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Equilíbrio vence dinheiro: pela primeira vez, trabalhar menos vale mais!

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 24/11/2025 às 10:02
Relatório Workmonitor indica que, pela primeira vez, trabalhar menos vale mais do que salário alto. Tendência cresce entre gerações.
Foto: IA
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Relatório Workmonitor indica que, pela primeira vez, trabalhar menos vale mais do que salário alto. Tendência cresce entre gerações.

Pela primeira vez, trabalhar menos vale mais do que salário alto, diz estudo internacional que analisou as novas expectativas de trabalhadores nos Estados Unidos.

O relatório Workmonitor 2025, divulgado pela Randstad, mostra que funcionários de diferentes gerações estão priorizando o equilíbrio entre vida pessoal e profissional ao avaliar onde trabalhar, quando permanecer no emprego atual e até que tipo de carreira querem construir.

A mudança ficou evidente após anos de pressão por retorno total ao escritório, jornadas longas e mensagens fora do expediente fatores que, segundo especialistas, aceleraram a fadiga corporativa. 

O estudo, divulgado nesta segunda-feira, revela o quê mudou: o equilíbrio passou a ser o principal fator na decisão profissional.

Mostra também quem lidera essa transformação especialmente jovens da Geração Z e millennials.

A pesquisa detalha ainda quando essa virada começou, como ela afeta as empresas e por que está obrigando CEOs a revisarem suas expectativas sobre produtividade. 

A tendência se espalha pelos EUA, onde trabalhadores afirmam estar cansados de modelos rígidos e de cobranças que invadem sua vida privada.

Assim, a cultura corporativa americana entra em uma fase em que, pela primeira vez, trabalhar menos vale mais do que salário alto, diz estudo, marcando uma ruptura histórica com os padrões tradicionais do mercado de trabalho. 

Equilíbrio supera salário pela primeira vez em 22 anos 

Segundo o Workmonitor 2025, 83% dos entrevistados apontam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como fator mais importante ao decidir por um emprego acima até da segurança no trabalho. O salário ficou apenas em terceiro lugar, com 82%. 

É a primeira vez, desde o início do levantamento há 22 anos, que esse aspecto supera a remuneração como motivador central das decisões profissionais. 

“A busca dos trabalhadores por ambientes que se adaptem a eles, e não o contrário, continua sendo um grande motivador”, diz o relatório.

“Suas expectativas se tornaram mais multifacetadas, com aspectos tradicionalmente valorizados no ambiente de trabalho cedendo espaço a prioridades mais amplas.” 

Essa mudança reforça a ideia de que pela primeira vez, trabalhar menos vale mais do que salário alto, diz estudo, colocando o bem-estar como eixo principal das escolhas de carreira. 

Geração Z impulsiona a mudança cultural 

Entre os jovens, essa virada é ainda mais evidente. Cerca de 74% da Geração Z prioriza o equilíbrio, enquanto apenas 68% coloca o salário como prioridade absoluta. 

O relatório destaca que os mais jovens também valorizam mais a saúde mental (70%) do que “salários atraentes”, sugerindo que sentir-se bem ao ir trabalhar pesa tanto quanto ou mais do que ganhar acima da média. 

Além disso, a flexibilidade tornou-se quase um pré-requisito: cerca de 40% dos Gen Z e millennials aceitariam ganhar menos em troca de rotinas híbridas ou remotas, segundo outro levantamento do LinkedIn. 

Essa escolha faz parte do movimento conhecido como “minimalismo de carreira”, em que profissionais reduzem esforços dentro da empresa para preservar energia para seus projetos pessoais e sua vida fora do expediente. 

Profissionais mais velhos também mudam, mas com ressalvas 

Apesar de a Geração Z liderar essa mudança, trabalhadores mais experientes também apontam o equilíbrio como prioridade. Entre os baby boomers, 85% valorizam o equilíbrio e 87% ainda defendem salários robustos. 

Isso mostra que os valores tradicionais continuam fortes, ainda que convivam com a nova mentalidade de que, pela primeira vez, trabalhar menos vale mais do que salário alto, diz estudo, especialmente para preservar saúde, rotina e relações pessoais. 

Funcionários querem flexibilidade CEOs discordam 

Embora trabalhadores de todas as idades concordem sobre a importância do equilíbrio, muitos CEOs acreditam que essa realidade é incompatível com alta performance. 

Marc Randolph, cofundador da Netflix, é uma das poucas vozes no topo corporativo que defendem rotinas equilibradas. Ele trabalhava seguindo uma regra rígida: todas as terças-feiras deixava o escritório às 17h, sem exceções. 

“Essas noites de terça me mantiveram são. Elas colocavam todo o resto em perspectiva”, escreveu em um post que voltou a circular. 

Outro nome que surpreende é Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, que incentiva jovens a protegerem saúde mental e suas relações pessoais. 
“Você precisa ter equilíbrio entre vida e trabalho”, afirmou. 

Por outro lado, algumas lideranças rejeitam completamente o conceito. Sergey Brin (Google), Lucy Guo (Scale AI) e Andrew Feldman (Cerebras) criticam a ideia de cumprir rotinas de 9h às 17h. 

“Essa ideia de que alguém pode alcançar grandeza trabalhando 38 horas por semana é inacreditável para mim”, disse Feldman no podcast 20VC. 

Um mercado em transformação e um futuro mais humano 

O estudo deixa claro que a cultura profissional está mudando em ritmo acelerado. A nova geração já não aceita a fórmula tradicional de “trabalhar mais para ganhar mais”. 

Por isso, pela primeira vez, trabalhar menos vale mais do que salário alto, diz estudo, revelando um movimento que deve continuar moldando políticas internas, modelos de incentivo e até o futuro da liderança corporativa. 

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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