Empresa nepalesa usa drones no Everest para transportar suprimentos e retirar resíduos em área de alto risco, com impacto direto na segurança da operação
O Everest virou símbolo de superação para alpinistas do mundo inteiro, mas também passou a carregar um problema que cresce há anos. Em meio à neve, ao gelo e às rotas de escalada, a montanha acumulou cilindros vazios, cordas, embalagens e outros resíduos deixados por sucessivas temporadas de ascensão.
Agora, uma nova operação tenta mudar essa realidade com ajuda da tecnologia. Drones de carga já estão sendo usados para subir equipamentos e retirar lixo de um dos trechos mais perigosos da montanha, encurtando o tempo de transporte e reduzindo a exposição humana em uma área marcada por gelo instável e risco constante.
O trecho mais perigoso do Everest começou a receber apoio aéreo
A operação se concentra entre o acampamento base e o Campamento 1, em uma faixa que passa pela Cascata de Gelo de Khumbu. Esse setor é conhecido por reunir fendas profundas, blocos de gelo em movimento e mudanças repentinas no terreno.
-
A vila brasileira única onde não tem asfalto, energia elétrica quase não chega, carro não entra e a luz da Lua vira atração entre dunas e ruas de areia, chamando a atenção de mais 1,5 milhão de turistas por ano
-
Em pleno interior paulista, uma cidade que já foi lar de dinossauros chama a atenção do mundo: o “Jurassic Park” com mais de mil pegadas de dinossauro fossilizadas de 135 milhões de anos é algo realmente fascinante
-
A CIA construiu em segredo o Glomar Explorer, o maior navio de mineração do mundo, usou o bilionário Howard Hughes como fachada e tentou levantar do fundo do Pacífico, a quase 5.000 metros de profundidade, um submarino nuclear soviético de 1.700 toneladas em uma das operações mais audaciosas da Guerra Fria
-
Quanto custa construir uma casa de 100 m² em 2026
Na prática, isso faz com que qualquer missão de transporte seja lenta, pesada e perigosa. Um trajeto que pode exigir cerca de 4 horas de deslocamento a pé passou a ser feito em cerca de 6 minutos pelos drones, o que muda a lógica de trabalho em um dos pontos mais sensíveis da montanha.
Carga sobe, lixo desce e o risco para os sherpas diminui
O uso dos drones não está limitado a uma demonstração pontual. Eles passaram a ser usados para levar cilindros de oxigênio, cordas, escadas e outros itens necessários para a preparação da rota de subida.
No caminho de volta, essas aeronaves descem com resíduos acumulados na montanha. Esse detalhe é central porque a retirada manual de lixo no Everest exige esforço extremo, além de expor os sherpas a um percurso que combina altitude elevada, terreno instável e carga pesada.
O que os números mostram na temporada de escalada
Segundo Reuters, agência internacional de notícias com cobertura global, os drones operados pela empresa nepalí Airlift Technology transportaram mais de 280 quilos de resíduos entre meados de abril e meados de maio de 2025, com apoio da organização local que atua na gestão da limpeza no Everest.
Em outra fase da operação, dois drones pesados retiraram cerca de 300 quilos de lixo do Campamento 1 durante a temporada de primavera. A mesma tecnologia também ajudou a levar materiais usados pelas equipes que instalam e mantêm a rota de escalada.
O avanço saiu do teste e entrou na rotina
A mudança ganhou força depois que, em 2024, foi concluída uma entrega bem sucedida no Everest com transporte de três garrafas de oxigênio e mais 1,5 quilo de suprimentos até o Campamento 1. Aquela etapa abriu espaço para um uso mais contínuo no ano seguinte.
Com a evolução da operação, a tecnologia deixou de ser tratada apenas como experimento de alta montanha. Em 25 dias, o sistema chegou a movimentar 1.259 quilos entre suprimentos e resíduos, mostrando que o apoio aéreo pode assumir um papel logístico real em um ambiente extremo.
A montanha acumula lixo há décadas e o problema virou pressão permanente
O acúmulo de resíduos no Everest não é novo. Ao longo dos anos, campanhas de limpeza passaram a recolher toneladas de material deixado para trás por expedições, além de itens abandonados em acampamentos e trechos de subida.
Em 2019, uma grande ação de limpeza recolheu 11 toneladas de lixo e também recuperou quatro corpos na região. Antes disso, o Nepal já havia criado uma regra que obriga alpinistas que passam do acampamento base a descer com pelo menos 8 quilos de resíduos, sob risco de perder um depósito de US$ 4 mil.
Menos neve, mais rocha e uma limpeza ainda mais difícil
A situação ficou mais delicada com as mudanças visíveis no próprio ambiente da montanha. O Everest tem mostrado menos neve em certos trechos e mais áreas de rocha exposta, cenário que aumenta a sensação de deterioração da paisagem e deixa resíduos antigos ainda mais visíveis.
Esse quadro também dificulta a retirada manual. Com o gelo menos estável e as fendas se tornando mais problemáticas ao longo da temporada, a limpeza exige ainda mais atenção, mais tempo e maior desgaste físico das equipes.
Os drones ainda não resolvem tudo, mas já mudam a operação
Apesar do avanço, os drones ainda não substituem totalmente o trabalho humano no Everest. O clima muda com rapidez, o vento pode interromper voos e a altitude impõe limites técnicos importantes, sobretudo nos campamentos mais altos.
Mesmo assim, o impacto já é claro. Entre o acampamento base e o Campamento 1, a tecnologia criou uma terceira via entre o helicóptero e o transporte manual. Isso reduz tempo, diminui esforço físico e melhora a segurança em um corredor onde cada deslocamento pode custar muito caro.
O que está em curso no Everest vai além de uma inovação curiosa. A montanha mais famosa do planeta passou a testar uma solução prática para um problema que se arrasta há décadas e que afeta tanto o meio ambiente quanto a segurança de quem trabalha ali.
Se essa operação ganhar escala nas próximas temporadas, o resultado pode ser relevante para toda a logística do Himalaia. Drones, lixo retirado com mais rapidez e menos risco humano mudam a leitura sobre como a alta montanha pode ser operada a partir de agora.

Então agora da pra fazer resgates de pessoas né?
Mais pra frente servirá para salvar as pessoas, drone vai até o alpinista que estará sinalizado com GPS emitindo socorro e resgata.
Era isto que estava faltando. Muitas vidas seriam salvas caso essa ideia tivesse surgido tempos atrás. Muito boa.