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Enterrado vivo por 61 dias: Mick Meany e o recorde em um caixão

Escrito por Sara Aquino
Publicado el 05/01/2026 a las 17:54
Conheça a história de Mick Meany, que ficou enterrado vivo por 61 dias em um caixão ao tentar bater um recorde que chocou o mundo.
Foto: Getty Images
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Conheça a história de Mick Meany, que ficou enterrado vivo por 61 dias em um caixão ao tentar bater um recorde que chocou o mundo.

Ser enterrado vivo por mais de dois meses parece um pesadelo impossível de suportar. Ainda assim, em 1968, o irlandês Mick Meany transformou esse medo extremo em um espetáculo público e entrou para a história ao buscar um recorde que chocou o mundo.

O caso aconteceu em Londres, foi acompanhado pela imprensa internacional e resultou no que muitos consideram até hoje o maior recorde de tempo enterrado vivo em um caixão, com 61 dias sob a terra.

A façanha, planejada como um evento midiático, envolveu promotores, curiosos e jornalistas, ocorreu no bairro de Kilburn, no norte da capital britânica, e tinha um objetivo claro: garantir fama, dinheiro e um lugar no livro dos recordes.

Portanto, mais do que um simples enterro, a história de Mick Meany revela ambição, desespero e o fascínio humano por limites extremos.

Quem foi Mick Meany e por que decidiu ser enterrado vivo

Filho de um fazendeiro do condado de Tipperary, na Irlanda, Mick Meany migrou para a Inglaterra no pós-guerra em busca de trabalho. Como muitos irlandeses da época, atuava na construção civil e sonhava com uma vida melhor.

Antes disso, Meany alimentava o desejo de ser boxeador profissional. No entanto, um acidente de trabalho comprometeu sua mão e encerrou qualquer chance de sucesso nos ringues.

Mais tarde, outro acidente — o desabamento de um túnel enquanto trabalhava — o deixou soterrado por alguns instantes e acendeu uma ideia improvável: tentar o recorde de tempo enterrado vivo em um caixão.

Segundo o próprio Meany, a decisão nasceu da falta de perspectivas. “Eu não tinha futuro na vida real”, declarou. “Por isso, quis ficar embaixo da terra e demonstrar o meu valor.”

O contexto dos recordes extremos e o objetivo macabro

Na década de 1960, competições de resistência incomuns ainda despertavam curiosidade. Nos Estados Unidos, artistas conhecidos como “funerários” já haviam se tornado celebridades ao se submeterem voluntariamente ao ato de ser enterrado vivo.

O maior nome da época era Digger O’Dell, que havia passado 45 dias enterrado no Tennessee. Esse era o recorde que Meany pretendia superar.

Para ele, o enterro não era apenas um desafio físico. Era uma aposta total na fama, no reconhecimento público e na esperança de voltar à Irlanda com dinheiro suficiente para construir uma casa e mudar de vida.

O espetáculo planejado em Londres

A execução da ideia contou com o apoio do empresário e ex-lutador Michael Butty Sugrue, dono do pub The Admiral Nelson, em Kilburn. Foi ali que tudo ganhou forma de espetáculo.

No dia 21 de fevereiro de 1968, diante da imprensa mundial, Mick Meany fez sua “última ceia” no pub antes de entrar em um caixão feito sob medida.

Vestido com pijama azul, levando um crucifixo e um rosário, ele declarou: “Faço isso por minha esposa e minha filha, e pela honra e glória da Irlanda.”

Em seguida, uma procissão percorreu as ruas do bairro até o local do enterro, onde o caixão foi sepultado a 2,5 metros de profundidade, sob toneladas de terra.

Como Mick Meany sobreviveu enterrado vivo

Dentro do caixão de 1,90 metro de comprimento, Meany contava com dois tubos de ferro para respirar e receber alimentos. Por eles chegavam chá, torradas, carne assada, cerveja preta, jornais e livros.

Ele também tinha uma tocha para iluminação, um telefone ligado diretamente ao pub e até um pequeno compartimento improvisado para servir de sanitário.

Apesar disso, o próprio Meany resumiu a experiência: “Não era um hotel embaixo da terra.”

Para aumentar a arrecadação, visitantes pagavam para falar com ele ou apenas observar o local.

Personalidades como o boxeador Henry Cooper e a atriz Diana Dors chegaram a visitá-lo durante o período em que esteve enterrado vivo.

Da atenção da imprensa ao esquecimento momentâneo

Nos primeiros dias, o feito de Mick Meany dominou manchetes. Contudo, acontecimentos históricos de maior impacto, como a Guerra do Vietnã e o assassinato de Martin Luther King Jr., acabaram ofuscando a façanha.

Mesmo assim, Sugrue garantiu que o desfecho não passasse despercebido. Em 22 de abril de 1968, após 61 dias, o caixão foi desenterrado em meio a músicos, bailarinas, jornalistas e uma multidão curiosa.

O recorde quebrado e a frustração após a glória

Ao sair do caixão, Mick Meany apareceu sorrindo, de barba longa e usando óculos escuros. O exame médico confirmou que ele estava em boas condições de saúde.

“Gostaria de aguentar mais cem dias”, afirmou. “Estou encantado por ser o campeão do mundo.”

Ele havia superado com folga o antigo recorde, permanecendo 15 dias além do tempo necessário. Ainda assim, o reconhecimento oficial nunca veio. O Guinness não homologou o feito por falta de um representante no local.

Além disso, a prometida fortuna e a viagem pelo mundo não se concretizaram. Meany voltou para a Irlanda sem dinheiro e caiu no esquecimento, enquanto outras pessoas, como Emma Smith, acabariam superando sua marca pouco tempo depois.

O resgate tardio da história de Mick Meany

Décadas após sua morte, em 2003, a história voltou ao noticiário graças ao documentário Buried Alive / Beo Faoin bhFód, exibido em festivais internacionais.

O filme reacendeu o interesse por essa trajetória extrema e devolveu visibilidade a um homem que buscou reconhecimento de forma radical.

Hoje, o caso de Mick Meany permanece como um dos episódios mais impressionantes já registrados sobre resistência humana, ambição e o desejo quase desesperado de deixar uma marca no mundo — mesmo que isso significasse ser literalmente enterrado vivo em busca de um recorde histórico.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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