Em outra contagem, a Groenlândia é descrita como possuindo depósitos de 43 de 50 minerais críticos usados por tecnologias diversas.
Em paralelo, especialistas estimam que a demanda por minerais e recursos metálicos pode quadruplicar até 2040, elevando a pressão por minerais críticos e terras raras.
Mas o relato insiste em um contraste: há apenas uma mina comercial ativa, chamada White Mountain, ao norte da capital.
A explicação passa por décadas de licenciamento, extração e transporte, por processamento difícil de terras raras presas em minerais complexos e, em alguns casos, por associação com urânio, que enfrenta controle rigoroso na ilha.
Política, China, urânio e a guinada de 2021
A disputa não fica só na geologia.
O relato descreve que líderes da Groenlândia nos anos 2010 incentivaram o interesse de mineradoras estrangeiras, incluindo empresas chinesas, antes de arrendar o projeto para a Transition Energy Minerals.
Quando a chinesa Shenghe Resources comprou uma grande participação na empresa, isso gerou preocupações na Dinamarca, na União Europeia e nos EUA, por temor de expansão chinesa no mercado de terras raras.
O ponto de ruptura citado é abril de 2021.
Após eleições antecipadas, um novo governo aprovou uma lei que proíbe a mineração de urânio e, no mesmo ano, proibiu atividade adicional nos setores de petróleo e gás.
A leitura atribuída à ministra de recursos naturais é que o impacto ambiental e climático de mais extração de petróleo e gás era alto demais diante do potencial benefício financeiro.
Licenças, infraestrutura mínima e o prazo médio de 16 anos
Mesmo com minerais críticos, a Groenlândia aparece como um lugar onde executar projetos é lento.
Em fevereiro de 2025, o retrato dado é de apenas uma licença de exploração com participação americana, enquanto Canadá e Reino Unido, juntos, detêm 20 licenças.
Ao mesmo tempo, já teriam sido emitidos 100 blocos para prospecção, espalhados pelo território, e o relato menciona perfuração em 170 locais, contra 12 pontos dez anos antes.
A barreira prática é descrita em detalhes: abrir uma mina na Groenlândia leva, em média, 16 anos.
As empresas precisam construir estradas e portos do zero porque quase não há infraestrutura.
O dado repetido é de menos de 159 quilômetros de estradas na ilha, e fora das cidades o deslocamento seria por água ou ar.
Em um Ártico de ventos fortes, gelo flutuante e falhas de comunicação, o degelo altera o acesso, mas não elimina custos, atrasos e risco operacional.
Mão de obra escassa, desemprego baixo e a pressão por migrantes
A dificuldade não é só de estrada e porto.
O relato afirma que o mercado de trabalho é extremamente fechado, com taxa de desemprego de apenas 2%, e cita um PIB per capita de US$ 577.000 como indicador de renda elevada em um território pequeno.
A consequência descrita é direta: quase todo mundo já está trabalhando, e projetos de mineração enfrentam escassez de trabalhadores.
Nesse contexto, a expansão da mineração aparece condicionada a migração.
A lógica apresentada é que, para a Groenlândia capturar receita de minerais críticos e terras raras, precisaria atrair mão de obra de fora.
O degelo, por si só, não resolve essa trava, mesmo quando muda o acesso físico no Ártico.
Falências, projetos abandonados e o risco de investir
O relato lista exemplos de como o risco nem sempre vira lucro.
A mina de rubis e safiras associada à Greenland Ruby teria declarado falência em 2023 com uma dívida de 71 milhões de dólares, buscando reestruturação e novos investidores.
Também se afirma que buscas por diamantes ao longo dos anos não encontraram depósitos comercialmente viáveis.
Há ainda o componente político.
A Transition Energy Minerals, depois das mudanças de 2021, interrompeu planos e exigiu direito de desenvolver o depósito ou compensação de até 11,5 bilhões, valor descrito como quase 10 vezes o orçamento anual médio do país.
Esse choque reforça por que investidores ficam cautelosos, mesmo quando o discurso global sobre minerais críticos e terras raras parece irresistível.
Tanbreeze, pressão diplomática e o alvo das terras raras pesadas
No capítulo mais recente, autoridades americanas e dinamarquesas teriam pressionado a mineradora Tanbreeze para que o projeto do maior depósito de metais de terras raras não fosse vendido a empresas ligadas à China.
O CEO Greg Barnes é citado como tendo sido contatado repetidamente até vender a Tanbreeze Mining para a empresa Critical Metals, sediada em Nova York, em um acordo descrito como complexo e previsto para ser finalizado até o fim deste ano.
O plano de operação aparece com números: a Tanbreeze pretende minerar 500.000 toneladas métricas por ano de um mineral chamado udite, com meta para 2026. Barnes teria recebido 5 milhões de dólares em dinheiro e 211 milhões em ações da Critical Metals, embora o relato diga que propostas chinesas eram maiores.
O depósito é descrito como contendo cerca de 30% de elementos de terras raras pesadas, associados a fins de defesa, e a Critical Metals teria conversado com a Lockheed Martin e planejado negociações futuras com a RTX.
Investidores, gigantes de tecnologia e o efeito vitrine da mineração
A disputa por minerais críticos também ganhou um componente de vitrine financeira.
O relato afirma que Bill Gates e Jeff Bezos, além de alguns aliados de Trump, incluindo o secretário de Comércio, teriam investido em empresas envolvidas em mineração e exploração na Groenlândia.
A mensagem implícita é de que o tema saiu do nicho geológico e entrou no radar de grandes fortunas e de cadeias industriais estratégicas.
Esse movimento reforça um ponto central: quando o degelo expõe oportunidades no Ártico, projetos de terras raras passam a ser lidos como ativos de poder, não apenas como empreendimentos.
E é nesse clima que EUA miram a Groenlândia, tentando influenciar o destino de licenças e de projetos que podem abastecer transição energética e defesa.
A reação local e o histórico de contaminação ambiental
A população é pequena, mas o debate interno é grande.
O relato descreve que cerca de 56.000 pessoas vivem na ilha e que 90% seriam inuítes.
Duas preocupações aparecem como centrais: garantir que os groenlandeses sejam os principais beneficiados financeiramente e evitar que mineração e extração ampliem danos ambientais em um ambiente já pressionado pelo degelo.
O histórico de mineração é usado como alerta.
O relato descreve que rejeitos e rocha residual foram despejados ao longo de rios e litorais, e cientistas teriam encontrado níveis altos de metais em vários níveis da cadeia local, de aranhas a peixes e moluscos, perto de áreas de descarte.
A recuperação seria lenta por causa do clima, das baixas temperaturas e da baixa salinidade.
Minas de chumbo e zinco desenvolvidas na década de 1970 são citadas como ainda contaminadas após mais de 50 anos, com peixes, mexilhões e algas marinhas ainda testando positivo para toxinas.
Degelo, paisagem mais verde e a matemática da perda de gelo
A parte climática entra com números.
O relato diz que, nas últimas três décadas, cerca de 1,6% da camada de gelo derreteu, e que isso corresponde a uma área maior que o País de Gales, maior que a Albânia e um pouco menor que a Bélgica.
Em outra medida, são citados 28.500 km² de gelo derretidas em 30 anos.
A conta completa apresentada é esta: a área total da ilha é de cerca de 2,16 milhões de km², e a camada de gelo cobria 1,76 milhão de km², cerca de 81%. Após a perda citada, a cobertura total cairia para 79%.
O degelo também é associado ao aumento do nível do mar e ao efeito de albedo, com a troca do branco brilhante por verde e rocha escura reduzindo a reflexão de luz solar, o que ampliaria o aquecimento global.
A base sob o gelo, o legado nuclear e 56 lagos ocultos
O Ártico também carrega heranças militares.
Em 2024, ao escanear a superfície congelada do noroeste da Groenlândia, um cientista da NASA teria encontrado por acaso uma estrutura descrita como uma cidade sob o gelo: a base Camp Century, operada de 1959 a 1967.
Ela é associada ao Projeto Iceworm, que planejava lançar mísseis escondidos dentro da camada de gelo, ideia que não teria sido aprovada pelo governo dinamarquês.
O problema apontado é o legado.
O complexo teria usado um reator nuclear e deixado resíduos radioativos, químicos e lixo biológico sob o gelo, na expectativa de que nunca derretesse.
Um estudo de 2016 é citado como estimando que a camada de gelo sobre o local poderia colapsar em 75 anos se o uso de combustíveis fósseis não fosse controlado, o que criaria pressão por limpeza e poderia desencadear disputas políticas entre Dinamarca e EUA.
Ainda em registros aéreos, o relato menciona a identificação de 56 lagos na Groenlândia que não haviam sido estudados antes, quando se acreditava haver apenas quatro na área.
Além disso, aparecem lagos subglaciais descritos como corpos de água sob o gelo, com papel no nível do mar e no entendimento do fluxo de água, variando de 160 metros a 5,8 quilômetros.
A hipótese levantada é que mais aquecimento pode transformar água de degelo superficial em lagos e riachos e ativar sistemas subglaciais.
O que esse tabuleiro revela sobre poder e recursos
Quando se junta tudo, o enredo vira um mapa de pressões: degelo no Ártico, minerais críticos, terras raras, infraestrutura mínima, risco político e uma população que quer controle sobre o próprio território.
Nesse cenário, EUA miram a Groenlândia por defesa e por acesso a cadeias estratégicas, enquanto tentam impedir que projetos de terras raras caiam na órbita chinesa.
Para acompanhar esse tema com clareza, vale observar como licenças, leis de mineração e decisões sobre urânio evoluem até 2026, além do avanço de projetos como Tanbreeze e da discussão ambiental.
Na sua visão, o degelo no Ártico vai pesar mais que minerais críticos e terras raras, ou a disputa geopolítica deve dominar o futuro da Groenlândia?
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