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Estados Unidos vão recuperar o único estoque mundial de plutônio raro escondido em resíduos nucleares da Guerra Fria

Escrito por Noel Budeguer
Publicado el 01/01/2026 a las 10:19
Estados Unidos vão recuperar o único estoque mundial de plutônio raro escondido em resíduos nucleares da Guerra Fria
O novo processo extrai isótopos raros da Guerra Fria dos objetivos Mark 18A. (Imagem representativa)
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Operação no Laboratório Nacional do Rio Savannah mira o plutônio 244 e pode reforçar pesquisa forense nuclear e produção de califórnio 252

Os Estados Unidos iniciaram uma operação para recuperar isótopos raros a partir de materiais produzidos na Guerra Fria, com foco nos objetivos Mark 18A.

A medida coloca em jogo o único suprimento mundial de plutônio 244 não separado, um material extremamente raro e valioso para a forense nuclear.

Além disso, o trabalho envolve curium pesado, que pode ser convertido em califórnio 252, um elemento usado como fonte crítica para o arranque de reatores nucleares.

A iniciativa marca o retorno de capacidades especializadas de processamento radioquímico que haviam sido perdidas desde a era da Guerra Fria.

O que aconteceu e por que isso chamou atenção

O Departamento de Energia dos Estados Unidos colocou em funcionamento um novo processo de separação radioquímica no Laboratório Nacional do Rio Savannah.

O objetivo é recuperar materiais estratégicos presentes em itens conhecidos como objetivos Mark 18A, produzidos décadas atrás.

Esses materiais guardam o plutônio 244, que não tinha sido separado, e também quantidades relevantes de curium pesado.

A combinação de raridade e utilidade científica faz desse conjunto um alvo de alto interesse para missões consideradas críticas.

Video de YouTube
este nuclear Ivy King, realizado durante a Guerra Fria, no qual foi detonado um objetivo Mark 18A, um dos experimentos mais potentes do programa nuclear dos Estados Unidos

Como funciona o processo quando aplicável

A recuperação passa por técnicas de processamento radioquímico para separar e aproveitar isótopos de alto valor.

Uma parte central do trabalho envolve transformar curium pesado em califórnio 252.

O califórnio 252 funciona como uma fonte usada para o arranque de reatores nucleares, ajudando a iniciar processos dentro dessas instalações.

A operação também é tratada como um primeiro passo para ampliar a oferta de isótopos estratégicos para o governo dos Estados Unidos.

O que muda na prática para a pesquisa e a segurança

A presença do plutônio 244 tem peso direto na pesquisa forense nuclear, área voltada a identificar origem e características de materiais nucleares.

Ter acesso ao único suprimento mundial desse isótopo pode ampliar a capacidade de análises e investigações ligadas ao tema.

Ao mesmo tempo, a geração de califórnio 252 reforça o uso de fontes críticas em atividades relacionadas a reatores nucleares.

O avanço também ajuda a reconstruir competências técnicas em processamento radioquímico especializado.

Programa de Recuperação de Objetivos Mark 18A

Explosão nuclear do teste Ivy King, realizado em 1952, com potência aproximada de 500 quilotons, utilizando um objetivo Mark 18A. O experimento integrou a série Operation Ivy e teve papel central no desenvolvimento de armas termonucleares e no estudo de efeitos físicos da detonação aérea

O Programa de Recuperação de Objetivos Mark 18A surgiu de uma colaboração de vários anos entre a Administração Nacional de Segurança Nuclear, a Oficina de Gestão Ambiental e a Oficina de Ciências.

A estratégia integra a missão de limpeza ambiental com demandas de segurança nacional, transformando resíduos históricos em recursos estratégicos.

Essa mudança leva o foco do armazenamento seguro para uma gestão mais ativa, alinhada a necessidades dentro do complexo do Departamento de Energia.

O projeto foi desenhado e programado no próprio sítio do Rio Savannah, ampliando a capacidade nacional de recuperação nuclear.

Pontos de atenção e dúvidas comuns

Um fator que reforça a importância dessa gestão é a persistência da contaminação associada a materiais da Guerra Fria.

Um achado ambiental em instalações da Carolina do Sul trouxe visibilidade para esse tipo de risco: foram encontrados ninhos de vespas radioativas durante inspeções de rotina perto do parque de tanques da área F.

Um desses ninhos, preso a um suporte perto de um tanque com resíduos radioativos líquidos, registrou radiação dez vezes acima dos limites federais de segurança.

A avaliação indicou contaminação herdada do local, com possibilidade de as vespas terem usado barro contaminado ou fibras de madeira do ambiente, concentrando radionuclídeos antigos.

O que pode acontecer a partir de agora

O trabalho também tem efeito direto na formação de profissionais, com treinamento prático para cientistas, engenheiros e equipes técnicas.

A iniciativa fortalece a base de conhecimento necessária para desenhar, construir e operar sistemas de processamento radioquímico.

Ao recuperar isótopos de alto valor, o programa ajuda a enfrentar desafios da indústria nuclear e requisitos ligados a não proliferação.

Também dá suporte à agenda nacional de revitalização da base industrial nuclear e de fortalecimento do ciclo do combustível nuclear.

A operação coloca em movimento a recuperação do plutônio 244 e a produção de califórnio 252, dois elementos com impacto direto em pesquisa, segurança e aplicações em reatores.

Ao reativar capacidades de processamento radioquímico, os Estados Unidos avançam na gestão de materiais herdados da Guerra Fria e na transformação desses resíduos em recursos estratégicos.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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