Acusações feitas em Genebra intensificam tensões entre potências nucleares e reacendem o debate sobre corrida armamentista em um cenário internacional instável
Os Estados Unidos elevaram o tom contra a China nesta sexta-feira (6). Dessa vez, Washington acusou Pequim de ter realizado um teste nuclear secreto em 2020. Ao mesmo tempo, o governo americano passou a defender um novo tratado de controle de armas nucleares, com escopo mais amplo e caráter multilateral.
Nesse contexto, os EUA afirmam que o novo acordo precisa incluir a China, além da Rússia. Até então, os tratados existentes envolviam apenas Washington e Moscou. Como resultado, o debate ganhou urgência logo após a expiração do Tratado Novo START.
Esse acordo limitou, por mais de duas décadas, os arsenais estratégicos das duas maiores potências nucleares do mundo. No entanto, com o fim do tratado, o sistema internacional entrou em um vazio regulatório. Desde então, especialistas alertam para riscos maiores de instabilidade.
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A informação foi divulgada por “Reuters”, em reportagem assinada por Olivia Le Poidevin, Friederike Heine e Ludwig Burger, publicada em 06/02/2026, com atualização às 10h23. Segundo a agência, o término do Novo START deixou o mundo sem restrições formais entre EUA e Rússia pela primeira vez desde 1972.
Diante disso, cresce o temor de erros de cálculo e escaladas não intencionais. Além disso, a entrada da China no centro do debate amplia ainda mais a complexidade do controle nuclear global.
Declarações dos EUA sobre testes nucleares ampliam o confronto diplomático com Peququim
Durante a Conferência sobre Desarmamento, realizada em Genebra, o subsecretário de Estado dos EUA para Controle de Armas, Thomas DiNanno, apresentou acusações diretas. Segundo ele, o governo americano tem conhecimento de que a China realizou testes com explosivos nucleares.
Além disso, DiNanno afirmou que Pequim preparou ensaios com rendimentos estimados na casa das centenas de toneladas. Em seguida, ele declarou que um desses testes ocorreu em 22 de junho de 2020.
De acordo com o representante americano, o Exército chinês tentou ocultar as explosões nucleares. Para isso, utilizou a técnica conhecida como “desacoplamento”. Esse método reduz a eficácia do monitoramento sísmico internacional e dificulta a detecção de explosões.
Por esse motivo, autoridades americanas classificaram a prática como uma violação de compromissos internacionais. Diplomatas presentes na conferência consideraram as acusações novas e preocupantes. Assim, o tema rapidamente ganhou destaque no cenário diplomático.
Por outro lado, o embaixador da China para o desarmamento, Shen Jian, adotou outra linha. Ele evitou responder diretamente às acusações. Ainda assim, afirmou que Pequim sempre atuou com prudência e responsabilidade em questões nucleares.
Segundo Shen, os Estados Unidos exageram a chamada “ameaça nuclear chinesa”. Além disso, ele declarou que Washington difunde narrativas falsas. Na visão do diplomata, os EUA contribuem diretamente para o agravamento da corrida armamentista.
Dessa maneira, o confronto verbal evidenciou o alto nível de desconfiança entre as duas potências.
Fim do Novo START aprofunda crise no sistema global de controle de armas

O Tratado Novo START, assinado em 2010, funcionou como um dos principais pilares do controle nuclear internacional. Ele estabeleceu limites claros para mísseis estratégicos e ogivas nucleares de Estados Unidos e Rússia.
Com a expiração do acordo, os dois países passaram a operar sem qualquer restrição legalmente vinculante. Isso não ocorria havia mais de meio século. Como consequência, analistas enxergam um cenário mais instável e imprevisível.
O presidente dos EUA, Donald Trump, defende a substituição do tratado por um novo acordo. Segundo ele, um modelo bilateral já não atende às ameaças atuais. Por isso, Washington pressiona pela inclusão da China nas negociações.
Autoridades americanas projetam que Pequim poderá ultrapassar 1.000 ogivas nucleares até 2030. Esse crescimento preocupa aliados dos EUA. Além disso, reforça o argumento americano por um acordo mais abrangente.
A China, porém, rejeita participar dessas negociações neste momento. Shen Jian afirmou que o país possui cerca de 600 ogivas nucleares. Esse número permanece bem abaixo das aproximadamente 4.000 ogivas mantidas por EUA e Rússia.
Diante disso, Pequim sustenta que não existe equivalência estratégica. Por essa razão, o governo chinês descarta aderir a um novo tratado no curto prazo.
Enquanto isso, especialistas alertam para os riscos da ausência de regras. Sem limites claros, potências nucleares tendem a expandir seus arsenais. Consequentemente, o risco de escalada cresce.
Novo tratado nuclear pode levar anos e aumentar riscos de proliferação

A preocupação também alcança aliados ocidentais. No fórum de Genebra, o Reino Unido defendeu uma nova fase no controle nuclear. Segundo Londres, China, Rússia e Estados Unidos precisam negociar conjuntamente.
A França seguiu a mesma linha. De acordo com autoridades francesas, um acordo entre os países com os maiores arsenais tornou-se essencial. Isso ocorre em um momento de enfraquecimento sem precedentes das normas nucleares internacionais.
A Rússia, por sua vez, sinalizou disposição para dialogar. O ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, afirmou que Moscou está preparada para qualquer cenário. Ainda assim, reconheceu a necessidade de negociações futuras.
Segundo o Kremlin, encontros realizados em Abu Dhabi levaram a um entendimento básico. As partes concordaram em agir com responsabilidade enquanto discutem próximos passos.
Apesar disso, o cenário permanece complexo. A Rússia desenvolve sistemas considerados “exóticos”, como o míssil Burevestnik e o torpedo submarino Poseidon. Ao mesmo tempo, Trump prometeu investir em um sistema de defesa antimíssil espacial, conhecido como “Domo Dourado”.
Especialistas afirmam que qualquer novo tratado nuclear exigirá anos de negociação. Até lá, o mundo deve enfrentar um período prolongado de incerteza geopolítica.
Além disso, cresce o risco de proliferação. Analistas avaliam que países como Japão, Coreia do Sul e Polônia podem intensificar debates internos. A possibilidade de ingressar no clube nuclear passa a ganhar espaço nesses países.
Você acredita que um novo tratado nuclear global é possível ou o mundo caminha para uma nova corrida armamentista?

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