Os corvos acabam de ganhar mais uma prova de sua notável inteligência. Um novo estudo demonstrou que essas aves são capazes de identificar formas geométricas, como triângulos, círculos e quadrados, com alto grau de precisão
Um estudo realizado na Alemanha revelou que os corvos possuem uma habilidade rara: reconhecer padrões geométricos regulares e identificar elementos fora do padrão em conjuntos de formas. A descoberta chamou atenção por mostrar que esses animais têm uma intuição visual semelhante à dos seres humanos.
Sensibilidade geométrica natural
Pesquisadores da Universidade de Tübingen treinaram dois corvos-carniceiros machos, de 10 e 11 anos, para detectar formas diferentes entre conjuntos de figuras exibidas em uma tela. Os corvos precisavam bicar a figura considerada “intrusa”, ou seja, aquela que não combinava com as demais.
O objetivo era entender se esses animais seriam capazes de perceber irregularidades geométricas sem nunca terem sido treinados diretamente para essa tarefa.
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Até aquele momento, os corvos nunca haviam sido expostos a esse tipo específico de desafio com quadriláteros. Isso garantiu que os testes avaliassem percepções inatas, e não aprendizados adquiridos.
Testes com diferentes níveis de dificuldade
As figuras apresentadas incluíam quadrados, losangos, trapézios isósceles, dobradiças e quadriláteros irregulares. Todos apareciam com variações de rotação e tamanho. A ideia era observar como os corvos reagiriam a formas mais regulares e outras mais excêntricas.
Os resultados foram claros: quanto mais regulares eram as formas — com lados iguais ou ângulos de 90 graus — mais facilmente os corvos conseguiam detectar a figura que destoava. Formas como quadrados e retângulos geraram melhor desempenho nos testes.
Quando expostos a formas menos familiares, como losangos ou quadriláteros com ângulos variados, os corvos demonstraram maior dificuldade. Mas mesmo nesses casos, conseguiram identificar padrões, o que indica uma capacidade visual avançada.
Semelhança com humanos
O fisiologista Andreas Nieder, responsável pelo estudo, destacou as semelhanças entre o comportamento dos corvos e o dos humanos. Assim como nós, eles também enfrentam mais dificuldade para perceber padrões geométricos em formas assimétricas.
Além disso, a equipe usou, em parte dos testes, figuras mais simples como estrelas e luas — já conhecidas pelos corvos — para manter o interesse dos animais e evitar frustração com os desafios mais complexos.
Base evolutiva da geometria
A descoberta vai além de uma simples curiosidade sobre inteligência animal. Segundo os pesquisadores, a habilidade de identificar regularidade em formas pode ter sido essencial para a sobrevivência de várias espécies. No caso das aves, isso pode estar ligado à orientação espacial e navegação em ambientes naturais.
“Os pássaros utilizam regularidades espaciais, por exemplo, para se orientar e navegar em ambientes maiores“, explicou Nieder. “Isso lhes dá vantagem de sobrevivência.”
Habilidade inata e não ensinada
O ponto central da pesquisa foi mostrar que esses corvos não precisaram aprender a tarefa. Eles já possuíam, de forma natural, a capacidade de perceber propriedades geométricas em figuras planas. Essa intuição visual pode ter raízes profundas na biologia, compartilhadas por diferentes espécies ao longo da evolução.
“Essa intuição básica dos corvos, sua capacidade de compreender propriedades geométricas em formas bidimensionais, exemplifica como o conhecimento básico de magnitudes e geometria está enraizado na evolução biológica”, afirmou Nieder.
Publicação reconhecida
Os resultados do estudo foram publicados na revista Science Advances. É a primeira vez que se comprova esse tipo de percepção visual geométrica em uma espécie não humana. Isso amplia a compreensão sobre como a cognição visual evoluiu e pode estar mais espalhada entre os animais do que se imaginava.
Os corvos demonstraram essa habilidade sem qualquer preparação específica para detectar quadriláteros intrusos. Isso reforça a ideia de que certos princípios visuais, como a regularidade das formas, são percebidos instintivamente, mesmo sem ensino ou linguagem.
A pesquisa foi publicada na Science Advances.

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