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Emas escaparam de um cercado, viraram 450 aves em vinte anos e hoje causam prejuízos agrícolas na Alemanha, dividem cientistas, enfurecem agricultores e forçam o governo a autorizar abates controlados em terras europeias

Escrito por Bruno Teles
Publicado el 03/02/2026 a las 12:31
Actualizado el 03/02/2026 a las 12:34
Emas na Alemanha viraram disputa entre agricultores e cientistas, com abates controlados para reduzir danos no campo, medir impactos e orientar regras de convivência em áreas rurais.
Emas na Alemanha viraram disputa entre agricultores e cientistas, com abates controlados para reduzir danos no campo, medir impactos e orientar regras de convivência em áreas rurais.
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Com poucas ameaças naturais e acesso a colza, beterraba e milho, emas escapadas perto de Lübeck passaram de sete para cerca de 450 em 19 anos, ocupando quase 100 km² de Mecklemburgo Pomerânia Ocidental, onde agricultores relatam perdas, cientistas medem impactos e abates controlados viram política pública na Alemanha hoje.

As emas deixaram de ser uma curiosidade de fim de semana e viraram um tema de gestão pública na Alemanha, concentrado no norte, em uma paisagem de grandes áreas agrícolas, cercas vivas e trechos arborizados. A mesma ave que corre pelos campos como se sempre tivesse pertencido ali hoje pressiona decisões sobre fauna, lavoura e segurança em estradas rurais.

O ponto de partida é conhecido e pequeno: sete animais que escaparam de um cercado privado na virada do milênio, na região vizinha de Schleswig Holstein, e não foram recapturados. Em menos de duas décadas, as emas passaram a circular em bandos, atraindo turistas e fotógrafos, enquanto agricultores contabilizam danos e cientistas tentam medir riscos ecológicos e sociais, num cenário em que abates entram como instrumento de controle.

De sete emas a 450 em menos de duas décadas

Emas na Alemanha viraram disputa entre agricultores e cientistas, com abates controlados para reduzir danos no campo, medir impactos e orientar regras de convivência em áreas rurais.

O crescimento chama atenção porque ocorreu com baixa interferência externa.

Sem predadores naturais relevantes no território, as emas encontraram alimento abundante e previsível, com colza, beterraba e milho disponíveis em escala industrial.

A combinação de oferta constante de comida e pouca pressão de caça cria um ambiente de expansão rápida, ainda que o território ocupado não tenha se espalhado de forma ilimitada.

A contagem de inverno se tornou um ritual local: voluntários, ambientalistas e agricultores percorrem a área para estimar quantas emas estão presentes.

A estimativa citada no monitoramento indica cerca de 450 aves, número construído a partir de observação direta em uma faixa de quase 100 km² na Alemanha.

Para diferenciar emas de grous em dias ruins, o critério é pragmático: grous levantam voo, as emas não.

O que na paisagem da Alemanha favorece a permanência

Emas na Alemanha viraram disputa entre agricultores e cientistas, com abates controlados para reduzir danos no campo, medir impactos e orientar regras de convivência em áreas rurais.

As emas são aves corredoras, adaptadas a espaços abertos, e o norte da Alemanha oferece exatamente isso: campos extensos, linhas de vegetação que funcionam como abrigo e pouca fragmentação humana em algumas zonas rurais.

Em deslocamentos diários, esses grupos podem percorrer quilômetros em busca de alimento, o que dificulta contenção por cercas ou perseguição pontual.

Há ainda um fator de risco fora da lavoura.

As estradas rurais cruzam rotas de deslocamento e concentram parte da mortalidade por atropelamento.

Mesmo assim, o saldo populacional permaneceu positivo, sinal de que a reprodução e a sobrevivência em campo aberto têm superado perdas anuais.

Quando uma espécie consegue comer, se mover e se reproduzir sem barreiras, o resultado tende a aparecer rapidamente nas planilhas de monitoramento.

Agricultores, cientistas e o custo real no campo

Emas na Alemanha viraram disputa entre agricultores e cientistas, com abates controlados para reduzir danos no campo, medir impactos e orientar regras de convivência em áreas rurais.

O conflito se torna visível quando o bando encontra comida fácil.

Pilhas de beterrabas colhidas viram banquete, e áreas jovens de colza podem ser beliscadas até parecerem cortadas.

Um agricultor relata que, em bandos grandes, a perda pode se aproximar de uma devastação local, e estima um custo de cerca de 100 euros por ema para lidar com danos e tentativas de dissuasão.

Nessa lógica, as emas deixam de ser paisagem exótica e viram linha de custo.

Do lado técnico, cientistas acompanham duas perguntas que nem sempre caminham juntas: o impacto agrícola imediato e o impacto ecológico mais amplo.

Há suspeitas de que filhotes possam consumir insetos e lagartos ameaçados, mas o próprio monitoramento citado aponta ausência de evidência conclusiva para confirmar dano direto à biodiversidade local.

A ciência aqui não resolve a política, mas evita decisões no escuro, inclusive quando a pressão por medidas rápidas aumenta.

Video de YouTube

O dilema jurídico nasce do choque entre status de proteção e percepção de problema.

Por um período, as emas ficaram num vácuo regulatório, tratadas como espécie especialmente protegida e, ao mesmo tempo, fora de regras de caça.

A virada ocorre quando o Ministério do Meio Ambiente de Mecklemburgo Pomerânia Ocidental inclui as emas na legislação de caça do estado, abrindo caminho para abates sob regras e temporadas.

A ideia declarada não é erradicar, mas reduzir.

Abates aparecem como instrumento para limitar números e mitigar prejuízos, em paralelo a outras tentativas já testadas, como cercas eletrificadas e afugentamento.

Esse desenho de controle traz um efeito colateral importante: uma ave que antes não associava humanos a ameaça pode mudar comportamento com o aumento da pressão, alterando padrões de deslocamento e contato com áreas rurais.

Para agricultores, abates prometem previsibilidade. Para cientistas, abates exigem métricas claras de eficácia e proporcionalidade.

Turismo, risco ecológico e o paradoxo das emas

A presença das emas também virou atração. São fáceis de observar da estrada, aparecem em bandos no inverno e alimentam um tipo de safári rural de fim de semana.

Em paralelo, há uma contradição difícil de ignorar: na América do Sul, as emas são associadas a perda de habitat e a pressão humana, enquanto na Alemanha prosperam em um mosaico agrícola que as sustenta.

Esse contraste alimenta a disputa de narrativa.

Alguns defendem que, sem prova forte de dano ecológico amplo, a prioridade deveria ser minimizar conflitos com agricultores e manter números em um patamar controlável.

Outros enxergam uma espécie invasora que não deveria estar ali, e defendem abates como correção de um erro histórico de manejo.

Quando a discussão entra no campo do pertencimento, dados raramente encerram o debate, mas são eles que definem custo, risco e proporcionalidade.

As emas seguirão no centro do debate enquanto o número permanecer alto, o prejuízo rural continuar documentado e cientistas seguirem buscando evidências sólidas sobre efeitos na fauna nativa.

Na prática, a Alemanha está testando um modelo de convivência que mistura monitoramento, regras de caça e abates, ao mesmo tempo em que lida com turismo e pressão econômica local.

Se você morasse numa área onde agricultores lidam com perdas e a solução proposta envolve abates, qual seria o limite aceitável para controlar emas sem transformar a paisagem rural em um conflito permanente entre ciência, política e produção?

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Paulo Jaques
Paulo Jaques
07/02/2026 19:52

Moro no Mato Grosso, Engraçado que no Brasil elas vivem nos campos agrícolas, nunca ouvi falar que causassem prejuízo as lavouras .

Flavio
Flavio
Em resposta a  Paulo Jaques
08/02/2026 20:40

Com nossos agrotóxicos **** algum vai ser **** de comer esses venenos. Na Europa nossos agrotóxicos não são permitidos facilitando assim que os animais dali se alimentem

Kelvin Scarff
Kelvin Scarff
05/02/2026 08:18

Sorry but they definitely are not Emus from Australia. THEY ARE OSTRICHES

Edenor Antônio Fiori
Edenor Antônio Fiori
Em resposta a  Kelvin Scarff
05/02/2026 17:21

Para controlar e reduzir a população de Emas é simples e mais racional das população das aves, a estratégia é tirar ou reduzir ovos dos ninhos da Ema, se elas põem 4 ovos elimine dois e assim por diante.

Silas Malafeita
Silas Malafeita
Em resposta a  Edenor Antônio Fiori
09/02/2026 12:21

E é você que vai procurar os ninhos??

Fábio Maio
Fábio Maio
04/02/2026 21:54

Elas vieram de onde? Brasil? Devolve para o lugar de onde vieram.

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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