Projeções da Absolar indicam queda nos investimentos e redução da potência instalada da energia solar em 2026.
O Brasil poderá enfrentar, em 2026, uma nova retração no mercado de energia solar, segundo projeções inéditas divulgadas pela Absolar.
A entidade estima o quê: uma queda nos investimentos e na expansão da potência instalada no País. Quem: a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica.
Quando: projeções para 2026.
-
Energia solar avança rapidamente e promete liderar como fonte de expansão da eletricidade mundial até 2030, ampliando geração limpa e reduzindo custos de energia
-
Batalhões da polícia militar em Rondônia adotam eficiência energética com energia solar e iluminação moderna, reduzindo custos públicos e fortalecendo sustentabilidade nas estruturas de segurança
-
Projeto ambicioso promete levar placas solares ao semiárido e transformar a agricultura familiar com energia solar, redução de custos e mais autonomia para produtores rurais
-
Embasa aposta em energia solar para transformar consumo elétrico, cortar despesas e consolidar liderança da Bahia na transição energética do setor de saneamento
Onde: em todo o território nacional.
Como: com redução no ritmo de implantação de grandes usinas e de sistemas de geração própria.
Por quê: por fatores financeiros, regulatórios e estruturais que vêm pressionando o setor desde 2024.
A análise aponta que o Brasil caminhará para o segundo ano consecutivo de retração do setor, um movimento que contrasta com o recorde de crescimento registrado em 2024.
Assim, o mercado entra em 2026 em compasso de desaceleração, apesar da crescente demanda por energia renovável no país.
Investimentos em Energia Solar devem recuar pelo segundo ano seguido
A Absolar projeta uma redução de aproximadamente 7% na instalação de novos projetos de energia solar em 2026, comparada ao volume previsto para 2025.
A expectativa é de que o setor adicione 10,6 GW de potência instalada, número inferior aos 11,4 GW estimados para 2025.
O cenário de 2025, por sua vez, já representou uma forte queda em relação ao ano anterior: o país deve terminar o período com 24% menos expansão do que os 15 GW adicionados em 2024. Portanto, a tendência de desaquecimento se consolida.
Por que a retração do setor está se agravando
A retração do setor tem origens distintas nas duas frentes da cadeia solar.
Nas grandes usinas, o problema central é financeiro: os geradores enfrentam prejuízos recorrentes pela falta de ressarcimento após cortes de geração.
Esses cortes, conhecidos como “curtailment”, ocorrem quando o sistema elétrico reduz a produção para preservar a segurança da rede.
Nos pequenos e médios sistemas, instalados por consumidores que buscam gerar a própria energia, o entrave está nas negativas de conexão.
Distribuidoras têm alegado incapacidade da rede e inversão de fluxo de potência para recusar novas instalações, movimento que vem frustrando a expansão da geração distribuída.
Além disso, a Absolar destaca que o custo de capital no Brasil, com juros próximos de 15% ao ano, dificulta o acesso ao crédito.
A volatilidade do dólar e o alto imposto de importação de equipamentos fotovoltaicos elevam o custo final, reduzindo a atratividade dos investimentos em energia solar.
Potência Instalada cresce, mas em ritmo menor e abaixo do potencial
Mesmo com o cenário adverso, a fonte solar deve alcançar 75,9 GW de potência instalada acumulada até o fim de 2026.
Desse total, 51,8 GW virão de pequenos e médios sistemas e 24,1 GW de grandes usinas conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Ainda assim, o ritmo reduzido preocupa o setor, que acredita que o país poderia avançar mais rapidamente caso os entraves financeiros e regulatórios fossem solucionados.
Investimentos, empregos e arrecadação também recuam
Os impactos da retração não se limitam à capacidade instalada.
A Absolar estima que os investimentos em energia fotovoltaica devem cair de R$ 40 bilhões em 2025 para R$ 31,8 bilhões em 2026.
Essa redução trará reflexos diretos no mercado de trabalho.
Assim, a projeção indica 319,9 mil novos empregos gerados em 2026, número significativamente menor que os 396,5 mil postos previstos para este ano.
A arrecadação pública também sofrerá: deve recuar de R$ 13 bilhões em 2025 para cerca de R$ 10,5 bilhões em 2026.
Absolar liga alerta e pede revisão de políticas para retomada do crescimento
Assim, diante desse quadro, a Absolar reforça a necessidade de medidas urgentes para estimular os investimentos e evitar a continuidade da retração do setor.
Entre os pontos citados estão melhorias no ambiente regulatório, revisão das tarifas de importação de equipamentos e mecanismos que garantam segurança financeira aos geradores.
Então para a entidade, sem mudanças estruturais, o Brasil corre o risco de desacelerar justamente em um dos mercados de energia renovável mais promissores do mundo.
-
Uma pessoa reagiu a isso.