Instalação de energia solar desacelera no Brasil após taxação de painéis, juros elevados e entraves regulatórios, segundo dados da Absolar e do mercado financeiro.
O ritmo de crescimento da energia solar no Brasil entrou em rota de desaceleração. Após anos de expansão acelerada, o setor produtivo agora projeta um cenário mais cauteloso. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a expectativa é de retração de 7% na expansão total de novas instalações ao longo deste ano.
Esse movimento ocorre em meio a um conjunto de fatores que pressionam o mercado. Entre eles, destacam-se os juros elevados, dificuldades regulatórias e, sobretudo, a taxação de 25% sobre a importação de painéis solares, implementada pelo governo federal em junho de 2025. A medida alterou de forma significativa o planejamento de empresas e investidores.
Cortes de geração e juros altos pressionam o setor
Além da tributação, análises do mercado financeiro reforçam a leitura de desaceleração. Um relatório da XP Investimentos indica que cortes de geração e o atual patamar da taxa de juros tendem a limitar o crescimento da energia solar em 2026. Segundo o estudo, o ambiente macroeconômico reduz a atratividade de novos projetos e aumenta o custo do capital.
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Antes da mudança na política tarifária, a projeção do setor era encerrar 2025 com a geração de aproximadamente 396 mil empregos e arrecadação de R$ 13 bilhões em tributos. No entanto, com a nova conjuntura, houve queda estimada de 24% na geração de energia, além de retração de cerca de R$ 10 bilhões em investimentos previstos.
Debate no Senado tenta reverter aumento da alíquota
Diante da reação negativa do mercado, o tema passou a ser discutido no Congresso Nacional. O Senado Federal analisa o Projeto de Lei nº 4.607/2024, de autoria do senador Marcos Rogério (PL-RO), que propõe limitar a alíquota do Imposto de Importação sobre painéis solares a um máximo de 9,6%.
Para o parlamentar, o aumento para 25% não atende aos objetivos anunciados pelo governo. “A alíquota de 25% é abusiva e não tem qualquer efeito benéfico à indústria nacional, que atualmente já não atende à crescente demanda do setor”, argumenta Rogério. O texto foi apresentado em 2024 e está sob relatoria do senador Sérgio Moro (União-PR), mas ainda não avançou nas comissões.
Histórico recente da tributação sobre painéis solares
O setor produtivo também relembra que o Brasil adotou estratégias distintas nos últimos anos. Durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), a alíquota de importação para painéis solares foi zerada, como forma de estimular a entrada de equipamentos e acelerar a expansão da energia renovável no país.
Com a mudança de governo em 2023, a política foi gradualmente revista. A alíquota subiu inicialmente de 0% para 6%, depois para 9,6%, até alcançar 25% em 2024. A justificativa oficial foi incentivar a indústria nacional de equipamentos fotovoltaicos, embora agentes do setor avaliem que a capacidade produtiva interna ainda não supre a demanda crescente.
Energia solar entre potencial e incertezas
Apesar do cenário mais restritivo, a energia solar segue como uma das principais apostas da transição energética brasileira. No entanto, representantes do setor avaliam que a combinação entre juros elevados, cortes de geração e incertezas regulatórias exige maior previsibilidade para que novos projetos avancem.
Enquanto isso, empresas, investidores e consumidores acompanham de perto os desdobramentos no Senado e as sinalizações do governo federal, buscando entender até que ponto as atuais políticas poderão ser ajustadas para destravar novamente o crescimento da energia solar no país.

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