Pesquisa no Peru analisa como resíduos plásticos urbanos podem virar combustíveis líquidos em um processo sem oxigênio, com uso de catalisadores.
O estudo destaca números de reciclagem, descreve etapas da pirólise e aponta desafios para levar a tecnologia além do laboratório.
Uma pesquisa conduzida pela Universidade de Lima, no Peru, estuda a conversão de resíduos plásticos urbanos em uma mistura de combustíveis líquidos, com frações descritas como semelhantes a gasolina, diesel e querosene de aviação.
A proposta usa um processo termoquímico conhecido como pirólise rápida catalítica e se baseia na lógica da economia circular, com o objetivo de dar destino a materiais que, em muitos casos, ficam fora da reciclagem convencional.
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O ponto de partida é um cenário de baixa reciclagem no país.
Segundo a descrição institucional do projeto, o Peru gera cerca de 1,4 milhão de toneladas de plástico por ano e recicla 15% desse total.
No recorte da pesquisa, a iniciativa considera resíduos não recicláveis gerados na área urbana de Lima, que frequentemente terminam em descarte inadequado.
No registro público da universidade, a equipe descreve que a motivação é reduzir o potencial de contaminação associado ao acúmulo de plástico e, ao mesmo tempo, investigar alternativas de aproveitamento de resíduos.
A proposta se concentra em um método de conversão por aquecimento em condições controladas, com uso de catalisador para orientar a formação de produtos.
Pesquisa da Universidade de Lima sobre combustível a partir de plástico
A Universidade de Lima mantém, em seu sistema de projetos de pesquisa, um estudo voltado à obtenção de combustível a partir de resíduos plásticos urbanos por pirólise rápida catalítica, dentro de uma abordagem de economia circular.
A instituição informa que o projeto foi concluído e registra o período de execução entre 1º de abril de 2023 e 31 de março de 2024, além de listar os pesquisadores vinculados.
Conforme o resumo divulgado pela universidade, a intenção foi avaliar a viabilidade de transformar plásticos urbanos não recicláveis em combustível por uma rota termoquímica.

O foco, segundo a descrição, é lidar com materiais que não entram na reciclagem mecânica com facilidade, como plásticos misturados, contaminados ou com baixa atratividade econômica para reaproveitamento.
Pirólise rápida catalítica: como o processo funciona
A pirólise é um processo em que o material é aquecido em alta temperatura na ausência de oxigênio, o que evita a combustão e favorece a quebra das moléculas em componentes menores.
No caso descrito pela Universidade de Lima, o procedimento ocorre em atmosfera inerte, com alimentação de nitrogênio, e a conversão é acelerada pela presença de um catalisador.
No projeto, a universidade relata o uso de zeólita como catalisador.
De acordo com a descrição institucional, esse tipo de material pode influenciar a velocidade de decomposição e o perfil dos produtos formados, o que afeta o rendimento e a composição das frações líquidas geradas.
Ainda segundo o registro público, ao aplicar a pirólise rápida catalítica a plásticos como PP (polipropileno) e PS (poliestireno), o processo resulta em uma mistura de combustível líquido com frações descritas como gasolina, jet fuel, diesel e “wax” (cera).
A universidade também informa que, em condições de 400 °C, foi observada maior eficiência na produção da fração associada à gasolina, dentro do conjunto de parâmetros avaliados na pesquisa.
PET e resíduos plásticos: o que o registro do projeto destaca
Embora o PET seja um dos plásticos mais conhecidos pelo uso em embalagens, o registro institucional do projeto diferencia os materiais citados no experimento principal.
No resumo disponibilizado pela universidade, PP e PS aparecem como exemplos de plásticos convertidos na pirólise rápida catalítica para obtenção da mistura líquida.
Ao mesmo tempo, a universidade associa ao tema uma produção científica que menciona PET em outro recorte.

No mesmo sistema, consta a referência a um artigo publicado em maio de 2025 na revista Cleaner Engineering and Technology, que trata de “produção de petróleo bruto e simulação” a partir de pirólise rápida catalítica de resíduos de PET.
O registro indica, assim, que parte do trabalho relacionado ao assunto envolve modelagem e simulações para estimar produtos e desempenho quando o resíduo é PET.
Em linhas gerais, simulações costumam ser usadas em pesquisa para testar cenários e ajustar variáveis de processo antes de etapas experimentais mais amplas.
No entanto, a página pública consultada não apresenta resultados numéricos detalhados do artigo citado nem descreve os rendimentos obtidos para o PET, o que impede a reprodução desses números com base apenas nesse material.
Economia circular e transformação de plástico em combustível
A proposta se conecta ao conceito de economia circular por buscar atribuir uso a um resíduo que, segundo o próprio projeto, tende a seguir para aterros, lixões irregulares ou descarte no ambiente.
A universidade descreve a conversão termoquímica como uma forma de reduzir a fração de plástico sem reaproveitamento e de gerar um produto energético a partir desse material.
Já a avaliação de impactos ambientais e comparações com outras rotas, como reciclagem mecânica ou coprocessamento, normalmente depende de indicadores e balanços específicos.
Nesse ponto, o registro institucional consultado não traz um inventário ambiental completo nem apresenta métricas que permitam comparar, com base nesses dados públicos, a performance ambiental do processo frente a alternativas.
Gestão de resíduos em Lima e desafios para aplicação em escala
O projeto registrado pela Universidade de Lima se insere em um desafio que também aparece em outros países da região: volumes elevados de resíduos plásticos, dificuldades de segregação e taxas limitadas de reciclagem.
No caso peruano, o próprio resumo institucional usa a estimativa nacional de geração anual de plástico e a fração reciclada para justificar a busca por rotas alternativas de valorização, com aplicação voltada a resíduos urbanos de Lima.
Em termos técnicos, processos termoquímicos como a pirólise têm sido objeto de estudos por converterem cadeias poliméricas em misturas de hidrocarbonetos e outros subprodutos, dependendo do tipo de plástico, do catalisador e das condições operacionais.
No material consultado, a Universidade de Lima descreve alguns parâmetros gerais, como a operação em atmosfera inerte, o uso de zeólita e a menção a 400 °C como condição em que houve maior eficiência para uma das frações.
A transição do laboratório e da simulação para aplicações mais amplas costuma envolver requisitos adicionais, como logística de coleta, padronização do resíduo de entrada e regras de qualidade para combustíveis.
Esses pontos, porém, não aparecem detalhados no registro público consultado, que se limita a apresentar objetivos, método e descrições gerais dos produtos obtidos.
Maravilha.
Poderiam providenciar equipamentos para retirar plásticos do mar, assim como faz a empresa holandesa the ocean cleanup, que atua nos EUA, fazendo essa retirada das águas. Segundo informaçoes, ha acima de trilhões, de toneladas, nos oceanos e a cada ano são despejados toneladas, ou seja, sempre haverá de onde tirar.
Se não quiserem fazer sozinhos, da para contratar essa tal empresa que já está capacitada e agora visar lucro.
Ta difícil de acontece isso. Porque eles não fazem nem a coleta seletiva comum nos bairros para coletar a imensidão de plásticos que são despejados todos os dias dos lares que vão parar nos lixões. Porque não acredito que as empresas que recolhem os lixos separem esse material.
Isso já é feito no Brasil. Pesquisem sobre a empresa Fluxo, já atuam junto a Petrobras.