1. Inicio
  2. / Curiosidades
  3. / Estamos à beira de um mundo sem praias, e o preço para evitar isso é quase impossível
Tiempo de lectura 4 min de lectura Comentarios 0 comentarios

Estamos à beira de um mundo sem praias, e o preço para evitar isso é quase impossível

Publicado el 12/08/2025 a las 20:35
Actualizado el 12/08/2025 a las 21:36
Praias, Areia, Erosão
Imagem: Unsplash
  • Reação
Uma pessoa reagiu a isso.
Reagir ao artigo

Escassez de areia e custos elevados desafiam cidades como Rodanthe, Miami e Barcelona, forçando decisões drásticas para lidar com a erosão costeira

O desaparecimento das praias pode ser mais preocupante do que o surgimento de algas ou a presença de matéria fecal na água. Em muitos lugares, a erosão costeira supera em gravidade o “roubo” de áreas litorâneas para construções. Trata-se de um processo já em andamento e que consome bilhões sem resultados duradouros.

Um exemplo crítico: Rodanthe

O Financial Times destacou recentemente a situação de Rodanthe, nos Outer Banks, na Carolina do Norte. A localidade perde entre 3 e 4,5 metros de faixa de areia por ano.

Desde 2020, onze casas já desabaram no mar. O fenômeno é agravado por tempestades mais intensas, marés fortes e pela elevação do nível do mar ligada às mudanças climáticas.

O problema ganhou um novo componente: a escassez de areia. Esse recurso natural atua como barreira contra inundações e temporais, mas sua demanda crescente, especialmente pela construção civil, encarece e limita a disponibilidade.

A principal medida usada para conter a erosão é a chamada “regeneração de praias”, que consiste em transportar areia de outros locais.

Em Rodanthe, o custo inicial ultrapassaria 40 milhões de dólares, valor impraticável para a administração local. Isso deixa duas opções: retirar infraestruturas de forma planejada ou resistir até que o mar vença.

Cidades e economias em risco com perda de areia

O desafio não se limita a Rodanthe. Miami, Barcelona e a australiana Gold Coast vivem a perda constante de areia.

Em Barcelona, a erosão anual de 30 mil m³ piora a cada tempestade, e nem diques e espigões impediram o avanço do mar.

Na Gold Coast, o ciclone Alfred, em março, arrancou tanta areia que deixou partes do muro de contenção expostas.

A recuperação levará três anos e custará 40 milhões de dólares australianos. Cerca de 10% da população mundial vive a menos de 5 km da costa. A urbanização bloqueia fluxos naturais de areia, agravando o cenário.

Limites da reposição de areia

Manter praias artificiais é cada vez mais difícil e caro. Em alguns casos, cientistas defendem permitir que a linha de costa avance para o interior, apesar do impacto social e político.

A reposição de areia é preferível a estruturas rígidas, que podem intensificar a erosão em áreas vizinhas. No entanto, trata-se de uma solução temporária.

A durabilidade depende de fatores como geologia local, clima e pressão humana. Algumas praias precisam de reposição a cada dois anos, outras resistem até dez.

Desafios logísticos e ambientais

Nos Estados Unidos, a técnica é usada há um século. Quase 600 praias já passaram pelo processo, que atingiu um pico de 50 milhões de m³ em 2019.

Mas encontrar areia adequada está cada vez mais difícil. Na Carolina do Norte, as reservas locais acabaram. Em Miami, é preciso transportar do interior.

Objeções ambientais também complicam a logística, já que a extração pode afetar habitats marinhos. Além disso, tempestades severas podem eliminar, em poucos dias, investimentos milionários.

Em regiões com erosão moderada e abundância de areia, como os Países Baixos, a regeneração é política de Estado.

O país investe 0,3% do PIB anual na gestão de riscos de inundação e dispõe de 12 milhões de m³ de areia por ano, volume suficiente para proteger cidades inteiras.

Quando recuar é a única saída

Em áreas com erosão severa e custos fora de controle, a retirada planejada pode ser a solução mais viável. Isso exige desapropriações e demolições controladas.

Em Rodanthe, o Serviço Nacional de Parques comprou e demoliu duas casas avaliadas em milhões de dólares para devolver o terreno ao uso público.

Sem recursos para ampliar o programa, muitos moradores aceitam que o mar continuará avançando. A estratégia, para alguns, é vender antes que a água alcance os pântanos próximos.

Um dilema global

A escassez e o alto custo da areia, somados ao avanço da erosão, indicam que manter as praias será inviável para muitas comunidades.

Embora a regeneração continue sendo a solução mais usada para proteger propriedades e economias, seus limites físicos, financeiros e ambientais forçam a busca por alternativas.

O dilema é claro: investir cada vez mais para tentar conter o mar ou devolver terreno à natureza. Essa escolha definirá o futuro de grande parte das áreas costeiras habitadas.

Enquanto isso, o tempo e as mudanças climáticas aceleram a disputa entre a resistência humana e a força inevitável do oceano.

Com informações de Xataka.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Etiquetas
Romário Pereira de Carvalho

Já publiquei milhares de matérias em portais reconhecidos, sempre com foco em conteúdo informativo, direto e com valor para o leitor. Fique à vontade para enviar sugestões ou perguntas

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x