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US$ 90.000.000.000 na economia do Paraguai: país quer ser a China e lança estratégia para virar potência industrial e dobrar o PIB em 10 anos

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 30/01/2026 às 21:28
Atualizado em 30/01/2026 às 21:29
Plano industrial prevê dobrar a economia do Paraguai para US$ 90 bilhões em 10 anos, com maquila, energia barata e novos investimentos.
US$ 90.000.000.000 na economia do Paraguai: país quer ser a China e lança estratégia para virar potência industrial e dobrar o PIB em 10 anos
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Com foco em industrialização, atração de investimentos estrangeiros, expansão da maquila, uso intensivo de energia renovável e reformas regulatórias, o governo aposta em um plano de longo prazo para transformar a economia do Paraguai, elevar exportações, gerar empregos e dobrar o PIB em apenas uma década

A economia do Paraguai está dando ótimos sinais. O país encerrou 2025 com US$ 1,309 bilhão em exportações da maquila, crescimento de 18% no emprego formal e um plano estatal para dobrar o Produto Interno Bruto em dez anos, combinando incentivos industriais, logística fluvial, energia renovável e foco em valor agregado, segundo dados oficiais e estratégias divulgadas recentemente.

OBS: Maquila é um regime industrial especial que permite a empresas estrangeiras produzir no Paraguai com impostos muito reduzidos, desde que a maior parte da produção seja exportada.

A maquila paraguaia voltou a registrar resultados recordes em 2025, consolidando-se como um dos principais vetores de geração de emprego e exportações do país.

Os dados foram apresentados pela Secretaria Nacional da Indústria Maquiladora de Exportação, vinculada ao Ministério da Indústria e Comércio.

O valor total exportado sob o regime alcançou US$ 1,309 bilhão, reforçando a importância da indústria de transformação para uma economia historicamente concentrada na exportação de matérias-primas. O resultado marca mais um ano de crescimento contínuo do setor.

Do montante exportado, US$ 1,262 bilhão correspondeu a bens de consumo e produtos tangíveis. Outros US$ 47 milhões vieram de serviços intangíveis, segmento que começa a ganhar espaço dentro da estrutura da maquila e amplia o escopo do regime.

Impacto no mercado de trabalho e na economia do Paraguai

O avanço das exportações teve impacto direto sobre o mercado de trabalho e a economia do Paraguai. Em 2025, a maquila registrou um crescimento interanual de 18% no emprego formal, totalizando 35.357 postos ativos, o equivalente à criação de 5.401 novos empregos em relação a 2024.

Segundo o responsável interino pela Secretaria Nacional da Indústria Maquiladora de Exportação, Diego Peyrat, o setor não apenas superou a marca de US$ 1 bilhão em exportações, como também reforçou seu papel social ao ampliar a geração de empregos formais.

Esses resultados, divulgados pelo portal abc.com.py, colocam a maquila como um dos pilares da estratégia paraguaia de crescimento industrial e inserção regional, com reflexos diretos na renda, no emprego e na diversificação produtiva.

Autopartes lideram, mas estrutura produtiva se diversifica

A composição das exportações mostra que a maquila paraguaia segue ancorada em setores industriais integrados ao mercado regional. As autopartes lideraram os envios em 2025, respondendo por 34% do total exportado sob o regime.

Na segunda posição aparecem as confecções e os produtos têxteis, com participação de 16%. O segmento é considerado estratégico pela capacidade de absorver mão de obra e pela dinâmica constante de renovação de produtos.

O alumínio e suas manufaturas responderam por 14% das exportações, enquanto os produtos alimentícios representaram 12%. Já plásticos e produtos farmacêuticos somaram 6% do total, com destaque para o crescimento das vendas externas do setor farmacêutico.

Os principais destinos das exportações da maquila continuam concentrados nos países do Mercosul, o que reforça a integração produtiva regional e a importância do bloco para a indústria paraguaia.

Setor têxtil concentra potencial de emprego intensivo

Dentro da estrutura da maquila, o segmento de confecções e têxteis é apontado como um dos mais promissores em termos de expansão futura. Trata-se de um setor caracterizado por ciclos curtos de produção e elevada demanda por mão de obra.

Linhas industriais desse segmento podem empregar entre 500 e 600 trabalhadores em uma única planta dedicada à produção de vestuário. Esse perfil torna o setor relevante para políticas de geração de emprego em escala.

A secretaria registra de forma recorrente solicitações de aprovação de novos programas de maquila por empresas do ramo têxtil, indicando interesse contínuo em ampliar operações no país e aproveitar os incentivos do regime.

2026 combina expectativas positivas e desafios regulatórios

As perspectivas para 2026 e a economia do Paraguai são avaliadas como positivas, embora desafiadoras. A expectativa do governo paraguaio é de que novas leis de investimento, maquila e produção, aprovadas no ano anterior, ampliem o potencial de crescimento do setor industrial.

Segundo Peyrat, as novas normativas devem fortalecer especialmente a maquila de serviços, área que já conta com empresas exportadoras, mas que tende a ganhar maior segurança jurídica e previsibilidade com o novo marco legal.

A estabilidade macroeconômica do Paraguai, combinada a um ambiente jurídico considerado claro e a custos de produção competitivos frente aos países vizinhos, é apontada como fator central para atrair novos projetos industriais.

A expectativa oficial é de que um volume significativo de novos empreendimentos seja apresentado ao longo de 2026, ampliando tanto a base exportadora quanto a geração de empregos formais.

Serviços entram no radar da maquila

A ampliação da maquila de serviços representa uma mudança relevante na lógica tradicional do regime, historicamente associado à produção industrial física. Com a nova legislação, o governo busca atrair empresas voltadas à exportação de serviços.

A estratégia inclui ampliar a segurança jurídica para esse tipo de operação e incentivar a contratação de mão de obra local, especialmente em atividades que demandam qualificação técnica.

A diversificação para serviços é vista como instrumento para reduzir a dependência exclusiva de manufaturas e ampliar a resiliência da base exportadora paraguaia.

Plano Paraguay 2X mira duplicação do PIB em dez anos

Paralelamente ao desempenho da maquila, o Paraguai estruturou uma estratégia industrial de longo prazo conhecida como Paraguay 2X. O plano tem como objetivo dobrar o tamanho da economia em um horizonte de dez anos.

Atualmente, o Produto Interno Bruto do país gira em torno de US$ 45 bilhões. Duplicar esse valor significaria alcançar um patamar próximo de US$ 90 bilhões até meados da próxima década.

Segundo o vice-ministro da Indústria, Marco Riquelme, o país reúne condições estruturais e macroeconômicas para sustentar esse salto, desde que consiga acelerar o processo de industrialização e agregação de valor.

A estratégia foi detalhada em reportagem da revista Forbes e envolve a concentração de esforços em setores considerados estratégicos para a competitividade internacional.

Visibilidade internacional como primeiro passo

De acordo com Riquelme, um dos principais desafios iniciais do plano é ampliar a visibilidade internacional do Paraguai como destino de investimentos produtivos. O país, segundo ele, ainda enfrenta um déficit de conhecimento externo sobre suas vantagens competitivas.

Nesse contexto, a agenda internacional do presidente Santiago Peña é vista como instrumento central para inspirar confiança e atrair investidores, posicionando o Paraguai como alternativa regional viável.

A lógica é mostrar que o país já dispõe de marcos regulatórios, estabilidade macroeconômica e condições estruturais para receber projetos industriais de médio e grande porte.

Foco em 27 produtos e quatro verticais estratégicas

O plano Paraguay 2X identificou 27 produtos nos quais o Paraguai apresenta condições claras de competir nos mercados internacionais. Esses produtos foram agrupados em quatro grandes verticais estratégicas.

A primeira vertical é a de alimentos, aproveitando a forte base agropecuária do país e buscando avançar no processamento e na geração de valor agregado.

A segunda vertical é a metalmecânica, vinculada tanto ao agronegócio quanto à indústria regional, com potencial para integração em cadeias produtivas mais complexas.

A terceira corresponde ao setor florestal, com foco em móveis, celulose e derivados industriais. A quarta vertical envolve novas tecnologias, como Power to X, inteligência artificial e atividades intensivas em energia.

Energia barata como vantagem estrutural

A disponibilidade de energia elétrica abundante e de baixo custo é um dos pilares centrais da estratégia industrial paraguaia. O país gera e consome eletricidade praticamente 100% de origem renovável, proveniente de hidrelétricas.

Essa característica sustenta a atração de indústrias eletrointensivas, embora o governo e o setor privado ressaltem a importância de priorizar atividades que gerem empregos e valor agregado.

Há preocupação com atividades que consomem energia, mas empregam pouca mão de obra, o que poderia limitar os ganhos sociais do modelo no longo prazo.

Incentivos fiscais e ambiente regulatório

Regimes como a maquila, a lei 60/90 e novas normativas para bens de alta tecnologia compõem o pacote de incentivos utilizado pelo Paraguai para competir por investimentos industriais.

Esses instrumentos foram atualizados recentemente, com o objetivo de ampliar sua divulgação internacional e reforçar a competitividade do país em um ambiente regional cada vez mais restritivo em termos fiscais.

Do ponto de vista empresarial, o Paraguai se diferencia por menor carga tributária, menor incidência de impostos indiretos e processos burocráticos mais simples em comparação a outros países do Mercosul.

Mercosul e integração regional

Apesar da integração comercial existente, autoridades paraguaias avaliam que o Mercosul ainda carece de uma identidade clara como bloco industrial integrado. Investidores tendem a analisar Brasil, Argentina e Uruguai de forma isolada.

Avançar para uma visão mais integrada poderia ampliar a atratividade do mercado regional como unidade econômica, facilitando decisões de investimento de maior escala.

Logística e Hidrovia Paraguai–Paraná

A logística é outro eixo central da estratégia industrial. Persistem percepções equivocadas sobre o custo logístico do Paraguai, que acabam excluindo o país de análises iniciais de investidores.

Para enfrentar esse problema, o governo busca fortalecer a marca da Hidrovia Paraguai–Paraná como corredor estratégico de transporte. A via se estende por mais de 3.400 quilômetros.

Mais de 80% do comércio exterior paraguaio é transportado por essa hidrovia, que permite movimentar grandes volumes a custos inferiores aos do transporte rodoviário.

Planejamento territorial e parques industriais

No campo interno, o governo atua em três frentes para sustentar o crescimento industrial. A primeira é o planejamento territorial, com uma nova lei de parques industriais.

O objetivo é coordenar melhor a ocupação do território, delimitando áreas industriais e urbanas em conjunto com os municípios, reduzindo conflitos e ampliando a eficiência logística.

Financiamento como gargalo estrutural

O segundo eixo é o financiamento. O próprio governo reconhece que o país ainda não dispõe de instrumentos suficientes para oferecer crédito de longo prazo a taxas mais baixas para investimentos industriais.

A estratégia envolve trabalhar com o sistema bancário e com a banca pública para desenvolver alternativas que viabilizem projetos de maior porte e maturação mais longa.

Capacitação e capital humano

O terceiro eixo é a capacitação laboral. A expansão industrial exige alinhamento entre formação profissional e demanda das novas indústrias que se instalam no país.

Instituições de treinamento e universidades técnicas são chamadas a desempenhar papel central nesse processo. Ainda assim, há reconhecimento de que as próprias empresas terão de investir na formação de trabalhadores.

Representantes do setor privado alertam que o capital humano pode se tornar o principal gargalo do modelo, tanto na formação quanto na retenção de talentos em um mercado mais dinâmico.

Valor agregado como objetivo central

A industrialização é apresentada como caminho para elevar o valor das exportações paraguaias. Transformar soja em proteína animal ou milho em alimentos processados significa mudar o patamar de preços por tonelada exportada.

Esse movimento tem impacto direto sobre a geração de divisas e sobre os salários pagos internamente. Exportar produtos acabados permite maior remuneração do trabalho do que a venda de matérias-primas.

A lógica defendida é que indústria, agro e serviços não competem entre si, mas se complementam em um modelo integrado de desenvolvimento econômico.

Um modelo em execução

Com incentivos fiscais, energia renovável, logística fluvial, planejamento territorial e foco em capacitação, o Paraguai busca consolidar-se como plataforma produtiva regional.

O desafio está em executar com velocidade e coerência um modelo capaz de transformar vantagens estruturais em desenvolvimento econômico sustentável de longo prazo, mantendo o ritmo de crescimento observado em 2025 e respondendo a um cenário internacional cada vez mais competitivo e volátil, no qual decisões rápidas e coordenação institucional serão determinantes para o sucesso do país, mesmo diante de limitações históricas de financiamento e formação profissional que ainda precisam ser superadas ao longo do tempo.

Este artigo foi elaborado com base em informações publicadas pelo portal abc.com.py sobre o desempenho da maquila paraguaia em 2025 e nas análises da revista Forbes a respeito do plano Paraguay 2X e da estratégia de industrialização do Paraguai para dobrar sua economia em dez anos.

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Geraldo
Geraldo
04/02/2026 13:25

Que Seja! Que Deus os ajude! E não se entreguem aos EUA e China!

Geraldo Matias da Silva Filho
Geraldo Matias da Silva Filho
04/02/2026 08:19

Vejo um novo horizonte e dias de progresso sobre o Paraguai, graças a um governo, que se dispõe em trabalhar em favor do país , unindo o utilizando não só a responsabilidade fiscal do país com um tempo favorável a o crescimento desse país.
Desejo boa sorte ao Paraguai e seu povo que DEUS abençoe essa linda nação em nome do SENHOR JESUS CRISTO Único DEUS Verdadeiro de todas as nações.

Luiz Moura
Luiz Moura
02/02/2026 11:58

Falar todos falam. Quero ver é o resultado. Duvido um aumento do PIB de 100% em 10 anos. Ademais, o povo não se alimenta de PIB, se o crescimento for acompanhado de concentração de renda, de que adianta para o povo. Também, se não estiver nos planos o mercado interno, o PIB será pode até ser grande, mas se a economia for basicamente exportadora, os exportadores ficarão com a renda (os produtos estão saindo do país – não que seja ruim, mas tem de fazer parte de uma engenharia econômica bem mais complexa), a população com o trabalho com salários baixos e o PIB “bonito”. Um PIB alto não é um fim mas um meio. Vamos deixar de lado as tendências políticas e as paixões de lado e avaliar com bases sólidas cada notícia. Enquanto isto acontecer será sempre uma infrutífera guerra de torcidas e nada mais. Espero sinceramente que não apaguem meu comentário de novo.

Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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