Baseado no Gulfstream G550, o avião de guerra eletrônica EA-37B Compass Call aterrissou em 26 de janeiro em Ramstein, Alemanha, abrindo roteiro do Pentágono por Spangdahlem e RAF Mildenhall. Desenvolvido por L3Harris e BAE Systems, promete neutralizar comunicações, navegação e comando inimigos, elevando a superioridade informacional aliada na OTAN europeia
O envio do avião de guerra eletrônica EA-37B Compass Call para a Europa marcou a primeira aparição da versão mais moderna da plataforma Compass Call diante de operadores da OTAN, com pouso em 26 de janeiro na base aérea de Ramstein, na Alemanha.
A presença do EA-37B ocorre dentro de um “roadshow” do Pentágono, com paradas previstas em Spangdahlem também na Alemanha e na RAF Mildenhall, no Reino Unido, em um movimento que reposiciona a aeronave como vitrine operacional para a condução de conflitos modernos no continente.
O que o EA-37B Compass Call foi fazer em Ramstein

O EA-37B pousou em Ramstein, Alemanha, como etapa inaugural de uma apresentação itinerante voltada a interlocutores e forças aliadas.
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A visita foi descrita como a primeira vez em que a versão mais nova do Compass Call é exibida diretamente a operadores da OTAN na Europa, ampliando visibilidade de capacidades que atuam fora do padrão de combate cinético.
Segundo o tenente-coronel Ronnie Smith, chefe adjunto da divisão de operações futuras da Força Aérea dos EUA na Europa, a aeronave eleva o patamar do combate contemporâneo.
“À medida que entra em serviço operacional, essa aeronave entregará domínio decisório em todos os domínios”, afirmou.
Por que o avião de guerra eletrônica chama atenção de aliados

O EA-37B é descrito como um sistema de missão que vai além do “radar e rádio”.
O pacote de guerra eletrônica permite interferência eletromagnética de longo alcance, com capacidade para neutralizar defesas aéreas inimigas, interromper comunicações, afetar sistemas de navegação, degradar coleta de inteligência e pressionar redes de comando e controle.
Na prática, a aeronave é apresentada como capaz de desorganizar a “cadeia de ataque” do adversário, que integra sensores e armas em múltiplos domínios.
O escopo citado envolve os domínios aéreo, terrestre, marítimo, espacial e cibernético, com efeito concentrado em atrasar decisões e reduzir coordenação operacional.
Plataforma Gulfstream G550 e o pacote de sensores

O EA-37B é baseado em um jato executivo Gulfstream G550 modificado, solução que combina alcance e envelope de voo típicos de aeronaves executivas com um conjunto de missão dedicado à guerra eletrônica.
Especialistas atribuem o desenvolvimento à L3Harris, em parceria com a BAE Systems, responsável por componentes do sistema Compass Call.
A lógica do projeto, conforme descrita, é entregar interferência à distância, sem depender de entrar no mesmo tipo de “bolha de risco” dos caças que executam supressão direta de defesas aéreas inimigas.
O objetivo é criar uma camada estratégica de proteção, reduzindo a exposição das forças aliadas enquanto o adversário perde qualidade de comunicação e coordenação.
Substituição do EC-130H e o histórico de guerra do Compass Call
O EA-37B substitui os veteranos EC-130H Compass Call, aeronaves baseadas no cargueiro C-130.
Esses modelos são citados como decisivos na Guerra do Iraque, interferindo comunicações insurgentes e até acionando dispositivos explosivos improvisados.
Ao todo, 14 aeronaves EC-130H estão em processo de aposentadoria, abrindo espaço para a frota mais enxuta e tecnológica do novo padrão.
A transição também indica mudança de geração e de arquitetura de missão, saindo de uma plataforma cargueira para um jato executivo modificado, com promessa de maior eficiência operacional e integração com cenários de combate em rede.
Cronograma de entrega, base no Arizona e frota prevista
A nova versão começou a ser entregue à Força Aérea dos EUA em 2023. A primeira unidade operacional entrou em serviço em 2024, na base de Davis-Monthan, no Arizona.
O plano atual prevê uma frota total de 10 aeronaves, número que reforça a ideia de emprego altamente seletivo e de alto valor estratégico.
O capitão Tyler Laska, piloto do EA-37B, resumiu o efeito operacional buscado com a aeronave:
“Cada segundo de hesitação que conseguimos impor ao adversário aumenta a sobrevivência das nossas forças em todos os domínios.”
A frase traduz o objetivo de impor atraso, fricção e incerteza, sem necessariamente precisar destruir fisicamente o sistema oponente.
Efeito OTAN e a compra italiana de até quatro unidades
O impacto do EA-37B extrapola os EUA. A Itália assinou contrato de US$ 300 milhões para adquirir pelo menos duas unidades, com autorização para comprar até quatro aeronaves.
O movimento é apresentado como reforço de integração tecnológica dentro da OTAN, sugerindo convergência de doutrina e de ferramentas de guerra eletrônica entre aliados.
Nesse desenho, o EA-37B é descrito como alternativa complementar aos caças de alto risco: ele atua à distância e amplia o “guarda-chuva” informacional, criando espaço para manobra e reduzindo a capacidade do adversário de conectar sensores, comunicações e armas de forma coerente.
Você acha que a chegada desse avião de guerra eletrônica à Europa muda o equilíbrio de dissuasão da OTAN, ou é mais uma demonstração simbólica do que uma virada operacional real?
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