Casos graves de Covid 19 podem provocar inflamação pulmonar prolongada e aumentar o risco de câncer de pulmão, aponta estudo.
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Virgínia (UVA), nos Estados Unidos, revelou que pessoas que tiveram Covid 19 grave ou outras formas severas de infecção respiratória, como gripe, podem apresentar maior risco de câncer de pulmão no futuro.
A pesquisa foi publicada na revista científica Cell em março e analisou dados de pacientes hospitalizados e experimentos laboratoriais.
Segundo os cientistas, infecções respiratórias intensas podem provocar inflamação pulmonar prolongada, criando um ambiente favorável ao desenvolvimento de tumores meses ou até anos após a doença.
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Os pesquisadores observaram que alterações no sistema imunológico dos pulmões após uma infecção respiratória grave podem favorecer o surgimento de células cancerígenas.
Assim, o estudo sugere que pacientes que enfrentaram Covid 19 grave devem receber acompanhamento médico mais atento ao longo do tempo.
Inflamação pulmonar prolongada pode aumentar o risco de câncer
De acordo com os cientistas, a ligação entre infecção respiratória severa e câncer de pulmão está relacionada à inflamação persistente nos tecidos pulmonares.
Normalmente, o organismo utiliza células de defesa para combater vírus e bactérias. Entretanto, quando ocorre uma inflamação pulmonar intensa, algumas dessas células podem permanecer ativas por muito tempo.
Esse estado inflamatório prolongado cria condições que facilitam o crescimento de tumores.
“Um caso grave de Covid ou gripe pode deixar os pulmões em um estado ‘inflamado’ duradouro que facilita o estabelecimento do câncer posteriormente”, explicou Jie Sun, codiretor do Carter Center da UVA e membro da Divisão de Doenças Infecciosas e Saúde Internacional da universidade.
Além disso, os pesquisadores identificaram mudanças nas células que revestem os pulmões e nos pequenos sacos de ar responsáveis pela respiração.
Essas alterações contribuem para manter o tecido pulmonar em constante inflamação.
Estudo aponta aumento no risco de câncer de pulmão após Covid 19 grave
Para entender melhor a relação entre Covid 19 grave e câncer de pulmão, os cientistas analisaram dados de pacientes hospitalizados e também realizaram experimentos com camundongos.
Nos testes laboratoriais, animais que sofreram infecções pulmonares severas apresentaram maior probabilidade de desenvolver tumores nos pulmões posteriormente.
Além disso, esses roedores tiveram uma taxa maior de mortalidade associada à doença.
Entre humanos, os resultados também chamaram atenção.
Pacientes que precisaram ser hospitalizados por Covid-19 grave apresentaram cerca de 24% mais diagnósticos de câncer de pulmão em comparação com pessoas que não tiveram infecções respiratórias severas.
Curiosamente, esse aumento no risco de câncer apareceu independentemente de fatores tradicionais como tabagismo ou outras doenças.
Alterações nas células imunológicas explicam o fenômeno
Segundo os pesquisadores, o aumento no risco de câncer de pulmão pode estar ligado às mudanças em células imunológicas chamadas neutrófilos e macrófagos.
Essas células normalmente ajudam a proteger os pulmões contra infecções. No entanto, após uma infecção respiratória grave, parte delas passa a agir de forma diferente.
Em vez de apenas combater vírus, elas podem contribuir para manter um ambiente inflamatório constante.
Esse cenário favorece o surgimento e a multiplicação de células cancerígenas.
Portanto, a inflamação pulmonar persistente surge como um dos principais mecanismos que explicam a ligação entre Covid 19 grave e câncer de pulmão.
Vacinação pode reduzir inflamação pulmonar e risco de câncer
Apesar da preocupação, o estudo também trouxe uma notícia positiva.
Os pesquisadores observaram que vacinas contra vírus respiratórios, como Covid-19 e influenza, podem ajudar a evitar muitas das alterações pulmonares associadas ao risco de câncer.
Isso acontece porque a vacinação permite que o sistema imunológico responda mais rapidamente ao vírus.
Consequentemente, a infecção tende a ser menos grave e provoca menos danos aos pulmões.
Assim, a vacinação pode reduzir tanto a inflamação pulmonar prolongada quanto as alterações celulares que facilitam o desenvolvimento de tumores.
Infecções leves não apresentam o mesmo risco
Outro ponto importante identificado pelos cientistas é que nem todas as infecções respiratórias aumentam o risco de câncer de pulmão.
Os dados mostram que o problema aparece principalmente em casos graves que exigem hospitalização.
Pessoas que tiveram infecções leves não apresentaram esse aumento no risco. Em alguns casos, inclusive, houve uma leve redução na incidência da doença.
Isso reforça a ideia de que a gravidade da infecção respiratória desempenha papel crucial na inflamação pulmonar prolongada.
Monitoramento pode ajudar na detecção precoce do câncer de pulmão
Diante das descobertas, especialistas defendem que pessoas que tiveram Covid 19 grave, gripe severa ou pneumonia possam se beneficiar de acompanhamento médico mais frequente.
Esse monitoramento pode incluir exames de imagem, como tomografias do pulmão, para identificar possíveis tumores ainda em estágios iniciais.
O médico-cientista da UVA Jeffrey Sturek, que colaborou no estudo, destacou que as descobertas podem influenciar o acompanhamento clínico desses pacientes.
Segundo os pesquisadores, estudos futuros ainda devem determinar quais grupos apresentam maior vulnerabilidade e qual estratégia de monitoramento é mais eficaz.
Ainda assim, os especialistas concordam que detectar o câncer de pulmão precocemente aumenta significativamente as chances de tratamento bem-sucedido.
Veja mais em: Casos graves de Covid-19 e gripe elevam risco de câncer de pulmão e Sequelas da Covid 19 ou gripe: pacientes tem mais chance de desenvolver câncer de pulmão após caso grave de infecção

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