Vendas do Brasil para os Estados Unidos caem de forma significativa, mesmo após a revogação das sobretaxas, e expõem mudanças no comportamento do comércio bilateral
As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 28,1% em novembro, embora o tarifaço de 50% tenha sido removido no mês anterior. E, portanto, o recuo chamou atenção do setor.
Em novembro, o Brasil exportou US$ 2,662 bilhões para o mercado americano. Ainda assim, no mesmo mês do ano anterior, o país havia enviado US$ 3,703 bilhões aos EUA. O efeito retroativo da revogação, válido desde 13 de novembro, não impediu a queda.
Exportações gerais, números oficiais e comportamento do comércio
As exportações totais brasileiras cresceram 2,4% em novembro sobre o mesmo mês de 2024. Entretanto, o desempenho para os EUA seguiu em trajetória oposta.
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As exportações somaram US$ 28,5 bilhões no mês. Embora tenham superado discretamente os US$ 27,9 bilhões de novembro de 2024, houve queda de 9,7% sobre outubro, quando o Brasil exportou US$ 31,5 bilhões.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a retração para os EUA ocorreu mesmo após o fim do tarifação implementado pelo governo americano.
Crescimento das importações americanas e desequilíbrio comercial
No mesmo período, as importações brasileiras de produtos fabricados nos EUA subiram 24,5%, alcançando US$ 3,834 bilhões.
Há um ano, o valor havia sido de US$ 3,078 bilhões, o que, portanto, evidenciou um avanço relevante.
De janeiro a novembro, as exportações brasileiras para os EUA caíram 6,7%, atingindo US$ 34,2 bilhões, enquanto as importações cresceram 12,7%, totalizando US$ 42,1 bilhões. Assim, a balança registrou déficit de US$ 7,94 bilhões no período.
Produtos com maiores quedas de exportação
A redução das vendas atingiu principalmente setores de alto impacto econômico. A seguir, os itens com maiores recuos:
- Óleos brutos de petróleo: −66%
- Carne bovina: −58,6%
- Café não torrado: −55,6%
- Sucos de frutas ou vegetais: −40,1%
- Celulose: −31,4%
Além disso, o Brasil também exportou menos para Argentina, Canadá, México, África e União Europeia. As quedas variaram de 2,1% a 11,6%, dependendo do destino.
China avança como principal destino do Brasil
Embora as vendas aos EUA tenham recuado, as exportações para a China cresceram intensamente.
A alta foi de 41%, passando de US$ 5,8 bilhões para US$ 8,2 bilhões. O país asiático respondeu por 29% de todas as exportações brasileiras em novembro.
Segmentos que impulsionaram o resultado mensal
A agropecuária foi o destaque das exportações brasileiras.
O setor cresceu 25,8%. A Indústria de Transformação avançou 3,7%. Entretanto, a Indústria Extrativista recuou 14%.
Balança comercial no acumulado do ano
De janeiro a novembro, o Brasil exportou US$ 317,8 bilhões, crescimento de 1,8% em comparação ao acumulado de 2024.
As importações totalizaram US$ 259,98 bilhões, aumento de 7,2%.
Assim, o saldo da balança comercial ficou em US$ 57,8 bilhões, com queda de 16,8% em relação ao mesmo período do ano anterior.
O saldo corrente de comércio atingiu US$ 577,8 bilhões, alta de 4,1%.
Fim do tarifação e impactos diretos no fluxo comercial
O tarifação foi encerrado em duas etapas.
Em 20 de novembro de 2025, Donald Trump removeu tarifas de 40%. Uma semana antes, ele havia eliminado tarifas adicionais de 10%. Ambas as decisões tiveram efeito retroativo a 13 de novembro.
O tarifação de 50% havia começado em 6 de agosto de 2025, quando os EUA aplicaram mais 40% sobre as tarifas extras de 10% cobradas desde abril. Assim, produtos como carnes, café, cacau, açúcar, frutas tropicais, vegetais, combustíveis fósseis, petróleo e derivados foram atingidos.
Motivações políticas e justificativas do governo americano
Segundo o governo dos EUA, as sobretaxas responderam a práticas e ações recentes do Brasil consideradas ameaças à segurança nacional, à política externa e à economia americana.
Além disso, decisões judiciais brasileiras envolvendo big techs foram mencionadas como parte das justificativas políticas para o tarifação.

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