Setor agrícola ganha força e movimenta bilhões, segundo levantamento nacional que mostra como a produção de amendoim mais que triplicou.
A produção de amendoim mais que triplicou na última década, aponta estudo lançado pela Associação Brasileira do Amendoim (Abex-BR), que detalha como o setor se transformou em uma potência agrícola responsável por movimentar R$ 18,6 bilhões por ano.
O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (3) em Ribeirão Preto, reúne dados de toda a cadeia produtiva e explica quem impulsiona esse crescimento, onde ele ocorre, quando o avanço se consolidou, como a produção evoluiu e por que o amendoim ganhou protagonismo no Brasil.
Assim, o documento se torna o primeiro mapeamento completo do setor já produzido no país.
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Com 134 páginas, o estudo combina informações públicas e entrevistas feitas com 200 produtores e 32 empresas da área.
Segundo o presidente da Abex-BR, Cristiano Zanguetin Fantin, «esses dados organizados são uma bússola para identificar oportunidades em toda a cadeia produtiva, da produção à industrialização, etapa que mais agrega valor».
Brasil entra no top 10 mundial: Produção de amendoim mais que triplicou na última década, aponta estudo
O novo panorama mostra que o país alcançou 1,3 milhão de toneladas no ciclo 2024/2025, volume que colocou o Brasil, pela primeira vez, entre os 10 maiores produtores globais.
Na última safra, o país ficou na 8ª posição entre 54 competidores e avançou ainda mais no comércio internacional: tornou-se o 5º maior exportador de grão e o 2º maior exportador de óleo de amendoim.
Além disso, entre 60% e 70% de toda a produção brasileira segue para o mercado externo, gerando cerca de R$ 3,9 bilhões por ano.
China, Rússia, Argélia e União Europeia lideram a lista de destinos.
Perfil do produtor revela juventude e expansão territorial
A pesquisa mostra um setor em renovação.
Os entrevistados têm entre 21 e 77 anos, mas a média de idade é de 45 anos — considerada jovem quando comparada a regiões tradicionais, como a Europa.
A maioria, 85%, está em São Paulo, enquanto Mato Grosso do Sul representa 8%, Minas Gerais 4% e Mato Grosso 1%.
Produtores familiares dominam áreas maiores e apresentam produtividade 6% superior à de agricultores individuais.
Apesar do bom desempenho, apenas 25% se dedicam exclusivamente ao amendoim.
As fazendas contam, em média, com 28 máquinas, compondo uma frota total de 12 mil equipamentos no país.
Mesmo assim, 72% ainda dependem de terceiros para secagem e 91% não possuem estrutura própria de beneficiamento.
Uma cadeia bilionária impulsionada pela produção de amendoim mais que triplicou na última década, aponta estudo
O levantamento detalha cinco elos fundamentais:
Insumos e máquinas:
Faturamento de R$ 2,5 bilhões;
Salários de R$ 128 milhões;
Impostos de R$ 610 milhões.
Produção agrícola:
Faturamento de R$ 4,3 bilhões;
Salários de R$ 991 milhões;
Impostos de R$ 627 milhões.
Beneficiamento:
Movimentação de R$ 4,9 bilhões;
Salários de R$ 196 milhões;
Impostos de R$ 501 milhões.
Industrialização:
Faturamento de R$ 2,6 bilhões;
Impostos destacados: R$ 756 milhões.
Comercialização:
Representa R$ 4 bilhões;
Contribuição de R$ 1,4 bilhão em impostos.
Somados, os setores geram R$ 7,6 bilhões diretamente ligados ao PIB brasileiro.
Tecnologia avança, mas custo limita novos produtores
Com 340 mil hectares cultivados — 74% em São Paulo —, o país atinge produtividade média de 3,8 toneladas por hectare, ocupando o 3º lugar em eficiência entre os principais produtores do mundo.
Cerca de 64,5% dos agricultores usam ferramentas de agricultura de precisão, embora o alto investimento ainda dificulte a entrada de novos produtores.
Assim a expansão para o Centro-Oeste e novos estados busca justamente reduzir gastos e aproveitar áreas mais competitivas.
Desafios seguem no radar mesmo após o salto: Produção de amendoim mais que triplicou na última década, aponta estudo
Assim apesar do avanço robusto, o setor enfrenta obstáculos importantes:
Baixo consumo doméstico: apenas 26% da produção fica no país;
Consumo per capita muito inferior ao dos EUA (0,8 kg x 6 kg/ano);
Dependência de arrendamento e concorrência por terras em São Paulo;
Assim o alto custo de frete e produção em novas regiões;
Falta de infraestrutura para armazenagem e beneficiamento;
Necessidade de padronização para entrar em mercados premium.
Mesmo assim, o estudo reforça que o potencial de crescimento permanece elevado, especialmente com o avanço tecnológico e a força exportadora já consolidada.
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