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Ele largou a cidade, foi morar na roça e transformou água, galinha, vaca e tanque em um projeto de vida simples, produtivo e sustentável no interior de Minas Gerais, Brasil

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 27/11/2025 a las 12:12
Na roça de Juninho, água, galinha, vaca e tanque mostram como começar do zero e viver do que a pequena fazenda produz.
Na roça de Juninho, água, galinha, vaca e tanque mostram como começar do zero e viver do que a pequena fazenda produz.
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Na roça herdada da família, Juninho organiza a água do córrego em tanque, cria galinha, cuida de cada vaca e mostra como um jovem consegue, com pouco investimento e muito manejo diário, viver da produção própria sem voltar para a correria da cidade, buscando paz, disciplina, aprendizado para o filho.

O que hoje parece uma pequena fazenda organizada já foi apenas um terreno com mato e silêncio. Quando Juninho chegou, não havia galinha, vaca, tanque nem roda d’água: só a certeza de que a roça seria o caminho para construir uma vida mais estável e em família. A partir dali, ele começou a montar, peça por peça, a estrutura básica para produzir comida, gerar renda e ocupar toda a área com algum tipo de criação ou plantio.

Ao redor da casa, no interior de Minas, a lógica é simples e dura: se a roça tem água, galinha, vaca e tanque funcionando bem, a família come, vende alguma coisa e mantém o sítio de pé. Sem isso, o custo da cidade volta a chamar.

Do nada a mais de 100 galinha no quintal

Na roça de Juninho, água, galinha, vaca e tanque mostram como começar do zero e viver do que a pequena fazenda produz.

O começo foi modesto. Juninho ganhou de um vizinho um casal de aves, um galo e uma galinha, e começou a tirar os primeiros pintinhos.

Hoje, ele calcula ter cerca de 70 galinha soltas pelo quintal e mais aproximadamente 30 galinha presas em instalações específicas para produção de ovos.

Essa galinha não é só um símbolo da roça, mas parte central da renda e da alimentação. Ele aprendeu, na prática, que o manejo influencia diretamente a saúde das aves.

Colocar ração demais fez algumas ficarem pesadas demais, chegando perto de 5 kg, o que aumenta problemas de pata e mortalidade.

Aos poucos, foi entendendo que o ideal é trabalhar com quantidade de ração por cabeça, na casa de 250 g a 400 g por galinha, distribuída corretamente no coxo.

Além da galinha, o quintal foi ganhando vida com patos que chegaram voando do mato, se adaptaram ao tanque e foram domesticados.

Também há angolas, perus e porcos, todos organizados em áreas diferentes.

O resultado é um sistema vivo, em que a diversidade de criação protege a família contra a dependência de um único produto da roça.

Vaca, pasto e rotina de ordenha enxuta

Na roça de Juninho, água, galinha, vaca e tanque mostram como começar do zero e viver do que a pequena fazenda produz.

Se a galinha garante ovo e carne, a vaca é a base do leite e da continuidade da tradição da família. Juninho trabalha com poucas vacas, focando mais na qualidade do manejo do que em alta escala.

A vaca que mais produz hoje entrega cerca de 10 litros de leite por dia, com apenas uma ordenha diária, o que reduz desgaste do animal e demanda de mão de obra.

O pasto é majoritariamente de braquiarão, plantado em área montanhosa.

Ele organiza o rebanho em sistema simples de rodízio: a cada sete dias, troca as vacas de manga.

O objetivo é evitar que o pasto fique rapado demais, mantendo a altura em torno de 30 centímetros, o que favorece o rebrote e a conservação do solo.

A cena da vaca na roça vai além do leite.

Há um ganso que praticamente adotou uma vaca específica, acompanha o animal para todo lado e virou personagem da fazenda, reforçando o vínculo afetivo da família com a própria criação.

Para Juninho, cada vaca representa uma combinação de memória, trabalho e responsabilidade com o que foi construído por três gerações.

Tanque de peixe, água em movimento e conta de luz bem mais baixa

Video de YouTube

Em um terreno rural, a água é o ativo mais estratégico.

No caso de Juninho, ela vem de um córrego conhecido na região, com nascente na chapada e várias contribuições de outras nascentes ao longo do curso.

Antes da pandemia, o local tinha apenas o leito do córrego; não havia tanque para represar ou trabalhar a água.

Ele decidiu investir em infraestrutura.

Cavou o primeiro tanque na parte de cima, depois expandiu para outros pontos.

Hoje, o sistema tem três tanque principais, interligados por canos de 100 mm e 200 mm enterrados.

Nos tanques, ele cria tilápia, tambaqui e traíra, usando a roça não só para gado e galinha, mas também para peixe, outra frente de alimento e potencial renda.

A virada técnica veio com a instalação de uma roda d’água.

Antes, toda a distribuição dependia de bomba elétrica, o que elevava muito a conta de energia.

A roda d’água, instalada com investimento em torno de R$ 7.000 na época (máquina, mão de obra e tubulação), hoje provavelmente custaria perto de R$ 9.000.

Ela aproveita a queda da água do córrego para movimentar o sistema e enviar água para o pomar, o curral, o galinheiro e a horta, sem consumo elétrico.

Na prática, cada tanque e cada metro de cano diminuem a vulnerabilidade da roça à falta de chuva e à conta de luz, mostrando como soluções simples de engenharia rural podem transformar o dia a dia do pequeno produtor.

Educação do filho dentro da roça e da rotina de trabalho

A vida de Juninho na roça não é só produção: é também formação de uma nova geração.

O filho, chamado carinhosamente de Netinho, participa do manejo diário sempre que não está na escola.

Ele ajuda a colher ovos, acompanha o pai no curral e aprende a lidar com galinha, vaca, tanque e toda a estrutura rural.

Juninho paga ao filho R$ 2 por dia de ajuda, conectando o trabalho na roça com a ideia de disciplina, responsabilidade e recompensa.

Em vez de brinquedos comprados a qualquer momento, as grandes datas, como aniversário e Natal, são usadas para reforçar a noção de conquista: o curralzinho de madeira que o menino tanto queria chegou como “presente esperado”, e não como consumo impulsivo.

A mensagem é clara: as coisas custam esforço e tempo.

A roça vira sala de aula prática, onde a criança aprende a lidar com animais, com a água, a respeitar as limitações da terra e a entender que o trabalho, mesmo simples, devolve em forma de comida, conforto básico e pequenas alegrias.

Vender o que a roça produz ainda é um dos maiores desafios

Mesmo com água garantida, tanque cheio de peixe, galinha produzindo e vaca oferecendo leite diário, a comercialização continua sendo um ponto sensível.

Juninho comenta a dificuldade de vender laranja, mexerica e outros produtos do pomar para sacolões que já têm cadeia logística estruturada, muitas vezes comprando de outros estados, como o Ceará.

O mesmo vale para o leite e para os ovos: a roça produz, mas encaixar essa produção em um mercado competitivo exige relacionamento, transporte e volume.

Muitas vezes, ele recorre à venda direta para conhecidos da cidade mais próxima, oficinas onde leva o carro ou pequenos pontos de comércio local.

Esse cenário reforça um dilema clássico do pequeno produtor: a roça tem potencial para gerar muito mais, mas sem rede de comercialização o crescimento é limitado.

Por isso, o incentivo para que Juninho crie um canal na internet, um perfil de rede social mostrando a vida na roça, não é apenas entretenimento.

É uma estratégia possível para aproximar consumidor urbano e produtor rural, dar visibilidade à rotina com galinha, vaca, tanque e mostrar de onde vem o alimento.

Paz, continuidade e o futuro na roça

Apesar de ter vivido na capital, Juninho não se vê mais voltando para a correria da cidade.

Ele valoriza a paz sonora da roça, onde qualquer barulho de carro se destaca à distância.

Para ele, o que pesa é a sensação de continuidade: ele é a terceira geração à frente da terra, e o filho, a quarta, já criada no meio de galinha, vaca, tanque, água corrente e pasto verde.

A visão de futuro não é de enriquecimento rápido, mas de conforto simples: casa organizada, produção suficiente para sustentar a família, algum excedente para vender e liberdade para criar o filho em contato com a natureza.

A satisfação vem das pequenas conquistas, como ver o pasto se recuperando, a água voltando limpa para o córrego depois de acionar a roda d’água, ou o filho feliz por ajudar e ganhar seu próprio dinheiro.

Para quem vive na cidade e flerta com a ideia de mudar para a roça, a história de Juninho mostra que começar do zero é possível, desde que haja água bem usada, tanque planejado, galinha, vaca e disposição para aprender um pouco de tudo.

O próximo passo, tanto para ele quanto para outros pequenos produtores, pode ser justamente tornar essa rotina mais visível, seja em feiras locais, seja nas redes sociais, aproximando consumidor e campo e fortalecendo quem insiste em produzir alimento em escala familiar.

Se você se interessa por esse tipo de vida rural, uma atitude concreta é buscar produtores pequenos na sua região, priorizar a compra de ovos, leite, frutas e carne de quem trabalha nesse modelo e acompanhar conteúdos que mostram, sem filtro, como funciona a roça que realmente põe comida na mesa do país.

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Felício Delgado
Felício Delgado
03/12/2025 16:28

Bonita história, grande exemplo e retrato de determinação. Faltou mostrar o pomar.

Edmo Ferreira
Edmo Ferreira
03/12/2025 06:13

Parabéns pela informação e pela história séria.
Tomara que o Juninho persevere na sua empreitada e que o nosso bom Deus ilumine toda a sua família.

Nivaldo
Nivaldo
03/12/2025 00:00

Apoio completamente toda iniciativa. Acredito que a vida rural é importantíssima na **** humana . Produtores rurais tem meu total respeito e, principalmente a agricultura familiar.
Parabéns a roça !

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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