Análise global confirma que os oceanos absorveram uma quantidade de energia equivalente a 37 anos de consumo humano em 2025, estabelecendo o nono recorde consecutivo de calor e alertando para a aceleração de eventos climáticos extremos que afetam diretamente a biodiversidade e a segurança costeira mundial
Uma equipe global de cientistas confirmou que os oceanos absorveram níveis inéditos de energia em 2025, totalizando 23 zettajoules. Os dados, publicados na Advances in Atmospheric Sciences, indicam a continuidade de uma tendência de aquecimento que intensifica eventos extremos e altera padrões globais.
As descobertas foram divulgadas hoje, 9 de janeiro, e detalham que o conteúdo de calor dos oceanos alcançou um patamar sem precedentes. Este cenário representa a continuação de uma tendência de aquecimento de longo prazo observada nas últimas décadas.
O volume de calor absorvido em 2025 é de 23.000.000.000.000.000.000.000 joules. Essa magnitude energética é comparável a aproximadamente 37 anos de todo o consumo de energia primária do mundo, baseando-se nas taxas de uso registradas em 2023.
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Naquele ano base, o consumo global girava em torno de 620 exajoules anuais. A análise apresentada reflete o esforço conjunto de mais de 50 pesquisadores vinculados a 31 instituições diferentes ao redor do planeta.
O estudo se consolida como uma das avaliações mais abrangentes já realizadas sobre o calor oceânico até o momento presente. Ele destaca a capacidade dos oceanos de armazenar energia térmica em escalas massivas.
Metodologia e fontes de dados globais
Para mensurar o aquecimento com precisão, os cientistas unificaram múltiplas fontes de dados independentes. Estas informações provêm de importantes centros internacionais de monitoramento climático e oceanográfico.
Entre as fontes utilizadas estão três produtos de observação distintos. Eles incluem dados do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências, do Copernicus Marine e do NOAA/NCEI.
Além desses, foi utilizada uma reanálise oceânica conhecida tecnicamente como CIGAR-RT. A combinação desses conjuntos de dados permite uma cobertura geográfica que engloba a Ásia, a Europa e as Américas.
Essa integração fornece um panorama consistente sobre o aumento da temperatua dos oceanos. Todos os conjuntos de dados analisados confirmam que o conteúdo de calor atingiu seu nível mais alto já registrado em 2025.
Isso reforça as evidências científicas de que os oceanos continuam a absorver quantidades crescentes de energia ano após ano. O oceano é fundamental na regulação do clima, retendo mais de 90% do calor extra gerado por gases de efeito estufa.
Por essa razão, o conteúdo de calor oceânico é considerado um dos indicadores mais confiáveis das mudanças climáticas a longo prazo. Ele mede a quantidade acumulada de calor nas águas ao longo do tempo.
Distribuição desigual do aquecimento nas bacias
O processo de aquecimento não ocorre de maneira uniforme em toda a extensão global. Em 2025, cerca de 16% da superfície oceânica mundial atingiu seu maior teor de calor já registrado historicamente.
Simultaneamente, aproximadamente 33% da superfície figurou entre os três anos mais quentes já observados nessas respectivas regiões. O aquecimento mostrou-se mais acentuado em áreas específicas do planeta.
As regiões mais afetadas incluíram os oceanos tropicais e o Atlântico Sul. O Pacífico Norte e o Oceano Antártico também registraram elevações térmicas significativas em suas águas.
As tendências gerais indicam que o aquecimento oceânico acelerou desde a década de 1990. Nos 2000 metros superiores da coluna d’água, o acúmulo de calor manteve-se relativamente estável nas últimas décadas.
Apesar dessa estabilidade relativa, os cientistas detectaram um ligeiro aumento na taxa de aquecimento dessa camada. O ano de 2025 marca o nono ano consecutivo em que um novo recorde de calor foi estabelecido.
Temperaturas superficiais e consequências climáticas
A temperatura média global da superfície do mar em 2025 foi a terceira mais quente já registrada por instrumentos. Os valores permaneceram cerca de 0,5 °C acima da média observada entre 1981 e 2010.
Houve uma ligeira redução nas temperaturas superficiais em comparação com 2023 e 2024. Esse fato deve-se principalmente à transição do fenômeno El Niño para o La Niña no Pacífico tropical.
As temperaturas da superfície são cruciais pois influenciam fortemente os padrões clmaticos em todo o mundo. Águas mais quentes intensificam a evaporação e aumentam o volume de chuvas.
Essas condições contribuem para a formação de ciclones tropicais mais fortes e eventos extremos. Em 2025, tais condições influenciaram graves inundações em grande parte do Sudeste Asiático.
Também foram registrados impactos como a seca prolongada no Oriente Médio. Inundações adicionais ocorreram em partes do México e na região do Noroeste do Pacífico.
O aumento da temperatura contribui ainda para a elevação do nível do mar através da expansão térmica. Além disso, intensifica e prolonga ondas de calor, adicionando umidade e energia à atmosfera.
Enquanto a Terra continuar a gerar excesso de energia, o conteúdo de calor dos oceanos seguirá aumentando. Novos recordes continuarão a ser batidos conforme essa tendência persistir.
Detalhes da publicação e contexto científico
Os resultados completos serão publicados em uma coleção especial da revista Advances in Atmospheric Sciences. O foco da edição é especificamente as Mudanças no Conteúdo de Calor Oceânico.
A capa da coleção apresenta ilustrações artísticas de um camarão e um caranguejo com expressões tristes. A ideia foi sugerida por Lijing Cheng, autora correspondente do estudo e vinculada ao Instituto de Física Atmosférica.
Cheng explica que a inspiração veio dos «soldados camarão e generais caranguejo» da obra Jornada ao Oeste. Eles foram reimaginados não como guardiões poderosos, mas como criaturas vulneráveis.
Suas armaduras naturais, compostas por carapaças e escamas, estão sob ataque devido ao aquecimento e à acidificação. A coleção explorará múltiplas dimensões da mudança de temperatura oceânica em estudos regionais detalhados.
Haverá foco nas águas ao redor da China, do Pacífico Sul e do Oceano Índico. O cientista climático Kevin Trenberth observou no prefácio que a coleção foi projetada para crescer com o tempo.
O objetivo é refletir os avanços contínuos na ciência climática. Apesar da evolução do conhecimento, a maior incerteza reside na reação da humanidade frente aos dados.
Reduzir emissões e agir coletivamente são caminhos apontados para proteger o clima. É necessário preparar-se para impactos futuros para garantir que ecossistemas e pessoas possam prosperar.
Este artigo foi produzido com base nos dados e informações do estudo publicado na revista Advances in Atmospheric Sciences, realizado por uma equipe de mais de 50 pesquisadores de 31 instituições globais e divulgado em 9 de janeiro de 2025.
Este artigo foi produzido com base nos dados e informações do estudo publicado na revista Advances in Atmospheric Sciences, realizado por uma equipe de mais de 50 pesquisadores de 31 instituições globais e divulgado em 9 de janeiro de 2025.
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