A Mastercard avança em três frentes tecnológicas que prometem remodelar pagamentos digitais no Brasil e acelerar a eliminação das senhas antes de 2030, com foco em tokenização, biometria e experiências de compra simplificadas.
A Mastercard quer aposentar as senhas dos pagamentos com cartão ainda nesta década e projeta que isso aconteça no Brasil antes de 2030, possivelmente por volta de 2028.
A estratégia, apresentada por Leonardo Linares, vice-presidente sênior de soluções para clientes da Mastercard no país, combina três tecnologias: tokenização, Click to Pay e passkeys biométricas, que já começam a ganhar escala em diferentes pontos do ecossistema de meios de pagamento.
Segundo Linares, mais da metade das transações processadas hoje pela bandeira no Brasil já ocorre com uso de tokens, o que indica que a migração para um ambiente sem senhas está em curso.
-
Programa Pé-de-Meia do governo Lula evita que 1 em cada 4 jovens abandone o ensino médio, derruba a evasão entre alunos vulneráveis e revela que o incentivo financeiro já está mudando o destino de milhares de estudantes pelo Brasil
-
Nestlé coloca R$ 2 bilhões na mesa e inaugura nova fábrica colossal no Brasil em cidade de apenas 4 mil moradores, com tecnologia Indústria 4.0, robôs e IA, dobrando a produção de sachês pet e mirando exportações para Chile, México e Colômbia.
-
Escala 6×1, adeus? Rede de supermercados testa nova jornada com duas folgas semanais, aprovação de mais de 90% e impacto direto para mais de 5 mil funcionários
-
Catarinense deixa carreira consolidada na saúde, segue sonho antigo e constrói cervejaria artesanal que nasceu após viagem marcante à Europa em Santa Catarina
A visão da companhia é que, à medida que esses pilares se consolidarem, a experiência de pagamento se tornará mais simples para o consumidor e mais segura para lojistas e emissores.
Meta global de eliminação de senhas
Em âmbito global, a Mastercard definiu como meta eliminar números impressos no cartão e o uso de senhas em transações até 2030, substituindo esses dados sensíveis por identificadores tokenizados e autenticação biométrica.
No Brasil, a ambição é antecipar esse horizonte, chegando na prática a um cenário sem senhas por volta de 2028, caso a adoção pelas empresas parceiras e pelos consumidores mantenha o ritmo atual.
A mudança passa por uma transformação da própria infraestrutura de pagamentos.
No lugar do PAN, o número tradicional do cartão, circula um token, isto é, um código criptografado que representa aquela credencial.
Se houver vazamento de dados, quem é exposto é o token, não o número real do cartão, o que reduz o potencial de fraude.
Linares reforçou, durante o MobiMeeting Finance+ID 2025, em São Paulo, que a Mastercard enxerga esse ambiente sem senhas como um cenário em que todas as transações tendem a ser tokenizadas e associadas a mecanismos de autenticação mais robustos.
Tokenização como base da segurança
A tokenização é apresentada como o pilar central da estratégia.
Na prática, ela substitui os números reais do cartão por códigos únicos e dinâmicos, válidos apenas para uma transação, um dispositivo ou um comerciante específicos.
Mesmo que esses códigos sejam interceptados, eles não podem ser reutilizados em outros contextos.
Dados divulgados pela Mastercard indicam que operações tokenizadas registram índices menores de fraude quando comparadas às transações tradicionais.
No Brasil, a empresa já ultrapassou a marca de metade das transações tokenizadas, o que mostra uma base relevante operando nesse novo modelo.
A tendência é que essa proporção continue crescendo à medida que emissores, carteiras digitais, gateways de pagamento e varejistas passem a priorizar tokens.
Click to Pay e compras digitais mais rápidas
O segundo pilar da estratégia é o Click to Pay, solução que permite pagamentos online sem a necessidade de digitar número de cartão, validade ou código de segurança a cada compra.
Uma vez cadastrada a credencial tokenizada, o consumidor reconhece o botão da Mastercard nas lojas virtuais participantes e conclui a operação com poucos cliques.
No Brasil, redes como McDonald’s e a plataforma de eventos Sympla já utilizam o recurso, dando visibilidade à tecnologia em cenários de alto volume.
A proposta é reduzir fricções e acelerar a conversão em lojas virtuais, combinando praticidade com segurança baseada em tokenização e autenticação forte.
Ainda que o Click to Pay não seja adotado em todos os casos, a Mastercard o vê como componente importante para impulsionar a migração a um ambiente sem senhas.
Passkeys e a biometria no centro do processo
O terceiro elemento do plano é a adoção de passkeys, credenciais que utilizam biometria ou PIN do dispositivo para confirmar a identidade do usuário.
No ecossistema da Mastercard, a ideia é vincular o cartão ao aparelho do consumidor e à sua passkey de pagamento.
Isso permite que a confirmação da compra seja feita com impressão digital, reconhecimento facial ou PIN local, sem envio de senhas para o comerciante.
No Brasil, essa frente ainda é incipiente.
Os testes começaram recentemente e o uso está ganhando tração à medida que bancos, carteiras digitais e varejistas integram as APIs necessárias.
A expectativa é que, com o avanço das passkeys em sistemas operacionais e navegadores, o processo se torne praticamente transparente para os usuários.
A autenticação por passkeys também acompanha a evolução dos dispositivos móveis, em especial smartphones e relógios conectados, que centralizam validações diretamente no aparelho.
Parcerias para acelerar a adoção
Para impulsionar essas tecnologias, a Mastercard conta com parcerias com empresas especializadas em soluções digitais.
No Brasil, a Bemobi é uma das participantes da fase de testes e validações de iniciativas relacionadas a tokenização, Click to Pay e passkeys.
Durante o MobiMeeting Finance+ID 2025, o CTO e CPO da Bemobi, Felipe Goldin, dividiu o palco com Linares em sessão dedicada ao impacto dos pagamentos digitais.
A proposta foi mostrar como a combinação de tokens, biometria e jornadas simplificadas pode ser aplicada em escala.
Essas parcerias permitem testar fluxos, medir impacto em conversão, observar o comportamento dos consumidores e ajustar a jornada antes de uma adoção massiva.
Engajamento ainda é o maior obstáculo
Embora a infraestrutura esteja avançando rapidamente, Linares afirma que o principal desafio é o engajamento do ecossistema.
Ele comentou que considera “mais difícil chegar a 10 milhões de transações do que a 1 bilhão”, em referência ao esforço inicial de adoção.
Para o executivo, quando os principais atores estiverem integrados e a experiência do usuário for realmente simples, a escala virá naturalmente.
Ainda assim, é necessário coordenar bancos, varejistas, fornecedores de tecnologia e empresas de segurança, além de observar regulações locais sobre proteção de dados.
Linares também disse que a Mastercard trabalha para que cerca de 95% das transações não exijam autenticações adicionais complexas, reservando verificações mais rígidas apenas a operações de maior risco.
Enquanto tokenização, Click to Pay e passkeys avançam, fica a dúvida sobre a disposição dos consumidores brasileiros em abandonar de vez as senhas e adotar biometria e credenciais digitais no dia a dia.
-
Uma pessoa reagiu a isso.