Com produtividade três vezes maior que a média do Amazonas, nova mandioca BRS Jacundá da Embrapa promete revolucionar a agricultura local e fortalecer a segurança alimentar no estado.
A produção de mandioca no Amazonas ganha um novo impulso com a chegada da BRS Jacundá, variedade desenvolvida pela Embrapa Amazônia Ocidental (AM) especialmente para as condições de solo e clima da região.
Criada para atender às demandas do agricultor local, a cultivar se destaca pela alta produtividade, resistência a pragas e doenças e características que atendem ao consumo tradicional da população amazonense.
Em avaliações realizadas no estado, a BRS Jacundá apresentou rendimento superior a 30 mil quilos de raízes por hectare, número que supera em quase três vezes a média atual do Amazonas, estimada em cerca de 10,5 mil kg/ha.
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O desempenho expressivo coloca a nova mandioca como uma alternativa estratégica para elevar a eficiência produtiva no campo.
Mandioca foi apresentada pela Embrapa durante dia de campo em Manaus
O lançamento oficial da nova variedade ocorreu em 9 de outubro, durante um dia de campo promovido na sede da Embrapa, em Manaus.
O evento reuniu produtores rurais, técnicos da assistência técnica e extensão rural, produtores de maniva-semente, representantes da agroindústria e parceiros institucionais.
Na ocasião, foram compartilhados resultados obtidos em áreas de produtores que já cultivaram a BRS Jacundá.
Os dados reforçaram o potencial agronômico da variedade e sua adaptação ao ambiente de terra firme, predominante em diversas regiões do Amazonas.
Adaptação regional fortalece a cadeia produtiva da mandioca
Segundo o pesquisador da Embrapa Ferdinando Barreto, a nova cultivar foi pensada para fortalecer a cadeia produtiva da mandioca no estado.
Adaptada ao cultivo em terra firme, a BRS Jacundá apresenta características que favorecem sua adoção, especialmente em regiões como o Médio Solimões, onde a mandioca é a principal base da economia agrícola.
Barreto destaca que, com manejo adequado, a cultivar reúne atributos importantes, como qualidade de raiz e tolerância às principais pragas e doenças.
“Com isso, ela deve contribuir para a segurança alimentar e para o fortalecimento da cadeia produtiva da mandioca no estado do Amazonas”, afirma o pesquisador.
Mandioca é essencial para alimentação e renda no Amazonas
A mandioca ocupa um papel central na vida das comunidades rurais do Amazonas.
Seja consumida in natura ou transformada em farinha, ela é uma das principais fontes de carboidratos da população, sobretudo em áreas de menor renda.
Além da importância alimentar, a cultura também gera trabalho e renda por meio da comercialização das raízes e de seus derivados.
Por isso, avanços no melhoramento genético da mandioca impactam diretamente a economia local e a segurança alimentar.
Mandioca da Embrapa possui polpa amarela e atende preferência cultural da população
Um dos diferenciais da mandioca BRS Jacundá da Embrapa é a polpa de coloração amarela, característica valorizada no Amazonas.
A farinha produzida a partir da mandioca brava de polpa amarela é amplamente preferida pelos consumidores e utilizada no preparo de produtos tradicionais, como farinha de mesa e tucupi.
Esse aspecto foi definido como critério importante pelos próprios agricultores durante o processo de seleção da cultivar.

Além da cor, a variedade apresenta alto teor de amido e boa disponibilidade de manivas-sementes, fatores que facilitam sua multiplicação e adoção.
Diversificação genética reduz vulnerabilidades no campo
A recomendação da BRS Jacundá também está associada à necessidade de diversificar os cultivos de mandioca no estado.
Em regiões como o Médio Solimões, a produção está concentrada majoritariamente em uma única variedade, conhecida como “Catombo”.
Esse cenário aumenta a exposição das lavouras a estresses bióticos, como pragas e doenças, e abióticos, como variações climáticas.
A introdução de uma nova cultivar contribui para reduzir riscos de erosão genética, processo caracterizado pela perda gradual da diversidade genética da cultura.
Com isso, a BRS Jacundá surge como uma alternativa que combina produtividade, adaptação regional e sustentabilidade, ampliando as possibilidades para o futuro da mandioca no Amazonas.
Com informações da Embrapa.

Não entendi é espécie brava ou mansa para por mesa?