1. Inicio
  2. / Curiosidades
  3. / EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no mar e muitos afundaram a até 1.800 metros de profundidade; só agora, décadas depois, cientistas conseguem descobrir onde realmente estão
Tiempo de lectura 6 min de lectura Comentarios 0 comentarios

EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no mar e muitos afundaram a até 1.800 metros de profundidade; só agora, décadas depois, cientistas conseguem descobrir onde realmente estão

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 05/01/2026 a las 15:27
EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no Pacífico perto de San Francisco; décadas depois, tecnologia moderna revela onde estão e expõe um passivo ambiental histórico.
EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no Pacífico perto de San Francisco; décadas depois, tecnologia moderna revela onde estão e expõe um passivo ambiental histórico.
Seja o primeiro a reagir!
Reagir ao artigo

Descarte autorizado no pós-guerra criou um passivo ambiental pouco mapeado no Pacífico, próximo a uma das áreas marinhas mais protegidas da Califórnia, onde tecnologia moderna começa a revelar a real dimensão e dispersão de resíduos lançados décadas atrás.

Uma área do oceano a oeste da Baía de San Francisco, próxima às Ilhas Farallon, recebeu entre 1946 e 1970 cerca de 47,8 mil recipientes com rejeitos radioativos de baixo nível lançados ao mar.

Embora o descarte tenha ocorrido quando essa prática ainda era permitida, o ponto que segue no centro das discussões não é apenas o volume.

Por décadas, faltou um retrato preciso de onde, no fundo do oceano, esses contêineres acabaram se espalhando.

Descarte de lixo radioativo no Pacífico durante a Guerra Fria

O local aparece em relatórios com um nome técnico, Farallon Island Radioactive Waste Dump.

Ainda assim, a expressão não descreve um “depósito” compacto.

Registros e estudos apontam que parte dos recipientes não foi lançada exatamente nos alvos planejados.

Fatores operacionais, como mau tempo, limitações de navegação e falhas de posicionamento contribuíram para uma distribuição irregular no leito marinho.

Sem um mapeamento detalhado, a área permaneceu por muito tempo associada a incertezas sobre extensão, concentração e estado físico dos materiais.

Video de YouTube

Profundidade e localização dos barris no fundo do mar

Os documentos técnicos descrevem que o descarte ocorreu em três pontos na plataforma e no talude continental, identificados pela profundidade nominal.

Um ponto mais raso, em torno de 90 metros, teria recebido cerca de 150 contêineres.

Um segundo, próximo de 900 metros, foi associado a aproximadamente 3.600 recipientes.

Já a maior parte teria seguido para o local mais profundo, por volta de 1.800 metros, com estimativa de 44.400 contêineres.

Os próprios relatórios ressaltam, porém, que essas designações por profundidade não significam uniformidade do relevo.

O fundo oceânico na região apresenta variações acentuadas.

Predominaram tambores metálicos de 55 galões, além de blocos de concreto e outros tipos de recipientes usados para acondicionar rejeitos.

Ao longo do tempo, a corrosão esperada em ambiente marinho passou a integrar o debate sobre integridade e monitoramento.

Isso ocorreu especialmente porque a localização exata de cada alvo não estava consolidada em um mapa de alta precisão.

Inventário radioativo e limites dos registros históricos

A classificação registrada para o material é de rejeito de baixo nível.

Isso, porém, não elimina a necessidade de quantificação.

Estimativas reunidas em documentos técnicos apontam que, excluindo o trítio, foi descartado um total aproximado de 540 terabecqueréis.

O inventário inclui tório, urânio, radionuclídeos transurânicos, produtos de ativação e uma mistura de produtos de fissão.

EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no Pacífico perto de San Francisco; décadas depois, tecnologia moderna revela onde estão e expõe um passivo ambiental histórico.
EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no Pacífico perto de San Francisco; décadas depois, tecnologia moderna revela onde estão e expõe um passivo ambiental histórico.

As mesmas fontes reconhecem limites claros. Os valores detalhados por radionuclídeo não são conhecidos com precisão.

Grande parte das informações depende de registros históricos e não de uma caracterização completa, contêiner a contêiner.

Esse quadro ajuda a explicar por que o tema retorna com frequência a debates científicos e ambientais.

Há números suficientes para dimensionar o descarte.

Persistem, no entanto, lacunas relevantes sobre a composição fina do material e o estado atual dos recipientes.

Área protegida e conflito com passivo ambiental

A sensibilidade do tema aumentou com a criação, em 1981, do Gulf of the Farallones National Marine Sanctuary.

Parte da região onde ocorreu o descarte passou a ficar dentro dos limites do santuário.

Desde 2015, a área integra o Greater Farallones National Marine Sanctuary.

O caso passou a envolver diretamente a relação entre proteção ambiental e herança de práticas autorizadas no passado.

Além do lixo radioativo, relatórios oficiais registram que o entorno recebeu outros tipos de descarte ao longo das décadas.

Entre eles estão resíduos industriais e operações militares envolvendo munições convencionais e químicas.

Esse histórico múltiplo reforça a necessidade de separar, por método e amostragem, a origem de cada achado no fundo do mar.

EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no Pacífico perto de San Francisco; décadas depois, tecnologia moderna revela onde estão e expõe um passivo ambiental histórico.
EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no Pacífico perto de San Francisco; décadas depois, tecnologia moderna revela onde estão e expõe um passivo ambiental histórico.

Avanço da tecnologia permitiu localizar os contêineres

O “só agora” citado no título está ligado à evolução das ferramentas de observação do fundo oceânico.

No início dos anos 1990, o Serviço Geológico dos Estados Unidos, em cooperação com o santuário marinho, realizou levantamentos com sonar de varredura lateral.

O objetivo era identificar alvos compatíveis com tambores metálicos em uma área extensa.

A estratégia buscava reduzir buscas aleatórias, caras e pouco eficientes em grandes profundidades.

Mesmo esse esforço teve limitações.

Os relatórios indicam que o mapeamento cobriu cerca de 200 quilômetros quadrados, aproximadamente 15% da área estimada do depósito.

Ainda assim, o estudo se tornou referência por exigir uma etapa avançada de interpretação dos dados acústicos.

Distinguir um tambor metálico de formações naturais ou ruído não é trivial em imagens de sonar.

Pesquisadores aplicaram técnicas de processamento e realce para separar sinais compatíveis com recipientes de interferências naturais.

Verificação direta confirmou dados do sonar

A etapa seguinte envolveu confirmação visual.

Em 1994, operações com equipamentos de observação em profundidade verificaram pontos indicados pelo sonar.

Segundo a documentação técnica, contêineres foram observados nos locais sugeridos pelos dados acústicos.

Onde o sonar não indicava presença, não houve identificação visual.

O resultado foi interpretado como um avanço metodológico relevante.

Durante essas observações, a condição física dos tambores variou de intacta a completamente deteriorada.

Esse dado se tornou central para discussões sobre integridade estrutural e possível liberação gradual de material ao longo do tempo.

EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no Pacífico perto de San Francisco; décadas depois, tecnologia moderna revela onde estão e expõe um passivo ambiental histórico.
EUA despejaram milhares de barris com lixo radioativo no Pacífico perto de San Francisco; décadas depois, tecnologia moderna revela onde estão e expõe um passivo ambiental histórico.

O que ainda não foi totalmente esclarecido

A combinação de mapeamento acústico, processamento de dados e verificação em profundidade ajudou a reduzir incertezas históricas.

Ainda assim, os próprios documentos ressaltam que o levantamento está longe de ser completo.

Parte significativa do cenário permanece baseada em estimativas e recortes de dados.

Mapear integralmente uma área extensa, profunda e com relevo complexo continua sendo uma tarefa tecnicamente difícil e onerosa.

Há também um componente social e econômico associado ao tema.

A proximidade com áreas de pesca e atividades costeiras faz com que a confiança pública dependa de informação clara e acessível.

A ausência de um mapeamento completo por décadas contribuiu para oscilações entre temor e falta de evidência consolidada.

Entre um descarte autorizado no passado e as limitações atuais de monitoramento em larga escala, que nível de transparência e acompanhamento contínuo a sociedade deve exigir quando passivos ambientais permanecem invisíveis, mas próximos de áreas marinhas de alto valor ecológico?

Inscreva-se
Notificar de
guest
0 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Feedbacks
Visualizar todos comentários
Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

Compartir en aplicaciones
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x