Estudo recente identifica formação rochosa inédita, altera explicações sobre a elevação de Bermuda e amplia o conhecimento sobre processos profundos da Terra
Uma descoberta científica de grande relevância foi divulgada em novembro de 2025, atraindo atenção internacional para a região conhecida como Triângulo das Bermudas. Pesquisadores identificaram uma estrutura rochosa gigantesca e incomum, localizada sob a crosta oceânica próxima à ilha de Bermuda, no Atlântico Norte. O achado foi apresentado em estudo publicado na revista científica Geophysical Research Letters, conduzido por William Frazer, do Carnegie Science, e Jeffrey Park, da Universidade Yale. Desde então, a descoberta passou a reorganizar interpretações consolidadas sobre a formação geológica da área.
A análise revelou uma camada de rocha com cerca de 20 quilômetros de espessura, posicionada entre a crosta oceânica e o manto terrestre. Essa configuração, segundo os autores, não encontra paralelo em nenhuma outra região conhecida do planeta, o que imediatamente despertou interesse da comunidade científica.
Leituras sísmicas revelam camada inédita sob Bermuda
A identificação da estrutura ocorreu, principalmente, a partir da análise de ondas sísmicas geradas por terremotos distantes, registradas por uma estação instalada em Bermuda. À medida que essas ondas atravessam diferentes materiais, elas sofrem alterações de velocidade e trajetória. Com base nessas variações, os pesquisadores conseguiram mapear o subsolo até cerca de 50 quilômetros de profundidade.
-
Por mais de 400 anos, marinheiros relataram cruzar um oceano que brilhava no escuro como neve, sem ondas e sem reflexos, apenas um brilho uniforme se estendendo até o horizonte, e em 2019 um satélite registrou o fenômeno cobrindo mais de 100.000 km² por mais de 40 noites seguidas ao sul de Java, mas os cientistas ainda não sabem exatamente o que desencadeia o processo
-
Japão vira referência com processo genial que recicla 100 toneladas de plástico por dia usando técnica que remove contaminantes, sensores ópticos que separam PP e PE em segundos e linhas industriais que transformam toneladas de resíduos em paletes reutilizáveis.
-
China criou máquina ‘impossível’ que muda a agricultura ao combinar drones, tratores autônomos com navegação centimétrica, sensores e inteligência artificial
-
A cidade flutuante movida a 2 reatores nucleares que abandona o vapor, usa campos eletromagnéticos para lançar aeronaves ao céu e inaugura uma nova era dos porta-aviões de guerra
Os dados indicaram a presença de uma camada menos densa do que o esperado, localizada abaixo da crosta oceânica. Esse resultado surpreendeu os cientistas, pois a espessura e a composição da formação fogem completamente dos modelos geológicos tradicionais usados para explicar ilhas oceânicas isoladas.
Estrutura ajuda a explicar elevação persistente da ilha
A descoberta lança nova luz sobre um antigo enigma geológico. Bermuda permanece elevada em relação ao fundo oceânico, apesar de não apresentar atividade vulcânica há aproximadamente 31 milhões de anos. Em condições normais, ilhas desse tipo tendem a afundar gradualmente quando deixam de ser alimentadas por magma proveniente de pontos quentes do manto.
No entanto, a pesquisa sugere que essa camada espessa de rocha funciona como um suporte estrutural, ajudando a sustentar a elevação da ilha. De forma indireta, essa formação age como um elemento de flutuabilidade geológica, mantendo Bermuda acima do nível esperado para a crosta oceânica local.
Relação com processos antigos da Terra
Além disso, os cientistas apontam que a origem da estrutura pode estar ligada a eventos geológicos muito antigos. Evidências geoquímicas indicam conexão com processos associados à formação e fragmentação do supercontinente Pangeia, ocorrida entre cerca de 900 milhões e 300 milhões de anos atrás.
Estudos anteriores sobre lavas da região já sugeriam uma composição incomum, compatível com materiais oriundos de camadas profundas do manto terrestre. Agora, a nova análise sísmica reforça essa hipótese, conectando o passado geológico profundo da Terra à configuração atual do Atlântico Norte.
Impacto científico e próximos passos
A descoberta altera, de maneira significativa, a compreensão sobre como ilhas oceânicas podem se formar, evoluir e permanecer elevadas ao longo de milhões de anos. Por isso, os autores do estudo indicam que novas investigações serão conduzidas em outras ilhas oceânicas, com o objetivo de verificar se estruturas semelhantes existem em diferentes partes do planeta.
Esse avanço amplia o conhecimento sobre a dinâmica interna da Terra e demonstra como processos profundos podem influenciar a superfície por escalas de tempo geológicas extensas.
Diante desse cenário, até que ponto descobertas como essa podem transformar os modelos atuais usados para explicar a evolução dos oceanos e das ilhas ao redor do mundo?
-
-
4 pessoas reagiram a isso.