Em pleno Deserto de Nevada, uma cidade inteira é erguida do nada todos os anos para receber o Burning Man, festival que mistura arte, música, espiritualidade e experimentação social — e desaparece sem deixar vestígios
Todos os anos, no fim de agosto, uma cidade inteira surge do nada em pleno Deserto de Black Rock, no estado de Nevada, nos Estados Unidos. Essa cidade efémera, chamada Black Rock City, abriga o famoso festival Burning Man — um evento que mistura arte, música, espiritualidade e experimentação social.
Poucos dias depois, no início de setembro, tudo desaparece sem deixar vestígios, como se nunca tivesse existido.
A origem do Burning Man
A história do festival começou de forma simples e espontânea. Em 1986, dois amigos, Jerry James e Larry Harvey, reuniram um pequeno grupo na praia de Baker Beach, em São Francisco, para celebrar o solstício de verão.
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Juntos, queimaram uma enorme escultura de madeira em formato de homem, criando um ritual simbólico que rapidamente atraiu curiosos e novos participantes.
O sucesso do evento levou à repetição nos anos seguintes. No entanto, com o crescimento da popularidade, as autoridades locais acabaram proibindo a realização da “queima” em Baker Beach.
Diante disso, os organizadores decidiram mudar o local da celebração e encontraram no Deserto de Black Rock o cenário ideal para dar continuidade ao projeto.
O novo espaço oferecia isolamento, liberdade e vastidão. Por estar longe de áreas urbanas, o som e as atividades do festival não incomodavam ninguém, permitindo um ambiente de pura expressão e criatividade.
Como nasce uma cidade no deserto
Black Rock City é inteiramente construída do zero todos os anos. Cerca de 70 mil voluntários participam da montagem, criando uma verdadeira metrópole temporária no meio do nada.
O ponto central da cidade é o chamado “Golden Spike”, uma estaca simbólica de onde partem as linhas que formam o desenho em formato de semi-círculo.
A partir daí são traçadas as ruas e os setores que abrigam tendas, instalações artísticas e espaços comunitários.
Tudo é cuidadosamente planejado, pesquisado e erguido em apenas sete dias. A estrutura é pensada para ser sustentável e de fácil desmontagem, já que, ao término do evento, tudo deve ser removido. A ideia é não deixar rastros físicos no deserto.

O conceito e os dez princípios
O Burning Man é muito mais do que um festival de música. Ele representa um experimento social baseado em valores de comunidade, criatividade e autonomia.
Em 2004, Larry Harvey formulou os dez princípios que orientam o evento: Inclusão radical, Presentear, Desmercantilização, Auto-suficiência radical, Auto-expressão radical, Esforço comunitário, Responsabilidade cívica, Não deixar rasto, Participação e Imediatismo.
Esses conceitos incentivam a liberdade individual e a colaboração coletiva. O objetivo é criar um ambiente onde não exista comércio nem publicidade, apenas trocas simbólicas e convivência genuína.
Cada pessoa é incentivada a contribuir com algo — seja arte, performance, ensino ou simples ajuda prática.
O festival abriga diversas atividades: shows, exposições, teatro, oficinas, aulas de ioga e instalações que transformam o deserto em uma galeria a céu aberto.
O tema muda todos os anos, mas o espírito permanece o mesmo: celebrar a autoexpressão e a vida em comunidade.
O contraste entre ideal e realidade
Com o passar do tempo, o Burning Man ganhou fama mundial e passou a atrair celebridades, influenciadores e milionários. Isso trouxe críticas à coerência entre os princípios originais e a prática atual.
Enquanto o evento nasceu da ideia de desapego e igualdade, hoje há quem pague quase 500 dólares por ingresso e viaje de jato particular até o deserto.
Além disso, surgiram áreas exclusivas, conhecidas como “bairros de luxo”, com motorhomes sofisticados e serviços particulares para hóspedes VIPs.
Essa transformação levanta questionamentos sobre o quanto o festival ainda representa seus valores fundadores.
Apesar disso, a experiência continua encantando milhares de pessoas que buscam, ao menos por uma semana, viver de forma diferente da rotina urbana.
Como chegar à Black Rock City
Para quem deseja participar, o trajeto começa pelo aeroporto de Reno, no estado de Nevada. A organização oferece o Burner Express Bus, um transporte oficial que parte tanto de Reno quanto do Civic Center, em São Francisco.
Assim, todos os anos, no coração do deserto, milhares de pessoas se unem para construir — e depois apagar — uma cidade feita de arte, poeira e liberdade.
Com informações de Sapo.pt.
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