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Fiat Siena vira 1º carro brasileiro movido a água com motor Fire original inquebrável que não emite poluentes, somente vapor d’água pelo escapamento

Escrito por Alisson Ficher
Publicado el 09/01/2026 a las 16:03
Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.
Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.
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Um Fiat Siena equipado com o motor 1.4 Fire original foi convertido para queimar hidrogênio em um motor de combustão interna e passou a funcionar como um demonstrador de pesquisa no Rio Grande do Sul.

O projeto foi desenvolvido no âmbito da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e mantém o conjunto mecânico central do carro, com mudanças concentradas no sistema de armazenamento, alimentação e gerenciamento eletrônico do combustível.

A expressão “movido a água”, usada com frequência em manchetes, é uma analogia que ajuda a popularizar o tema, mas exige esclarecimento técnico. O veículo não abastece com água nem “tira energia” dela.

O que ocorre é que, na combustão do hidrogênio, o principal produto liberado no escapamento é água na forma de vapor, o que sustenta a associação popular com a ideia de um “carro a água”.

Hidrogênio em motor a combustão, não em célula elétrica

Boa parte dos veículos a hidrogênio conhecidos no exterior utiliza célula de combustível, tecnologia em que o gás reage com o oxigênio para gerar eletricidade e alimentar um motor elétrico.

Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.
Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.

No Siena convertido pela equipe da UFSM, a lógica é diferente e mais próxima da engenharia automotiva tradicional.

Nesse caso, o hidrogênio entra diretamente como combustível no motor a combustão e substitui gasolina ou etanol na etapa de queima.

Essa escolha muda o tipo de adaptação necessária, já que dispensa motores elétricos e baterias, concentrando o trabalho na calibração de ignição, injeção e segurança do sistema.

Escolha do Siena Tetrafuel e preservação do motor Fire

O ponto de partida do projeto foi um Siena Tetrafuel, versão que saía de fábrica com kit para GNV.

Apesar disso, a experiência com gás natural não representou um atalho técnico.

Segundo a descrição do projeto, nenhum componente do sistema original de GNV foi reaproveitado na conversão, pois o hidrogênio impõe exigências próprias de materiais, vedação, conexões e estratégias de controle.

Ainda assim, a equipe priorizou preservar o conjunto mecânico sempre que possível.

O motor não precisou de alterações na taxa de compressão nem na câmara de combustão, permanecendo essencialmente o mesmo internamente.

As mudanças ficaram concentradas no caminho do combustível até o motor e no controle eletrônico responsável por garantir funcionamento estável.

Pesquisa acadêmica e apoio institucional

Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.
Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.

A conversão foi realizada pelo Grupo de Pesquisa em Motores, Combustíveis e Emissões (GPMOT), ligado ao Centro de Tecnologia da UFSM.

O veículo integra uma sequência de estudos acadêmicos desenvolvidos pelo grupo ao longo dos últimos anos.

A etapa mais recente esteve associada ao trabalho de conclusão de curso do estudante Augusto Graziadei Folletto, do curso de Engenharia Mecânica, intitulado “Adaptação e calibração de um veículo à combustão interna, usando hidrogênio como combustível”.

O desenvolvimento contou com apoio de instituições de fomento e de empresas que ofereceram suporte técnico ao projeto.

Armazenamento de hidrogênio a 150 bar no porta-malas

O hidrogênio é armazenado em um cilindro específico para esse gás, já que sua molécula é pequena e pode atravessar materiais adequados a outros combustíveis gasosos.

No demonstrador da UFSM, o armazenamento ocorre a 150 bar, pressão inferior à utilizada por veículos a célula de combustível em outros mercados.

No porta-malas também ficam o regulador de pressão e as conexões que conduzem o gás até o cofre do motor.

Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.
Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.

Por segurança, o sistema inclui solenóides que liberam o fluxo de hidrogênio apenas com a ignição ligada, reduzindo riscos em caso de desligamento ou falha.

ECU programável e calibração específica para H₂

O funcionamento estável exigiu o uso de uma ECU programável, responsável por ajustar a injeção e o ponto de ignição às características específicas do hidrogênio.

Nesse tipo de conversão, o gerenciamento eletrônico deixa de ser um componente secundário e passa a ser o núcleo do projeto.

O combustível demanda estratégias próprias de partida, dosagem e controle da combustão.

Durante a fase de calibração, o carro recebeu instrumentação adicional para aquisição e análise de dados, incluindo sensores nos sistemas de admissão e escape.

Parte desse conjunto foi instalada apenas para testes e validação.

A proposta é que o hardware adicional possa ser removido após a conclusão da calibração.

Potência, densidade energética e limitações técnicas

O hidrogênio apresenta alta energia por unidade de massa.

O desafio aparece quando a comparação é feita em termos de volume, especialmente em sistemas que trabalham com pressões mais baixas.

O professor Mario Martins, orientador do trabalho, explica esse ponto ao comparar combustíveis líquidos e gasosos:

“Como o motor é uma máquina volumétrica e o hidrogênio é admitido no coletor a baixa pressão, o parâmetro mais relevante é a densidade energética volumétrica, que no caso do H₂ é muito inferior. Em condições ambientes, ela é da ordem de 0,01 MJ/L, enquanto a gasolina apresenta cerca de 32 MJ/L e o etanol, aproximadamente 21 MJ/L”.

Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.
Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.

“Essa característica impõe desafios ao projeto e resulta em uma redução da potência original, que pode ser mitigada com o uso de tecnologias adequadas de sobrealimentação — o que não foi o foco deste projeto inicial”.

Na prática, a perda de potência também é observada em veículos convertidos para GNV.

O objetivo principal do Siena a hidrogênio, neste estágio, é validar a viabilidade técnica da combustão do gás em motores convencionais.

Emissões e cuidados com o conceito de poluição zero

A combustão do hidrogênio não gera dióxido de carbono como subproduto direto do combustível.

Segundo o material do projeto, o escapamento libera água ou vapor d’água, com eliminação de monóxido de carbono e forte redução de outros gases nocivos.

Ainda assim, em motores a combustão interna, a presença de ar na queima pode levar à formação de óxidos de nitrogênio, dependendo de temperatura e calibração.

Por esse motivo, a ideia de “zero poluentes” exige contextualização técnica.

No caso do Siena convertido, o próprio projeto descreve as emissões como virtualmente zero, dentro do objetivo de pesquisa e demonstração de viabilidade.

Infraestrutura limita uso fora do ambiente de pesquisa

Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.
Fiat Siena movido a hidrogênio vira laboratório no Brasil, mantém motor Fire original, queima H₂ a 150 bar e libera só vapor. no RS.

Mesmo com a prova de conceito em funcionamento, a adoção fora do ambiente acadêmico esbarra na infraestrutura disponível no país.

A logística de produção, armazenamento e distribuição de hidrogênio no Brasil ainda está em desenvolvimento.

Há dificuldade para encontrar abastecimento em pressões mais elevadas e com alcance nacional.

Por isso, o Siena convertido segue operando como um laboratório sobre rodas, restrito a testes e estudos.

O projeto também serve de base para pesquisas futuras, incluindo a possibilidade de conversão de veículos mais modernos.

Se a infraestrutura evoluir e os custos do hidrogênio caírem, a adaptação de motores convencionais poderá se tornar uma alternativa real para parte da frota brasileira?

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Jose Ronnivon Silva Rodrigues
Jose Ronnivon Silva Rodrigues
12/01/2026 03:52

Já existe carros movidos por hidrogênio no Brasil a muito tempo.estou aguardando condições para instalar no meu velho Renault scenic.

Wanderley Souza
Wanderley Souza
11/01/2026 21:25

A depender das vantagens (incentivos do governo e, a curto prazo, economia com combustíveis), vale a pena até trocar de carro qdo o motor for para o espaço. No mais, tudo.de.bom q existe hj, passou por dificuldades e até apontamentos críticos, porém, com ajustes e aperfeiçoamentos ao longo do tempo, tornou-se viável. Pq q nos tempos de hj, onde diversas Tecnologias/Ciência estão avançadas (bem.diferente daquele Nômade…ou daquele querendo o Fogo…a Roda), não vai ser possível viabilizar o veículo a hidrogênio??
Em qq continente. É só questão de tempo!!

Dennis
Dennis
11/01/2026 17:11

Tenho um colega que colocou um desses kits milagrosos onde a pessoa coloca água e roda pra ****. Só que depois de algumas centenas de km rodados ele teve de retificar o motor, porque esse sistema deixa um resíduo semelhante a lama e **** com o motor todo.

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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