1. Inicio
  2. / Curiosidades
  3. / Estrada de vidro? ‘Asfalto com garrafa quebrada’ entrou no tapa-buraco, virou teste oficial e mostrou como lixo pode virar pista de verdade
Tiempo de lectura 4 min de lectura Comentarios 0 comentarios

Estrada de vidro? ‘Asfalto com garrafa quebrada’ entrou no tapa-buraco, virou teste oficial e mostrou como lixo pode virar pista de verdade

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 25/02/2026 a las 18:19
Samoa testa uso de vidro reciclado em tapa-buraco com glassphalt, unindo pavimentação e economia circular em projeto apoiado pelo PNUD.
Samoa testa uso de vidro reciclado em tapa-buraco com glassphalt, unindo pavimentação e economia circular em projeto apoiado pelo PNUD.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Iniciativa em Samoa testa uso de vidro reciclado triturado em massa asfáltica para reparo de buracos, unindo manutenção viária e economia circular em projeto acompanhado por organismo internacional e entidades locais.

Uma iniciativa divulgada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento apresentou, em Samoa, um teste de uso de vidro reciclado triturado na massa asfáltica aplicada em reparos de buracos, associando manutenção viária a estratégias de reaproveitamento de resíduos sólidos.

De acordo com o comunicado institucional do PNUD no país, o material foi empregado em caráter experimental na entrada do aterro de Tafaigata, em parceria com a Samoa Recycling and Waste Management Association e a empresa local R&R Construction.

Apesar do apelido popular sugerir uma “pista de vidro”, o processo descrito não deixa fragmentos expostos na superfície, pois o vidro passa por trituração e peneiramento antes de ser incorporado como agregado à mistura asfáltica convencional.

Glassphalt: como funciona o asfalto com vidro reciclado

Samoa testa uso de vidro reciclado em tapa-buraco com glassphalt, unindo pavimentação e economia circular em projeto apoiado pelo PNUD.
Samoa testa uso de vidro reciclado em tapa-buraco com glassphalt, unindo pavimentação e economia circular em projeto apoiado pelo PNUD.

O composto é conhecido como glassphalt e consiste na substituição parcial de agregados minerais por vidro reciclado moído, dentro de proporções técnicas que buscam manter características de estabilidade e uniformidade da camada aplicada na via.

Segundo literatura técnica sobre pavimentação, o asfalto tradicional combina ligante betuminoso e agregados minerais, e ajustes na composição são estudados há décadas para adequar desempenho, disponibilidade de insumos e condições locais de aplicação.

No caso do vidro, especialistas apontam que a granulometria e a limpeza do material são determinantes para evitar problemas de aderência ou desgaste precoce, exigindo controle de qualidade antes da incorporação à mistura asfáltica.

Tapa-buraco como campo de teste monitorado

A escolha pelo reparo localizado atende a uma lógica operacional, já que o tapa-buraco permite monitorar o comportamento do material em escala reduzida, com observação direta do desempenho sob tráfego e variações climáticas.

Conforme descrito pelo PNUD, duas proporções de vidro triturado em relação à areia foram avaliadas antes da aplicação definitiva, o que indica uma etapa preliminar de ajuste técnico na composição da massa utilizada.

Em serviços desse tipo, o objetivo é restabelecer a superfície de rolamento e minimizar infiltrações de água que aceleram a degradação do pavimento, fatores que costumam orientar a avaliação de qualquer novo insumo empregado.

Video de YouTube

Economia circular e gestão de resíduos em ilhas

A iniciativa foi vinculada ao programa Circular Economy for the Recovery of Waste, o CERO Waste, cofinanciado pela British High Commission em Apia e pelo próprio PNUD, com foco na recuperação de valor econômico a partir de materiais descartados.

Segundo o comunicado, o aterro de Tafaigata já atingiu sua capacidade total, e a busca por alternativas de reaproveitamento do vidro passou a integrar as estratégias para reduzir o volume destinado à disposição final.

Dados divulgados pela SRWMA indicam que, desde meados de 2021, mais de 700 toneladas de vidro pós-consumo deixaram de seguir para o aterro, sendo que 168 toneladas foram efetivamente trituradas para uso em diferentes produtos.

Entre esses produtos, além do glassphalt, estão aplicações em concreto moldado, blocos, pavers e peças ornamentais, conforme detalhado pela associação responsável pelo gerenciamento de resíduos no país.

Declarações oficiais e alcance social do projeto

No material institucional, a oficial do PNUD em Samoa afirmou que “This trial showcases yet another example of value being recovered from waste”, ao relacionar a experiência à ampliação de mercados para o vidro coletado.

Samoa testa uso de vidro reciclado em tapa-buraco com glassphalt, unindo pavimentação e economia circular em projeto apoiado pelo PNUD.
Samoa testa uso de vidro reciclado em tapa-buraco com glassphalt, unindo pavimentação e economia circular em projeto apoiado pelo PNUD.

A presidente da SRWMA, Marina Keil, também citada na divulgação, declarou que a expansão do uso do vidro triturado depende da continuidade do trabalho da equipe envolvida e da consolidação de novos produtos derivados.

O texto institucional informa ainda que o programa empregou sete jovens, incluindo pessoas com deficiência em parceria com a SENESE Inclusive Education, no processamento e na preparação do material reciclado.

Limites técnicos e necessidade de acompanhamento

Especialistas em pavimentação observam que qualquer alteração na composição de misturas asfálticas requer testes e acompanhamento em campo, pois fatores como tráfego, temperatura e umidade influenciam diretamente a durabilidade do reparo.

Até o momento, não há divulgação pública consolidada sobre o desempenho de longo prazo do trecho onde o glassphalt foi aplicado, o que mantém o projeto no estágio de experimento monitorado.

A comunicação oficial trata a iniciativa como teste e não como solução definitiva, destacando a intenção de observar resultados antes de eventual ampliação do uso em outras áreas da malha viária.

Ao integrar manutenção urbana e reaproveitamento de resíduos, o projeto coloca em evidência uma alternativa técnica que depende de validação prática, inserida no debate mais amplo sobre economia circular e gestão de infraestrutura.

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x