1. Inicio
  2. / Curiosidades
  3. / Eles sugam água do mar suja e salgada, espremem em máquinas gigantes, tiram 99,8% do sal e em 90 minutos entregam água potável que ajuda a matar a sede de 300 milhões de pessoas mesmo
Tiempo de lectura 6 min de lectura Comentarios 2 comentarios

Eles sugam água do mar suja e salgada, espremem em máquinas gigantes, tiram 99,8% do sal e em 90 minutos entregam água potável que ajuda a matar a sede de 300 milhões de pessoas mesmo

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 25/12/2025 a las 17:22
Usina de dessalinização tira sal da água do mar, entrega água potável com osmose reversa, gera salmoura concentrada e abastece costeiras e regiões secas.
Usina de dessalinização tira sal da água do mar, entrega água potável com osmose reversa, gera salmoura concentrada e abastece costeiras e regiões secas.
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
54 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Em uma usina de dessalinização, água do mar suja e salgada percorre filtros, tanques e membranas de osmose reversa, perde 99,8% do sal, vira água potável em cerca de 90 minutos e ajuda a garantir abastecimento diário para parte de 300 milhões de pessoas em regiões áridas e costeiras críticas

Todos os dias, uma única planta de dessalinização leva cerca de 90 minutos para transformar lotes de água do mar em água potável, removendo 99,8% do sal com ajuda de bombas de alta pressão, filtros em série e membranas semipermeáveis capazes de deixar passar apenas moléculas de água e reter quase todo o restante dos sais e impurezas.

Em escala global, cerca de 20 mil usinas semelhantes já produzem mais de 45 bilhões de litros por dia e fornecem água potável para mais de 300 milhões de pessoas, sobretudo em regiões onde rios e reservatórios não dão conta da demanda. O processo é intensivo em energia, exige controle rigoroso de qualidade e virou parte central da estratégia hídrica de países que vivem cercados de mar e com pouca água doce disponível.

Como a água do mar entra na usina até virar água potável

Usina de dessalinização tira sal da água do mar, entrega água potável com osmose reversa, gera salmoura concentrada e abastece costeiras e regiões secas.

O caminho da água potável começa ainda no oceano.

A captação é feita a centenas de metros da costa, em um ponto escolhido para garantir fluxo constante e minimizar o impacto sobre a vida marinha. Um tubo de cerca de 63 centímetros de diâmetro suga aproximadamente 15 milhões de litros por dia, o equivalente a mais de 10 mil litros por minuto, ou uma banheira cheia a cada segundo.

Logo na entrada, grandes grades metálicas funcionam como peneiras, barrando tudo que tenha mais de 4 ou 5 milímetros de diâmetro, como moluscos, águas-vivas, caranguejos e pequenos peixes.

A água segue por dutos subterrâneos até a usina de dessalinização, ainda carregando sedimentos e partículas em suspensão que precisam ser removidos antes da etapa mais sensível do processo.

Pré-tratamento: filtros de areia, química e tanques gigantes

Usina de dessalinização tira sal da água do mar, entrega água potável com osmose reversa, gera salmoura concentrada e abastece costeiras e regiões secas.

Antes de chegar às membranas que separam sal e água potável, a água do mar passa por uma sequência de pré-tratamentos.

Primeiro, atravessa leitos de areia em grandes tanques.

A gravidade força a passagem pelos espaços minúsculos entre os grãos, onde a sujeira se agarra, retendo partículas em suspensão que ainda escaparam das grades iniciais.

Mesmo assim, a água continua com partículas microscópicas.

Para removê-las, enormes pás agitadoras misturam a água com hipoclorito de sódio, que desinfeta, e sulfato férrico, que atua como coagulante.

Esse coagulante se liga aos resíduos e à areia, formando flocos maiores que afundam, levando boa parte da sujeira para o fundo dos tanques.

Uma segunda etapa de filtragem com leitos de areia agitadas por ar completa o pré-tratamento, refinando ainda mais a limpeza.

Depois dessas fases, a água é armazenada em reservatórios de até meio milhão de litros.

Agora visualmente limpa e com muito menos partículas, ela está pronta para enfrentar a etapa que realmente separa o sal da futura água potável: a osmose reversa em alta pressão.

Osmose reversa: coração da transformação em água potável

Video de YouTube

O sal dissolve-se na água porque as moléculas de água o atraem e estabilizam. Romper essa ligação é o grande desafio para transformar água do mar em água potável.

A usina faz isso com um sistema de bombas que aumenta gradualmente a pressão até cerca de 60 bar, ou 60 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar.

Sob essa pressão extrema, a água entra em tubos equipados com membranas semipermeáveis enroladas em camadas.

Essas membranas têm poros até 100 vezes mais finos que um fio de cabelo humano e deixam passar apenas moléculas de água, retendo sais e outras impurezas.

Cada tubo abriga oito membranas, e a planta inteira pode ter algo em torno de dez mil membranas em operação, monitoradas em tempo real.

No centro de cada módulo, um coletor reúne a água que atravessou as membranas. Esse fluxo é o permeado, a base da nova água potável.

Do lado de fora, fica o concentrado, uma salmoura espessa com alta concentração de sais e outras substâncias.

O balanço final é claro: para cada dois litros de água salgada, sai um litro de água doce e um volume menor de salmoura que precisa de destino controlado.

O que acontece com o sal, os resíduos e a salmoura concentrada

Nem tudo que sai da usina vira água potável. A salmoura rejeitada e os sólidos retidos nos estágios anteriores têm de ser tratados para reduzir impactos ambientais.

A salmoura concentrada é diluída e devolvida ao mar em pontos calculados para não alterar significativamente a salinidade local, evitando prejuízos à fauna e à flora marinhas.

Já os resíduos sólidos, como partículas, lama e flocos formados pelo coagulante, seguem para tanques específicos de tratamento químico.

Lá, os sólidos se depositam no fundo, parte é reaproveitada no início do processo e outra parte passa por prensas que extraem a água remanescente antes do descarte em aterros controlados.

Sem esse gerenciamento, o processo de dessalinização deixaria um passivo ambiental incompatível com a proposta de garantir água em regiões vulneráveis.

Ajustes finais, remineralização e testes de qualidade

Mesmo após a osmose reversa, a água potável precisa de ajustes para chegar à torneira em condições ideais.

A remoção quase total de sais pode alterar o pH, tornando a água ligeiramente ácida ou básica demais.

Para corrigir isso, operadores adicionam ácidos ou bases em doses precisas, ajustando o pH para a faixa recomendada pelas autoridades sanitárias.

Como essa água tem concentração muito baixa de minerais essenciais, como cálcio e magnésio, a usina faz a remineralização, devolvendo parte desses elementos.

Isso melhora o sabor, reequilibra o perfil mineral e traz benefícios à saúde.

Na etapa final, a água potável recebe cloro em dosagem controlada, criando uma barreira extra contra microrganismos que possam sobreviver ao percurso até os reservatórios urbanos e redes de distribuição.

Antes de seguir para a cidade, amostras passam por testes extensivos que analisam turbidez, sólidos dissolvidos, metais pesados e resíduos de desinfetantes.

Sistemas automatizados acompanham continuamente os parâmetros químicos, garantindo que cada litro entregue esteja dentro dos padrões legais para consumo humano.

Escala global: 7 milhões de litros por dia aqui, 45 bilhões no planeta

A planta descrita converte cerca de 7 milhões de litros de água salgada em água potável por dia, o suficiente para abastecer uma cidade de porte médio se combinada a outras fontes.

Essa capacidade depende diretamente do fornecimento contínuo de energia e do bom estado das membranas e bombas de alta pressão, que concentram a maior parte dos custos operacionais.

No mundo, mais de 19 mil usinas de dessalinização já produzem mais de 45 bilhões de litros diários, e estimativas apontam que aproximadamente 300 milhões de pessoas dependem de alguma forma de água potável vinda do mar.

O avanço dessa tecnologia transformou países pobres em água doce, mas ricos em litoral, em casos emblemáticos de adaptação à escassez hídrica, embora a conta energética e ambiental continue no centro do debate técnico.

Diante de um cenário em que máquinas gigantes conseguem entregar água potável em 90 minutos a partir de água do mar, você acha que a dessalinização deve ser prioridade absoluta de investimento em regiões secas ou que o foco ainda deveria estar primeiro em economizar e recuperar melhor a água doce que já temos disponível?

Inscreva-se
Notificar de
guest
2 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Elizeo Bronzatto
Elizeo Bronzatto
28/12/2025 23:50

Necessário e ótimo em todos os sentidos.
No futuro creio que dependeremos desses processos para abastecimento em tempos de secas,
e escacez por alto consumo.

Edison Roque da Silva
Edison Roque da Silva
25/12/2025 20:58

Quanto custa uma usina de dessalinizacao?

Etiquetas
Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartir en aplicaciones
2
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x