Escavações arqueológicas da HS2 Inglaterra revelam tesouros históricos raros e ajudam a preservar o patrimônio histórico do Reino Unido.
O que começou como uma obra de infraestrutura se transformou em uma das maiores revelações arqueológicas do Reino Unido.
Durante as escavações arqueológicas da HS2 Inglaterra, arqueólogos encontraram mais de 450 mil objetos históricos, muitos classificados como tesouros arqueológicos, ao longo do traçado da ferrovia de alta velocidade que ligará Londres a Birmingham.
As descobertas foram feitas desde 2018, por cerca de mil especialistas, em mais de 60 sítios diferentes, com o objetivo de preservar o patrimônio histórico antes do avanço das obras.
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Os achados ocorreram como parte do protocolo legal britânico, que exige estudos arqueológicos prévios em grandes empreendimentos.
Assim, enquanto a ferrovia enfrenta atrasos e críticas, as descobertas históricas reveladas ajudam a compreender como diferentes civilizações ocuparam e transformaram a paisagem britânica ao longo de milênios.
Tesouros arqueológicos guardados em armazém secreto
Grande parte desse acervo está armazenada em um local sigiloso no norte da Inglaterra, na região de Yorkshire.
O espaço abriga cerca de 7.300 caixas com artefatos que vão da Pré-História ao século 19.
Entre prateleiras industriais, encontram-se desde cabeças de estátuas romanas até caixões do final do século 18, preservados como registros silenciosos de antigas comunidades.
O futuro desses itens ainda está indefinido.
Não se sabe exatamente quais peças serão exibidas ao público, onde ficarão armazenadas ou quem será seu proprietário final, já que a legislação inglesa permite que objetos pertençam ao Estado ou aos donos das terras onde foram encontrados.
Machado pré-histórico e herança de povos antigos
Entre as descobertas históricas mais impressionantes está um machado de mão com mais de 40 mil anos, encontrado em Northamptonshire.
Especialistas acreditam que ele tenha sido produzido por neandertais ou até por uma espécie humana anterior.
O artefato, segurado diretamente com a mão, apresenta uma lâmina afiada usada provavelmente para o abate de animais.
“Há algo de tátil nele quando você o segura”, disse Sara Machin, da equipe de arqueologia Access +. “Mesmo hoje, ele se encaixa perfeitamente na minha mão.”
Então esse tipo de objeto reforça a relevância das escavações arqueológicas para entender os primeiros habitantes da região e sua relação com o ambiente.
Etiqueta romana sugere ligação com gladiadores
Outro item que chama atenção é uma pequena peça de osso entalhado com uma inscrição em latim.
Se estivesse completa, traria a frase “DOMINE VICTOR VINCAS FELIX”, traduzida como “Senhor Victor, que você vença e tenha sorte”.
O objeto foi encontrado em uma urna funerária com restos cremados e pode ter ligação com um gladiador romano.
Segundo Machin, a peça pode ter pertencido a um combatente, a um ex-gladiador ou até a um espectador.
John Pearce, professor do King’s College, pondera que “uma ligação com um gladiador é possível”, mas ressalta que análises forenses adicionais podem revelar outra história.
Vida cotidiana revelada em pequenos objetos
Assim, as escavações arqueológicas também trouxeram à tona itens ligados ao cotidiano.
Um peso de fuso anglo-saxão, feito a partir do osso de um bovino, indica avanços têxteis da época.
“É uma evidência muito interessante dos avanços têxteis no período anglo-saxão”, afirmou Willow Major, assistente de pós-escavação.
Já um dado medieval, encontrado em uma vila abandonada, mostra que jogos de azar faziam parte da vida social, embora sua forma irregular revele métodos artesanais de produção.
Arte, memória e identidade no patrimônio histórico
Então entre os achados mais simbólicos está uma estatueta de porcelana de um cachorro da raça pug, produzida entre 1770 e 1800, encontrada no túmulo de uma mulher em Londres.
Há também dentaduras inferiores de ouro do século 19, com seis dentes e numeração gravada, recuperadas de uma antiga igreja.
“São objetos, mas todos se relacionam a pessoas”, destacou Machin. “Podemos começar a escrever as histórias de suas vidas.”
HS2 Inglaterra: controvérsia, custos e legado arqueológico
Assim, apesar da riqueza histórica revelada, a HS2 Inglaterra segue dividindo opiniões.
Críticos apontam custos bilionários, atrasos e danos ambientais. Estimativas indicam que a ferrovia pode custar cerca de R$ 7 bilhões por milha.
Ainda assim, instituições como a Historic England elogiaram o projeto arqueológico por revelar “novas e excitantes áreas que abrangem mais de 10 mil anos do nosso passado”.
Para o historiador Graham Evans, o legado é claro: “Se construíssem a ferrovia e não fizéssemos o estudo arqueológico, seria muito mais trágico”.
Veja mais em: Os surpreendentes tesouros encontrados nas obras de controversa ferrovia na Inglaterra – BBC News Brasil

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