Após assumir companhia com R$ 700 milhões em dívidas, empresários criam ecoparques que atendem 40 milhões de brasileiros e revolucionam o setor de resíduos no país
O lixo sempre foi um dos maiores problemas do Brasil. Durante décadas, toneladas e toneladas de resíduos foram descartadas em lixões a céu aberto, contaminando rios, solo e até a água que chega às casas dos brasileiros. Mesmo com o avanço dos aterros sanitários, o país ainda convive com uma realidade alarmante: mais de 3.000 lixões continuam ativos.
Para os governos, essa situação representa um passivo ambiental sem fim. Para a sociedade, é um incômodo permanente. No entanto, para dois empresários brasileiros, esse cenário revelou uma oportunidade bilionária.
Enquanto a maioria enxergava sujeira e prejuízo, Milton Pilão e Smar Machado Assali viram um mercado perene e estratégico. Em 2013, quando ambos já tinham acumulado fortunas e poderiam estar aposentados, decidiram fazer algo que parecia insano: comprar uma empresa quebrada, endividada em quase R$ 700 milhões, apenas para ter acesso ao que ninguém queria — o lixo.
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Assim nasceu o império da Horizon, empresa que hoje fatura mais de R$ 1 bilhão por ano, registrou lucro líquido ajustado de R$ 184 milhões em 2024 e alcançou valor de mercado de R$ 6,5 bilhões.
Mas como essa transformação aconteceu?
A aposta arriscada: de empresa quebrada a líder da nova economia verde
Antes de entrar no setor de resíduos, Milton Pilão já era herdeiro e CEO da Pilão S.A., Máquinas e Equipamentos, fundada em 1955. Nos anos 70, a empresa desenvolveu tecnologia revolucionária para preparar massa de papel com fibras curtas de eucalipto, permitindo produzir papel de imprimir e escrever de alta qualidade. Essa inovação foi exportada para mais de 40 países.
Posteriormente, Milton vendeu a companhia para a gigante austríaca Andritz e acumulou uma fortuna.
Do outro lado estava Smar Machado Assali, ex-dono da Gomes da Costa, maior empresa de pescados enlatados da América Latina. Em 2008, ele vendeu a empresa para o grupo Calvo e também embolsou milhões.
Mesmo assim, ambos decidiram voltar ao mercado. Em uma viagem internacional, participaram de uma palestra que reuniu nomes como George Soros e Bill Gates. Foi ali que ouviram a frase que mudaria tudo: os negócios do futuro são água, energia e resíduos.
Ao retornarem ao Brasil, analisaram os três setores. Energia já estava consolidada. Água e esgoto exigiam investimentos altíssimos e enfrentavam forte presença estatal. Restou o setor de resíduos — e o que descobriram foi chocante.
O Brasil estava pelo menos 30 anos atrasado em relação ao exterior. Enquanto empresas brasileiras apenas coletavam e enterravam lixo, companhias europeias transformavam resíduos em energia, biogás, combustível, fertilizante e crédito de carbono.
Portanto, eles perceberam algo essencial: lixo não é passivo, é matéria-prima.
A compra da Hastech: risco de R$ 700 milhões e uma arbitragem de R$ 35 milhões
O grande obstáculo era simples: quem controlava os aterros sanitários não vendia. Um aterro ocupa de 2 a 3 milhões de metros quadrados, leva cerca de 8 anos para ser licenciado e possui vida útil entre 20 e 30 anos. Trata-se, portanto, de um ativo estratégico com barreira de entrada altíssima.
Foi então que surgiu a Hastech, empresa endividada em quase R$ 700 milhões. Entre 2007 e 2009, a companhia realizou nove aquisições para montar uma gigante integrada de saneamento. Contudo, o plano fracassou. A empresa virou um conglomerado desorganizado, sem sinergia e altamente endividado.
Em uma jogada considerada loucura pelo mercado, Milton e Smar compraram a empresa.
Três meses depois, enfrentaram o primeiro grande golpe: perderam uma arbitragem de R$ 35 milhões. Mesmo com pareceres jurídicos favoráveis, tiveram que pagar o valor.
Ainda assim, não recuaram. Eles venderam áreas não estratégicas, cortaram custos, renegociaram dívidas e concentraram 100% do foco nos aterros sanitários.
O nascimento dos ecoparques e a virada bilionária
Em 2016, após anos de reestruturação, a empresa abandonou o nome antigo e passou a se chamar Horizon. A partir desse momento, começou a implantar os ecoparques de valorização de resíduos.
Um ecoparque vai muito além de um aterro sanitário. Ele integra:
- Unidades de triagem mecanizadas
- Plantas de biogás
- Produção de biometano
- Geração de energia limpa
- Combustível derivado de resíduos (CDR)
- Tratamento de chorume que vira água de reuso
- Produção de fertilizante orgânico
- Reciclagem de materiais
- Créditos de carbono
Na prática, municípios pagam para destinar seus resíduos aos ecoparques. Em seguida, a Horizon transforma esse lixo em múltiplas fontes de receita.
O modelo provou-se altamente escalável. Em 2021, a Horizon realizou IPO que movimentou R$ 1,54 bilhão e avaliou a empresa em aproximadamente R$ 1,6 bilhão.
Atualmente, a empresa opera 18 ecoparques distribuídos por 12 estados, recebe mais de 10 milhões de toneladas de resíduos por ano e atende direta ou indiretamente cerca de 40 milhões de brasileiros.
Além disso, suas ações já se valorizaram mais de 150%.
Um negócio que nunca acaba

A informação foi divulgada pelo canal que detalhou a trajetória da Horizon e seus números impressionantes, destacando como o setor de resíduos se tornou uma das maiores apostas da nova economia verde brasileira.
Enquanto crises vêm e vão, o lixo continua sendo gerado todos os dias. Portanto, trata-se de um mercado perene, previsível e crescente.
Milton e Smar entenderam algo fundamental: quem controla os resíduos controla um dos fluxos mais constantes da economia.
Eles arriscaram ao comprar uma empresa com R$ 700 milhões em dívidas. Pagaram R$ 35 milhões adicionais após perder arbitragem. Enfrentaram desconfiança. Contudo, transformaram lixo em um império avaliado em R$ 6,5 bilhões.
Porque, no fim das contas, lixo não é o fim da cadeia. É apenas recurso no lugar errado.
E você, teria coragem de investir em algo que todo mundo considera problema?
Fonte: Próximo Negócio

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