Em uma usina de dessalinização, água do mar suja e salgada percorre filtros, tanques e membranas de osmose reversa, perde 99,8% do sal, vira água potável em cerca de 90 minutos e ajuda a garantir abastecimento diário para parte de 300 milhões de pessoas em regiões áridas e costeiras críticas
Todos os dias, uma única planta de dessalinização leva cerca de 90 minutos para transformar lotes de água do mar em água potável, removendo 99,8% do sal com ajuda de bombas de alta pressão, filtros em série e membranas semipermeáveis capazes de deixar passar apenas moléculas de água e reter quase todo o restante dos sais e impurezas.
Em escala global, cerca de 20 mil usinas semelhantes já produzem mais de 45 bilhões de litros por dia e fornecem água potável para mais de 300 milhões de pessoas, sobretudo em regiões onde rios e reservatórios não dão conta da demanda. O processo é intensivo em energia, exige controle rigoroso de qualidade e virou parte central da estratégia hídrica de países que vivem cercados de mar e com pouca água doce disponível.
Como a água do mar entra na usina até virar água potável

O caminho da água potável começa ainda no oceano.
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A captação é feita a centenas de metros da costa, em um ponto escolhido para garantir fluxo constante e minimizar o impacto sobre a vida marinha. Um tubo de cerca de 63 centímetros de diâmetro suga aproximadamente 15 milhões de litros por dia, o equivalente a mais de 10 mil litros por minuto, ou uma banheira cheia a cada segundo.
Logo na entrada, grandes grades metálicas funcionam como peneiras, barrando tudo que tenha mais de 4 ou 5 milímetros de diâmetro, como moluscos, águas-vivas, caranguejos e pequenos peixes.
A água segue por dutos subterrâneos até a usina de dessalinização, ainda carregando sedimentos e partículas em suspensão que precisam ser removidos antes da etapa mais sensível do processo.
Pré-tratamento: filtros de areia, química e tanques gigantes

Antes de chegar às membranas que separam sal e água potável, a água do mar passa por uma sequência de pré-tratamentos.
Primeiro, atravessa leitos de areia em grandes tanques.
A gravidade força a passagem pelos espaços minúsculos entre os grãos, onde a sujeira se agarra, retendo partículas em suspensão que ainda escaparam das grades iniciais.
Mesmo assim, a água continua com partículas microscópicas.
Para removê-las, enormes pás agitadoras misturam a água com hipoclorito de sódio, que desinfeta, e sulfato férrico, que atua como coagulante.
Esse coagulante se liga aos resíduos e à areia, formando flocos maiores que afundam, levando boa parte da sujeira para o fundo dos tanques.
Uma segunda etapa de filtragem com leitos de areia agitadas por ar completa o pré-tratamento, refinando ainda mais a limpeza.
Depois dessas fases, a água é armazenada em reservatórios de até meio milhão de litros.
Agora visualmente limpa e com muito menos partículas, ela está pronta para enfrentar a etapa que realmente separa o sal da futura água potável: a osmose reversa em alta pressão.
Osmose reversa: coração da transformação em água potável
O sal dissolve-se na água porque as moléculas de água o atraem e estabilizam. Romper essa ligação é o grande desafio para transformar água do mar em água potável.
A usina faz isso com um sistema de bombas que aumenta gradualmente a pressão até cerca de 60 bar, ou 60 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar.
Sob essa pressão extrema, a água entra em tubos equipados com membranas semipermeáveis enroladas em camadas.
Essas membranas têm poros até 100 vezes mais finos que um fio de cabelo humano e deixam passar apenas moléculas de água, retendo sais e outras impurezas.
Cada tubo abriga oito membranas, e a planta inteira pode ter algo em torno de dez mil membranas em operação, monitoradas em tempo real.
No centro de cada módulo, um coletor reúne a água que atravessou as membranas. Esse fluxo é o permeado, a base da nova água potável.
Do lado de fora, fica o concentrado, uma salmoura espessa com alta concentração de sais e outras substâncias.
O balanço final é claro: para cada dois litros de água salgada, sai um litro de água doce e um volume menor de salmoura que precisa de destino controlado.
O que acontece com o sal, os resíduos e a salmoura concentrada
Nem tudo que sai da usina vira água potável. A salmoura rejeitada e os sólidos retidos nos estágios anteriores têm de ser tratados para reduzir impactos ambientais.
A salmoura concentrada é diluída e devolvida ao mar em pontos calculados para não alterar significativamente a salinidade local, evitando prejuízos à fauna e à flora marinhas.
Já os resíduos sólidos, como partículas, lama e flocos formados pelo coagulante, seguem para tanques específicos de tratamento químico.
Lá, os sólidos se depositam no fundo, parte é reaproveitada no início do processo e outra parte passa por prensas que extraem a água remanescente antes do descarte em aterros controlados.
Sem esse gerenciamento, o processo de dessalinização deixaria um passivo ambiental incompatível com a proposta de garantir água em regiões vulneráveis.
Ajustes finais, remineralização e testes de qualidade
Mesmo após a osmose reversa, a água potável precisa de ajustes para chegar à torneira em condições ideais.
A remoção quase total de sais pode alterar o pH, tornando a água ligeiramente ácida ou básica demais.
Para corrigir isso, operadores adicionam ácidos ou bases em doses precisas, ajustando o pH para a faixa recomendada pelas autoridades sanitárias.
Como essa água tem concentração muito baixa de minerais essenciais, como cálcio e magnésio, a usina faz a remineralização, devolvendo parte desses elementos.
Isso melhora o sabor, reequilibra o perfil mineral e traz benefícios à saúde.
Na etapa final, a água potável recebe cloro em dosagem controlada, criando uma barreira extra contra microrganismos que possam sobreviver ao percurso até os reservatórios urbanos e redes de distribuição.
Antes de seguir para a cidade, amostras passam por testes extensivos que analisam turbidez, sólidos dissolvidos, metais pesados e resíduos de desinfetantes.
Sistemas automatizados acompanham continuamente os parâmetros químicos, garantindo que cada litro entregue esteja dentro dos padrões legais para consumo humano.
Escala global: 7 milhões de litros por dia aqui, 45 bilhões no planeta
A planta descrita converte cerca de 7 milhões de litros de água salgada em água potável por dia, o suficiente para abastecer uma cidade de porte médio se combinada a outras fontes.
Essa capacidade depende diretamente do fornecimento contínuo de energia e do bom estado das membranas e bombas de alta pressão, que concentram a maior parte dos custos operacionais.
No mundo, mais de 19 mil usinas de dessalinização já produzem mais de 45 bilhões de litros diários, e estimativas apontam que aproximadamente 300 milhões de pessoas dependem de alguma forma de água potável vinda do mar.
O avanço dessa tecnologia transformou países pobres em água doce, mas ricos em litoral, em casos emblemáticos de adaptação à escassez hídrica, embora a conta energética e ambiental continue no centro do debate técnico.
Diante de um cenário em que máquinas gigantes conseguem entregar água potável em 90 minutos a partir de água do mar, você acha que a dessalinização deve ser prioridade absoluta de investimento em regiões secas ou que o foco ainda deveria estar primeiro em economizar e recuperar melhor a água doce que já temos disponível?
Necessário e ótimo em todos os sentidos.
No futuro creio que dependeremos desses processos para abastecimento em tempos de secas,
e escacez por alto consumo.
Quanto custa uma usina de dessalinizacao?