Desenvolvido a partir de excedentes de energia solar em telhados agrícolas, o trator elétrico criado por uma família suíça chegou à produção em massa após anos de testes, cooperação universitária e adaptação tecnológica, tornando-se o primeiro modelo totalmente elétrico fabricado em escala na Europa
Em Küssnacht am Rigi, na Suíça, a Rigitrac AG colocou em produção em massa o SKE 40, trator elétrico com 6 horas de autonomia, desenvolvido desde 2018, destinado a municípios e vinhedos, integrando energia solar rural e mobilidade limpa.
O modelo SKE 40 representa o primeiro trator elétrico produzido em massa na Europa, resultado de um processo iniciado em 2018 com o desenvolvimento de um protótipo funcional. A iniciativa surgiu da necessidade de aproveitar excedentes de eletricidade gerados por painéis solares instalados em telhados agrícolas.
A tração elétrica permite operação em campo sem emissão de fumaça ou ruído, característica relevante para ambientes urbanos e rurais sensíveis. O equipamento foi concebido para uso próximo a pessoas, animais e áreas residenciais, mantendo desempenho compatível com tarefas específicas.
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A autonomia da bateria do SKE 40 alcança 6 horas de trabalho contínuo, atendendo atividades como limpeza urbana, manutenção de parques, horticultura, vinhedos e serviços municipais de inverno. O carregamento pode ser feito diretamente a partir de sistemas solares existentes.
A produção em massa do trator é considerada um marco europeu por consolidar a eletrificação em um segmento historicamente dependente do diesel. Municípios e propriedades agrícolas figuram como os primeiros usuários do equipamento em diferentes regiões.
Desenvolvimento técnico e colaboração acadêmica desde 2018
O primeiro protótipo do trator elétrico foi desenvolvido em 2018 em colaboração com a Universidade de Dresden. Naquele momento, diversos componentes essenciais não estavam disponíveis comercialmente no mercado europeu, exigindo desenvolvimento conjunto com fornecedores especializados.
Sistemas de gerenciamento de baterias e componentes de acionamento elétrico precisaram ser projetados, testados e retrabalhados repetidamente em condições reais de uso agrícola. O processo envolveu falhas, ajustes sucessivos e reinício de etapas técnicas ao longo do caminho.
Esse esforço resultou em uma máquina funcional e viável para fabricação sustentável, sem depender de soluções importadas prontas. O aprendizado acumulado permitiu estruturar uma linha produtiva capaz de atender demanda crescente de forma padronizada.
A colaboração acadêmica teve papel central na adaptação de tecnologias elétricas a ambientes agrícolas, caracterizados por poeira, umidade, variações térmicas e longas jornadas operacionais em campo aberto.
Estrutura familiar e organização da Rigitrac AG
A Rigitrac AG mantém perfil de empresa familiar desde sua fundação por Sepp Knüsel, na década de 1970. Atualmente, a gestão é conduzida por Theres Beutler-Knüsel, que assumiu a direção-geral há dez anos.
A estrutura operacional envolve participação direta da mãe e das irmãs da diretora em áreas como compras, comunicação, recursos humanos e contabilidade. Aproximadamente 45 pessoas integram a equipe total da empresa.
Essa organização sustenta um projeto que conecta engenharia, agricultura e transição energética, mantendo decisões estratégicas concentradas na família fundadora. O modelo de gestão favorece continuidade técnica e alinhamento com objetivos de longo prazo.
A visão central consiste em integrar energia renovável local com máquinas agrícolas e municipais, aproveitando recursos já instalados nas propriedades rurais e reduzindo dependência de combustíveis fósseis importados.
Aplicações práticas, mercados externos e operação em diferentes climas
O SKE 40 foi projetado para tarefas específicas e não para substituir tratores agrícolas de grande porte. Sua potência é direcionada a operações em espaços reduzidos, comuns na agricultura europeia e na gestão municipal cotidiana.
O baixo nível de ruído permite uso em turnos noturnos nas cidades, enquanto a ausência de emissões melhora as condições de trabalho no campo. Essas características ampliam a aceitação do equipamento por operadores e administrações públicas.
O trator elétrico suíço já opera em países como Noruega, Dinamarca e Áustria, enfrentando condições climáticas diversas. Há registros de uso em estradas cobertas de neve e em culturas especializadas no centro da Europa.
A presença em mercados externos indica que a eletrificação de máquinas leves e pesadas começa a ultrapassar fronteiras nacionais, consolidando-se como solução viável em diferentes contextos operacionais e climátcos.
Reconhecimento institucional e implicações para a mobilidade limpa
A trajetória internacional do SKE 40 coincidiu com o recebimento do prêmio Watt d’Or 2026, concedido pelo Departamento Federal de Energia da Suíça. A premiação ocorreu na categoria de mobilidade com eficiência energética.
Embora não inclua recompensa financeira, o reconhecimento confere visibilidade e credibilidade junto a órgãos governamentais, cooperativas agrícolas e autoridades responsáveis por compras públicas. O prêmio reforça a posição do trator no setor.
A edição de 2026 será a última antes do encerramento do programa, em razão de cortes orçamentários. O contexto confere caráter simbólico adicional à premiação recebida pela Rigitrac AG.
O reconhecimento institucional sinaliza que inovações energéticas podem surgir fora de grandes centros urbanos, a partir de necessidades práticas identificadas em fazendas e regiões montanhosas.
Projeções, autossuficiência energética e próxima geração
O SKE 40 está alinhado à tendência de autossuficiência energética em propriedades rurais, permitindo que fazendas utilizem eletricidade gerada por painéis solares ou pequenas turbinas eólicas para abastecer seus próprios veículos.
Esse ciclo energético local reduz custos operacionais e emissões simultaneamente, já sendo aplicado em diversas propriedades na Suíça e na Alemanha. A solução deixa de ser conceitual e passa a integrar a rotina produtiva.
A família Knüsel trabalha no desenvolvimento de uma versão maior do trator, voltada a tarefas mais exigentes. O objetivo anunciado é avançar para segmentos onde o diesel ainda domina amplamente.
Nos próximos dois anos, a empresa pretende ampliar a eletrificação para trabalhos pesados, mantendo a lógica de integração entre produção local de energia e uso direto em máquinas agrícolas e municipais.

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