1. Início
  2. / Ciência e Tecnologia
  3. / Engenheiro sul-africano cria drone que voa 3h31min com uma carga, usa hélices gigantes de 40’’ e baterias NMC de alta densidade para quebrar recorde mundial de autonomia em multirrotor
Tempo de leitura 8 min de leitura Comentários 0 comentários

Engenheiro sul-africano cria drone que voa 3h31min com uma carga, usa hélices gigantes de 40’’ e baterias NMC de alta densidade para quebrar recorde mundial de autonomia em multirrotor

Escrito por Carla Teles
Publicado em 18/02/2026 às 23:01
Atualizado em 18/02/2026 às 23:05
Engenheiro sul-africano cria drone que voa 3h31min com uma carga, usa hélices gigantes de 40’’ e baterias NMC de alta densidade para quebrar recorde mundial de autonomia (2)
Drone multirrotor quebra recorde de autonomia com hélices de 40 polegadas e baterias NMC, mostrando até onde um drone pode ir em eficiência. Imagem: IA
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
40 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Luke Maximo Bell combina hélices gigantes de 40 polegadas, baterias NMC semissólidas e projeto obsessivo de engenharia para manter um drone no ar por 3h31min06s em um único voo estacionário

O engenheiro e youtuber sul-africano Luke Maximo Bell decidiu encarar um desafio que parecia quase impossível: construir um drone multirrotor capaz de voar por mais de três horas com uma única carga de bateria. Nada de acrobacias, velocidade ou manobras radicais. A meta era outra. A ideia era simples e brutalmente difícil ao mesmo tempo: manter um drone no ar pelo maior tempo possível, empurrando os limites da eficiência em cada componente.

Depois de meses de testes, cálculos, peças refeitas e muito voo de ensaio, o resultado apareceu. O drone criado por Bell atingiu 3 horas, 31 minutos e 6 segundos de voo contínuo em multirrotor com uma só carga, superando o antigo marco de 3h12min obtido pelo modelo Q12 da Sci-Fly. Não é um recorde oficial ainda, mas já é um feito técnico impressionante que mostra até onde um projeto bem pensado consegue chegar.

Um drone criado para bater recordes, não para fazer acrobacias

O ponto de partida foi um objetivo extremamente claro: superar o recorde de 3h12min de voo em drone multirrotor. Para isso, Luke deixou de lado tudo que normalmente chama atenção em um drone comercial, como velocidade, agilidade ou capacidade de carga elevada.

Aqui, o foco era outro. Cada decisão de projeto do drone foi guiada pela eficiência. Em vez de confiar em tabelas genéricas ou suposições, o engenheiro adotou uma abordagem radicalmente metódica: medir tudo, do empuxo à queda de tensão nos cabos, passando por simulações aerodinâmicas e até pela quantidade de material em cada suporte de motor.

Ao longo do processo, o drone se transformou em um laboratório voador. O que saiu do papel não foi um produto bonito para vitrines, mas uma máquina otimizada para ficar no ar o máximo de tempo possível.

Hélices gigantes e motores em baixa rotação

drone multirrotor quebra recorde de autonomia com hélices de 40 polegadas e baterias NMC, mostrando até onde um drone pode ir em eficiência.

Uma das decisões mais surpreendentes foi a escolha das hélices. Em vez das tradicionais pás pequenas girando em alta rotação, Luke optou por hélices T-Motor G40 de fibra de carbono com 40 polegadas, quase um metro de diâmetro. O resultado é um drone visualmente desproporcional, com um conjunto de hélices que parece enorme perto de modelos comuns.

A lógica por trás disso, porém, é impecável. Hélices tão grandes conseguem gerar o empuxo necessário girando a rotações muito baixas, o que eleva a eficiência e reduz o consumo de energia. Com menos turbulência e menos perdas, o drone exige menos potência para se manter no ar.

Para acompanhar esse conceito, o engenheiro escolheu motores leves e otimizados para torque em baixa rotação, como os T-Motor Antigravity MN105 V2 de 90 KV.

Em vez de buscar potência bruta, ele procurou o equilíbrio perfeito entre peso, torque e eficiência em um regime de rotação pouco explorado até mesmo por fabricantes especializados.

Nada disso foi feito no chute. Luke construiu uma bancada de testes de empuxo específica para o projeto, medindo diretamente quanta energia era consumida para cada grama de empuxo gerado. Assim, a eficiência deixou de ser uma ideia abstrata e virou número concreto: empuxo por watt, curva por curva.

Aerodinâmica em multirrotor levada a sério

Multirrotores costumam ser vistos como máquinas de voo “brutas”, sem grande sofisticação aerodinâmica em comparação com aviões ou planadores. Nesse drone, foi o oposto. A aerodinâmica entrou como peça central do projeto.

Luke usou simulações CFD (Dinâmica dos Fluidos Computacional) para entender como o fluxo de ar das hélices interagia com o chassi, com os braços e com a própria estrutura do drone.

A posição das hélices, o comprimento dos braços e até o espaçamento entre componentes foram refinados com base nesses estudos.

Os testes mostraram que existe um comprimento ideal de braço, que maximiza a eficiência geral do conjunto. Esse ponto de equilíbrio foi encontrado na faixa de 800 milímetros, onde o arranjo de hélices, braços e estrutura resultava em menor perda energética.

A partir daí, veio o desafio estrutural. Para suportar hélices tão grandes e braços tão longos, era preciso ter rigidez sem excesso de peso.

Entraram em cena braços de fibra de carbono, peças impressas em 3D refeitas diversas vezes e ajustes finos nas fixações. Cada suporte de motor, cada núcleo central e cada peça passou por revisões até que gramas desnecessárias fossem cortadas.

Cada grama conta: estrutura, fiação e eletrônica do drone

drone multirrotor quebra recorde de autonomia com hélices de 40 polegadas e baterias NMC, mostrando até onde um drone pode ir em eficiência.

No projeto desse drone, peso é praticamente um inimigo declarado. Tudo que não contribui diretamente para o voo precisa ser reduzido ao mínimo possível.

A estrutura principal foi redesenhada várias vezes. Ao refazer o eixo central, por exemplo, foi possível economizar cerca de 40 gramas, sem perder rigidez. Pode parecer pouco, mas em um drone de eficiência extrema, 40 gramas equivalem a minutos de voo.

Até mesmo a fiação foi tratada como um problema de engenharia. Como os braços são longos, o drone exigiu cerca de 11 metros de cabos até os motores.

Cabos mais grossos reduzem as perdas por aquecimento, mas aumentam o peso. Cabos mais finos são leves, porém desperdiçam energia em forma de calor.

Luke mediu queda de tensão, resistência e peso metro a metro e chegou a uma bitola ideal de cabo, 18 AWG, que equilibra as duas coisas: perdas elétricas aceitáveis sem adicionar peso desnecessário.

Na eletrônica, o raciocínio foi o mesmo. Controlador de voo, GPS, sensores e eletrônica auxiliar foram escolhidos não pelo design ou por recursos extras, mas por estabilidade e consumo reduzido de energia.

Manter o drone parado no ar por horas exige um controle preciso, sem correções bruscas que forcem os motores a trabalhar mais do que o necessário.

Ao longo dos testes, houve falhas, oscilações perigosas e até impactos. Cada erro gerou reforços: pernas de pouso mais robustas, suportes redesenhados e fixações extras, sempre com o menor impacto possível no peso final.

Baterias NMC semissólidas: o coração do recorde

Se hélices gigantes e aerodinâmica refinada são fundamentais, o coração do recorde está em outro lugar: as baterias. Em vez de baterias LiPo tradicionais, Luke escolheu baterias NMC (níquel-manganês-cobalto) de estado semissólido da marca Tattu.

Essas baterias oferecem cerca de 320 Wh/kg, aproximadamente o dobro da densidade energética típica de uma LiPo comum, que gira em torno de 160 Wh/kg.

Em termos práticos, isso significa que é possível carregar o dobro de energia com o mesmo peso. Em um drone que vive no limite da eficiência, essa diferença muda completamente o jogo.

A obsessão pela redução de peso foi além. Para aproveitar cada grama, o engenheiro removeu parte da embalagem protetora das baterias e substituiu conectores grandes, como os XT90, por conectores menores, como os XT60.

Somadas, essas mudanças resultaram em 360 gramas de economia, o equivalente ao peso de todo o chassi de fibra de carbono do drone.

Esse tipo de modificação não é algo que se deve copiar em casa sem conhecimento técnico. Envolve riscos e exige cuidado extremo, mas deixa claro o conceito por trás do projeto: cada camada de material sem função direta é peso morto que rouba minutos de voo.

Como a prioridade é energia por quilograma, o drone não trabalha com picos de corrente extremos. O objetivo não é subir rápido nem carregar grandes cargas, e sim drenar a bateria de forma estável e eficiente, explorando ao máximo a alta densidade energética dessas células NMC.

O voo de 3h31min06s que quebra o recorde

Vídeo do YouTube

Quando chega o dia do teste definitivo, não há show pirotécnico nem manobras dramáticas. O drone decola, estabiliza no ar e simplesmente fica lá, flutuando, enquanto o relógio corre.

Os minutos se transformam em horas. Em voo estacionário, o drone já começa a ultrapassar marcas históricas de autonomia em multirrotor.

Todo o trabalho de otimização de hélices, motores, estrutura, fiação, eletrônica e baterias aparece em forma de tempo de voo contínuo.

Ao final, o cronômetro registra 3 horas, 31 minutos e 6 segundos. É um novo recorde não oficial para um drone multirrotor com uma única carga, superando o antigo tempo da Sci-Fly, de 3h12min com o modelo Q12.

Durante os testes, o engenheiro ainda descobriu algo importante. Voar para frente em vez de ficar totalmente parado pode reduzir significativamente o consumo de energia, de cerca de 400 W para algo em torno de 250 W.

Isso abre espaço para futuras tentativas de recorde com perfis de voo diferentes, baseados em trajetórias suaves e controladas, em vez de apenas pairar no ar.

Para que serve um drone que voa mais de três horas?

Um drone capaz de permanecer no ar por mais de três horas não é apenas uma curiosidade técnica. Ele aponta para aplicações muito específicas e poderosas.

Esse tipo de autonomia permite, por exemplo, monitorar parques eólicos e usinas solares por longos períodos, observar o comportamento de estruturas, identificar falhas em equipamentos e acompanhar padrões de geração de energia sem trocas constantes de bateria ou pousos frequentes.

Em ambientes sensíveis, como ecossistemas frágeis, áreas de preservação e zonas de difícil acesso, um drone que voa por horas pode realizar levantamentos detalhados, vigilância discreta e monitoramento de fauna e flora com muito menos interferência humana.

Em cenários de emergência, como incêndios florestais ou derramamentos ambientais, mais tempo no ar significa menos decolagens, menos deslocamentos e resposta mais rápida, com imagens e dados contínuos de um mesmo ponto crítico.

A longo prazo, é possível imaginar combinar esse tipo de projeto com células solares integradas à estrutura ou sistemas híbridos de energia, estendendo ainda mais a autonomia. Nada disso é ficção científica.

É resultado de engenharia cuidadosamente ajustada, paciente e quase obsessiva, exatamente como no drone de Luke Maximo Bell.

E você, em que tipo de missão ou setor acha que um drone capaz de voar mais de 3 horas faria mais diferença de verdade?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x