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Fim da Linguagem Neutra: Lula Sanciona Lei na Administração Pública

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 18/11/2025 às 17:21
Atualizado em 18/11/2025 às 17:25
Lula sanciona lei que proíbe Linguagem Neutra na Administração Pública. Saiba como a nova regra muda a comunicação oficial do governo.
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Lula sanciona lei que proíbe Linguagem Neutra na Administração Pública. Saiba como a nova regra muda a comunicação oficial do governo.

A partir desta segunda-feira, 17 de novembro, uma nova lei federal, sancionada pelo presidente Lula, estabelece a proibição expressa do uso da chamada linguagem neutra em todos os documentos e comunicações oficiais da administração pública federal, estadual e municipal.

A medida, publicada no Diário Oficial da União, cria a Política Nacional de Linguagem Simples, com o objetivo central de garantir uma comunicação mais clara, acessível e padronizada para toda a população, evitando termos que não estejam de acordo com as regras da Língua Portuguesa padrão.

Essa decisão, que responde a críticas de setores mais conservadores sobre o uso da linguagem neutra em eventos recentes no Palácio do Planalto, marca um novo direcionamento na comunicação governamental.

O Impacto da Decisão de Lula sobre a Comunicação Oficial

A sanção presidencial pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) coloca um ponto final no debate sobre a inclusão de termos como “todes”, “elu” ou “ume” nos textos oficiais.

O veto à linguagem neutra é um dos pilares da recém-criada Política Nacional de Linguagem Simples, que agora se torna obrigatória para órgãos e entidades da administração pública em todas as esferas federativas.

Por outro lado, embora o uso da linguagem neutra tenha sido notado em algumas cerimônias, como posses de ministros, o próprio presidente Lula não costuma adotar essa forma de comunicação.

Um exemplo de seu uso em alto escalão foi o ministro Alexandre Padilha, que utilizou o termo “todes” durante seu discurso de posse.

O Que É, Afinal, a Linguagem Neutra?

É importante ressaltar o que exatamente está sendo proibido. A linguagem neutra é uma alternativa na comunicação que busca empregar termos sem flexão de gênero gramatical (masculino ou feminino) para se referir a grupos ou indivíduos. Por exemplo:

Todes no lugar de todos/todas;

Elu em vez de ele/ela;

Ume para substituir um/uma.

A ideia por trás desse movimento é tornar a linguagem mais inclusiva, buscando evitar a discriminação de pessoas com base em sua identidade de gênero ou outros aspectos.

No entanto, o texto da nova lei determina claramente a não utilização de formas de flexão de gênero ou número que estejam fora das regras gramaticais estabelecidas pelo português.

Novos Padrões de Redação na Administração Pública

A principal meta dessa nova lei na administração pública é garantir que qualquer cidadão consiga encontrar a informação de que precisa, entendê-la completamente e usá-la para resolver suas demandas.

Portanto, a comunicação oficial passa a seguir padrões rigorosos de simplicidade e acessibilidade.

A lei estabelece técnicas de redação específicas para todos os comunicados, formulários, orientações, portais e qualquer outro conteúdo dirigido ao público. Essas técnicas de comunicação incluem:

Frases Curtas e Diretas: Priorizar a ordem direta e a voz ativa para facilitar a compreensão;

Vocabulário Comum: Usar palavras do cotidiano, evitando jargões técnicos sempre que possível. Quando indispensável, o termo técnico deverá ser devidamente explicado;

Evitar Estrangeirismos: Não utilizar palavras de origem estrangeira que ainda não estejam incorporadas ao uso comum da linguagem;

Informação Relevante no Início: Colocar as informações mais importantes logo nos primeiros parágrafos do texto, seguindo o princípio da pirâmide invertida no jornalismo;

Recursos Visuais: Utilizar tabelas, listas e outros recursos gráficos para auxiliar na leitura e na compreensão;

Acessibilidade Universal: Garantir que a linguagem seja acessível, especialmente para pessoas com deficiência.

Implementação e Diretrizes Complementares

A nova legislação não apenas proíbe a linguagem neutra, mas também exige um esforço coordenado de implementação em todos os níveis da administração pública.

A lei determina que cada poder (Executivo, Legislativo e Judiciário) de cada esfera federativa — União, estados, Distrito Federal e municípios — terá a responsabilidade de estabelecer diretrizes complementares para a aplicação da medida.

Isso envolverá um amplo trabalho de revisão de portais e documentos, bem como a capacitação das equipes de servidores responsáveis pela comunicação governamental.

Além disso, prevê-se a criação de manuais, a padronização de formulários e a realização de testes de usabilidade com os próprios cidadãos para garantir a eficácia da nova lei na prática.

Uma observação importante é que, quando a comunicação for destinada a comunidades indígenas, a medida determina que, sempre que possível, o conteúdo deve ser disponibilizado também na língua da comunidade, reforçando o foco na acessibilidade e inclusão.

A decisão do presidente Lula com a sanção desta lei busca, portanto, um equilíbrio: manter a clareza e o padrão da Língua Portuguesa na administração pública, ao mesmo tempo em que aprimora a transparência e a eficácia da comunicação com o cidadão.

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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